Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 22

Cabe aqui uma observação importante; a destruição proposital da importância da moral (feita frequentemente no livro) serve a um propósito específico: perceber que "não estamos no tempo da Graça hoje", na verdade nunca deixamos de depender da Graça em toda a história da humanidade! A Graça não é um tempo, nem uma dispensação, a Graça é uma realidade que transcende o tempo e o espaço. Antes de existir mundo, a Graça era o Espírito de Deus em sua intenção criativa.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 21

Agora é a vez de nos debruçarmos sobre Jacó, e identificar a nós mesmos nele que viveu constantemente em estado de conflito interior, enganando e sendo enganado, lutando com os homens e lutando com Deus, e a graça de Deus o sustentando em todo o processo. O Deus de Abraão é também o Deus de Jacó. Olhar para Abraão e encontrar motivos para denominá-lo bem-aventurado é relativamente fácil, afinal de contas é Abraão que pela fé sai do seu conforto pessoal e aceita o convite de ir sem saber onde se ia chegar (tudo pela fé). Mas, Jacó não é alguém, nem de longe, parecido com essa voluntariedade confiante. Deus, ser Deus de Jacó, é mais absurdo e inexplicável ainda.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 20

Nas teologias humanas, o homem precisa sacrificar-se para agradar a Deus e atingir a tão sonhada salvação e provisão na vida; na "lógica" do divino Deus provê o sacrifício, e em última análise, Ele se esvazia e se torna o próprio sacrifício pra que se cumpra toda a justiça, conforme Jesus disse a João no dia de sua "morte" nas águas do rio Jordão. Deus se oferece como reconciliação do homem consigo mesmo.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 19

A fé também percorre caminhos de aparente loucura! Parece loucura pensar num Deus de amor que pede a um pai sacrificar o único filho. Parece loucura Deus se tornar homem, diminuindo-se (ou no termo bíblico "esvaziando-se") pra redimir a humanidade de sua maldade. Parece loucura se relacionar com um Deus que não dá a mínima pra média ponderada, pra moralidade das pessoas e que não dá satisfações a ninguém e tem misericórdia de quem quer ter misericórdia, pronto e acabou.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 18

Deus também jamais seria justificado pela moral! Jesus ignorou a moral constantemente ao tratar com amor aqueles que socialmente eram tratados com total desprezo. Pra quê amar samaritanos, adúlteros, publicanos, leprosos, centuriões romanos, estrangeiros? Cadê o patriotismo desse "novo" mestre? É imoral salvar o ladrão da cruz e não salvar aquele que diz "Senhor, Senhor" a semana toda!

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 17

A moralidade gera domínio e controle sobre as pessoas. A moral arbitra sobre a pluralidade da vida, ela quer estabelecer um imperativo social através do qual todo cidadão deve ser adestrado, suprimindo toda forma de pensamento que relativise ou pense suas premissas por outros pontos de vista. É porisso que o moralista se sente tão inflado em seu ego, pois lhe dá a sensação de ter alcançado o topo da experiência humana quando na verdade, ele apenas se uniformizou do lado de fora, sem nunca provar do bem que transforma a interioridade.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 16

A única maneira que temos de não transformar a Lei naquilo que ela não significa, é mergulhando na Graça e no Amor de Deus que nos pacifica e nos transforma diariamente naquilo que o "Espírito" da Lei tem como proposta de vida. A partir da fé nessa Graça, a Lei passa a ser discernida e escrita no nosso coração, e assim, vence a regra pela regra, a instrução pela instrução, letra pela letra, passa a ser vida em nós como consciência. Essa é a verdadeira vitória: crer, receber essa nova consciência e viver conforme ela.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 15

Faz alguns anos que venho repetindo a mesma coisa (e o faço mais uma vez): que é mais fácil viver baseado em regras específicas (próprias das convenções morais) do que na liberdade para a qual Cristo nos libertou. É mais fácil dar 10% do salário e se sentir "generoso" do que aprender a ser doador no dia a dia, escolhendo caso a caso com quais necessidades nos envolveremos (e assim, doando muito mais do que 10%, aliás nem fazendo cálculos dessa natureza). É mais fácil frequentar 2 ou 3 reuniões semanais e sentir que estamos "em dia" no compromisso com Deus, do que aprendermos a reconhecer comunidade no dia a dia, indo na direção de alguém ou permitindo que alguém se aproxime de nós em amor.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 14

Como voltar à essência do conhecimento de Jesus e assim experimentar Sua doce e estrondosa libertação? Só através do amor! O amor faz a gente vencer a ignorância (em qualquer nível que ela esteja) tanto quanto nos traz de volta ao conhecimento que se "desatualizou" em nós pela deliberação da nossa maldade. O amor sem moralismos. O amor não julgador. O amor que vai além das aparências. O amor é o termômetro e a medida de todas as coisas.

Sem Barganhas com Deus – Caio Fábio – Dia 13

Refletir sobre o conceito de pecado é extremamente importante nesse ponto da jornada, isso porque houve uma diminuição considerável do seu significado com o decorrer do tempo. Pecado passou a ser um comportamento moralmente incorreto, passivo de punição, se alguém não souber escondê-lo "adequadamente". Com frequência, além de tudo, dentro das comunidades foi se instituindo uma espécie de tabela de pecados graves e pecados menos graves; aqueles que merecem punição e os que podem passar desapercebidos; aqueles que causam expulsão e aqueles em que você apenas deixar de tomar a "santa ceia"; aqueles que colocam o sujeito no banco (longe da atuação nos ministérios) e aquele que é digno apenas de uma leve exortação.