Ausência da dor

O meu coração, Pode crer, é um ótimo partido, embora partido. Se estou perdida e entediada Tento abrir o seu portão Sou maior abandonada. Que as sobras não me dispersem Pois elas entristecem. Com ilusão criamos o nosso amor Para que no meu mundo, houvesse a ausência da dor;

Mudar é preciso

Já faz alguns anos, escrevi um texto confessando cansaço. Na verdade, eu nem estava assim tão fadigado. O texto não passava de um grito; revelava um profundo anseio por mudar de estrada. Eu percebia que vários fios estavam soltos na minha confissão de fé. Apesar de relutar, eu não podia negar as demandas brutais da história. A miséria, com todo o sofrimento, me obrigou a reescrever meus discursos. Pensar sobre a transcendência não podia permanecer um diletantismo.