Talmidim #001 – Reflexões Diárias

Os meninos em Israel começavam a estudar a Torá aos 6 anos. A Torá era a lei de Moisés, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Aos 10 anos, ao final do primeiro ciclo de estudos chamado Beit Sefer, esses meninos já haviam decorado a Torá. A partir daí alguns voltavam para casa e aprendiam o ofício da família, mas os que se destacavam continuavam num segundo estágio, o Beit Talmud. Continuavam frequentando a escola judaica e estudavam sob a orientação de um rabino que os adotava para lhes ensinar mais profundamente a Torá e suas escolas de interpretação. Esses meninos extraordinários eram chamados talmidim, plural da palavra hebraica talmid, que o Novo Testamento traduz como discípulo.

E quando Deus faz silêncio?

Deus faz silêncio... Nada acontece... As coisas apenas seguem o curso da mecânica universal. Deus faz silencio... Os homens gritam, a igreja vocifera, os políticos denunciam, a mídia pauta ou constrói histórias, os teólogos deprimem-se, os filósofos sentem saudades de Sócrates e Platão, os pastores prometem bênçãos que as estatísticas cumprirão, os profetas tem seu preço, os piedosos gemem, os jovens sentem o engano, os idosos oram pelo que vão deixar com angustias piores do aquelas que um dia conheceram, e a brisa é feita de vento oriental—aquela que faz o profeta que não se vendeu desejar a morte.

Transcendência

Com raríssimas exceções, os grandes pensadores da história da humani­dade concordaram que o bicho homem é essencialmente um ser trans­cendente, que não pode encontrar sua realização neste mundo da imanência e que, portanto, como disse Fyodor Dostoyevsky, carrega no coração "um vazio do tamanho de Deus" e que vive repetindo a oração de Agostinho, chamado Santo: "O Deus, inquieto bate meu coração en­quanto não descansar em ti".

Pedaços de Mim

Eu sou feito de Sonhos interrompidos detalhes despercebidos amores mal resolvidos Sou feito de Choros sem ter razão pessoas no coração atos por impulsão Sinto falta de Lugares que não conheci

Silencioso Desespero

Mas, infelizmente, devo concordar com Henry David Thoreau quando diz que "a grande maioria dos homens vive uma vida de silencioso desespero". Por baixo do pano escuro da noite, quando as luzes se apagam e restam apenas os labirintos da mente como trilha para o encontro com o descanso, muita gente repousa infeliz. Sua sorte, ou infortúnio, é que durante o dia quase ninguém percebe; disfarçam bem ou convivem com gente igualmente ocupada em disfarçar, que não consegue perceber quão ruins os atores são no palco da vida.

Instantes

Se eu pudesse novamente viver a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido. Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.

Felicidade

A felicidade não é um estágio alienante, um comercial de margarina, uma caixa só de alegrias, bem-estar e devaneios. Quem diria, na felicidade há pontuação de tristezas também. Chega um determinado tempo em que aprendemos que felicidade e tristeza não são necessariamente opostas, óleo e água, mas muitas vezes complementares.

A fobia da morte: um discernimento essencial

O autor do livro de Hebreus nos diz que Jesus veio destruir aquele que tem o poder da morte; a saber: o diabo. E, além disso, veio para livrar aqueles que pelo pavor da morte estavam sujeitos à escravidão por toda a vida. Para mim poucas revelações espirituais são tão fortes e essenciais para o bem da alma humana quanto as duas acima referidas.

Ler pouco

Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “ Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.