Nesse dia, gostaria de narrar a vocês um dos principais acontecimentos que me fizeram desistir de vez da tentativa de me encaixar no mundo protestante/evangélico.

Eis o contexto: eu era líder de um grupo de jovens que se reuniam em minha casa. Esses jovens eram amigos com quem compartilhava as coisas mais profundas do meu coração. Não fazia média com eles, não me comportava como um “líder” sobre eles, não era como aquela figura que “sabe tudo” ensinando os que “não sabem quase nada”, eu já havia aprendido com Jesus a tratar as outras pessoas como meus amigos e irmãos. O resultado dessa consciência me levou a não julgá-los, mesmo sabendo que alguns fumavam, outros gostavam da sua cerveja semanal, outros ainda lidavam com conflitos de natureza sexual, todos eram aceitos, amados e bem recebidos, como os bons amigos e irmãos fazem. Alguns até levavam sua cerveja para o encontro, outros, durante a reunião, saiam na varanda pra fumar seu cigarro, e eles não se sentiam massacrados pelo olhar de ninguém, eles podiam ser quem realmente eram, sem máscaras.

Me lembro de ter ouvido as seguintes palavras de uma das jovens que participavam desses encontros: “pela primeira vez na vida me sinto confortável o suficiente para realmente falar de mim, sem me sentir julgada”. Era isso! Não era um grupo só para se ter um grupo. Não era um grupo de fachada. Não era entretenimento nem mera distração (embora, às vezes temos necessidade disso). O objetivo não era juntar pessoas para tirá-los do “mundo”. O objetivo era a amizade, o amor, o encontro um com o outro que desembocava no encontro com o ensino de Jesus e seus desdobramentos. O resultado disso foi incrível!

Jovens admitindo suas crises uns para os outros, confissão mútua de erros que foram cometidos, um ambiente regado de bons conselhos e de boa consciência a respeito do ensino de Jesus, um linguajar que não fazia média com nenhum tipo de moralismo e a espiritualidade sendo vivida de uma forma sadia e libertadora.

Ao compartilhar tudo o que estava acontecendo entre nós com o líder maior da congregação, eis o conselho que recebi: “Rodrigo, é muito legal isso que está acontecendo entre vocês, jovens, mas não diga isso pra toda a igreja, os mais velhos não podem saber, pois eles não entenderiam essa realidade!”

O quê? Os mais velhos não podem saber das maravilhas que Deus tem feito entre os jovens, pois não vão entender? Não, não é isso! Sabe o que eles não iriam entender? Como pode a cura divina acontecer em meio à aceitação e ao não julgamento, sendo que por anos a fio, esses mesmos irmãos mais velhos se tornaram (inclusive por causa das pregações dominicais) os maiores julgadores de comportamentos exteriores que a comunidade havia fabricado! E sendo os mais idosos os que “bancavam financeiramente” a organização, ensiná-los a perceber esse “novo/velho caminho do amor”, com certeza, trariam dissidentes, discordantes e possivelmente baixaria o número de recursos arrecadados no final do mês. O conflito é evitado para que a falsa unidade proporcione a segurança e estabilidade financeira tão desejadas.

Um ecossistema eclesiástico em que os mais velhos se tornaram menos maduros, menos ensináveis, menos sábios do que os mais jovens da comunidade (ao ponto de não compreenderem as coisas básicas do amor) é sinal de profundo adoecimento psíquico e imaturidade, e porquê não, inanissão espiritual. É uma comunidade que precisa rever suas prioridades, suas dinâmicas relacionais e principalmente, a qualidade (natureza) da pregação que anunciam e experimentam como alimento no seu dia-a-dia.

A covardia de um líder (que nem por isso deixou de ser um amigo pra mim) produz imaturidade e covardia em seus liderados (todos os que levam a sério sua mensagem). O medo, a castração, o conselho de não tratar de tais temas, de tais experiências, de tais avanços na compreensão me levaram a uma profunda crise pessoal que tornou aquele ambiente completamente distante do meu movimento na vida. É como pregar libertação sem abrir a porta da jaula. É ilusão! É ter medo de lidar com as consequências da verdadeira liberdade para a qual Cristo nos libertou.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz unido a quem desejar

Onde você me encontra?
Twitter: @caminhaprendiz
Facebook: /caminhanteaprendiz
Youtube: bit.ly/caminhanteaprendiz
Instagram @caminhanteaprendiz
E-mail: rodrigoaccampos@hotmail.com
Whatsapp: 18-997358253

Ouça a Web Rádio Caminhante Aprendiz através dos links abaixo:

Contribua com a manutenção do Blog e da Web Rádio Caminhante Aprendiz e receba como gratidão, aulas em diversas áreas do conhecimento:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

%d blogueiros gostam disto: