Muitas pessoas possuem, especialmente na cultura evangélica, uma curiosidade quase que visceral acerca de qual comunidade as pessoas fazem parte. Querem logo saber se a pessoa é “crente ou não” e se é, de qual denominação fazem parte. Se a pessoa não se declara “crente”, oferecerão um curso de discipulado e em seguida o batismo, ou no mínimo o convidarão para as próximas reuniões para evangelizá-la. Caso se declare “crente” logo perguntarão “De qual igreja você é?”, “De qual ministério?”; você não pode ser apenas discípulo de Jesus que caminha amando o próximo e se reunindo com todo aquele que está na mesma jornada, você precisa ter um nome no rol de membros de alguma instituição religiosa, senão você está em baixa na avaliação espiritual feita por essas pessoas.

Quando para uma comunidade “ser discípulo de Jesus não é suficiente”, saiba que essa comunidade provavelmente já se rendeu aos ditames da religião e passou a se identificar muito mais com o espírito burocrático dos fariseus do que com a simplicidade radical do ensino de Jesus.

Essa pergunta, embora seja sincera na maior parte das vezes, carrega consigo a necessidade da rotulação e o espírito da divisão. É tradicional ou pentecostal? É arminiano ou calvinista? É pre-milenarista ou pós-milenarista? É discípulo segundo Calvino ou segundo Lutero? Faça o teste! Entre em uma comunidade evangélica que você nunca foi e tente sair de lá sem ouvir pelo menos uma vez essa pergunta. Se conseguir, você viveu a experiência da excessão!

Quando você assume para si uma “denominação” segundo o espírito religioso, você, de certa forma, dilui sua identidade na identidade institucional que você adotou. A “igreja fulana de tal” virou seu sobrenome, é como se tudo o que você fizesse a partir do “batismo” fizesse o “bem” ou o “mal” a tal denominação. Essa é uma das razões do porquê tantos líderes religiosos viverem como fiscais de comportamento dos participantes da comunidade. Fez algo de errado? Traiu o “nome” que carrega sobre si. Eu mesmo já vi muitas sentenças serem realizadas sobre pessoas com o objetivo de “não manchar a reputação da instituição a que pertencia”; abrindo um parênteses rápido, já vi também cestas básicas sendo ofertada aos “cadastrados” que só a podiam recebê-las depois de participar da reunião daquela instituição específica. Quer matar a fome? Tem que pagar pela comida com sua presença no culto! Mas voltando…

Certa vez, ao passar pela beira de uma rodovia, vi um homem idoso caminhando lentamente, debaixo de sol quente e decidi parar o carro para lhe oferecer carona. A caminho da casa daquele senhor, me peguei pensando quantas vezes já realizei obras de justiça com o objetivo final de “levar pessoas para o culto”, fazendo propaganda da denominação a que pertencia, como quem está querendo convencer o outro a comprar meu “produto”. Conversa vai, conversa vem, maravilhado com minha atitude de empatia ele perguntou: Você é evangélico? De qual igreja você é? Ao que respondi: sou um discípulo de Jesus e isso basta! Ele ensinou a gente a tratar as pessoas como irmãos e o que fiz por você é apenas uma resposta a esse ensinamento. Imediatamente o senhor me disse: é verdade né? Ser discípulo de Jesus é suficiente! Ao que concluí: verdade, o resto é resto! Ao sair do carro, ele desejou que Deus me abençoasse e seguiu seu caminho; eu, feliz da vida, fiquei ainda mais convicto de que viver “em nome do Senhor” é mais do que o suficiente para quem é habitado por um Espírito que sopra onde quer e não se sabe para onde vai…

Ser discípulo de Jesus é o bastante pra você? É suficiente para as comunidades com a quais você se reúne?

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz em nome de Jesus

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2 comentários

  1. Faz todo sentido tudo o que li, em uma conversa ontem com Deus ( Jesus) era exatamente sobre essa distinção que eu falava. Relatei sobre o fato de amar dois senhores….. E a conclusão foi que porque tem que ser assim…. Participar de um grupo não significa necessariamente dispresar o outro grupo. Abrir a mente para a compreensão de que a Religião não é o melhor caminho não precisa necessariamente deixar de se reunir com outras pessoas em um templo… E por aí foi indo meu papo com Deus
    Não é fácil transitar nesses dois ambientes ( o de ser livre e o de pertencer a um grupo que se constitui como denominação) .
    Eu por enquanto me deixo ser levada pelo Amor que aprendo de Cristo.
    Eu acredito que posso exercita-lo em qualquer ambiente ( e isso se dá para minha própria evolução).
    Não quero ser dos que são desigrejados e tbm não quero ser dos que são religiosos.l, quero ser somente eu em qualquer ambiente que eu estiver presente.
    A reunião de pessoas para mim será sempre com o propósito de aprender e se tiver oportunidade de ensinar.
    Ser livre para mim hoje se resume poder estar onde eu quiser estar…..

  2. Que texto necessário, meu irmão. Que o Espírito Santo continue lhe inspirando para compartilhar o evangelho com todas as pessoas, sem rótulos e placas, apenas pelo amor e pela graça.

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