Todos sabem que o cortão umbilical é o elo entre o bebê e sua mãe; é através dele que o feto recebe sangue rico em oxigênio e todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento e é também por meio dele que todo sangue rico em gás carbônico é retirado de seu corpo. Dessa forma, podemos dizer que o cordão umbilical representa a relação de dependência total do filho pela mãe. Na medida em que o ser humano amadurece, é natural que ele ganhe níveis de autonomia e independência em relação àqueles que estão ao seu redor. Ele passa a comer sozinho, se locomover sozinho, estudar sozinho, se higienizar sozinho, se relacionar sozinho, trabalhar sozinho e passa a ocupar seu próprio espaço dentro da sociedade sem a interferência de seus pais.

Seus pais que exerciam o papel da “formação básica” que delineou os contornos fundamentais do caráter do filho, agora participarão mais distantes, oferecendo todo o espaço necessário pra que o filho assuma as responsabilidades da própria existência. Agora, farão o papel de “conselheiros experientes”, perto o bastante pra alertá-los de certas ciladas que a vida traz, mas distantes o bastante para que os filhos conduzam a própria vida com as incumbências que lhes são devidas.

Há, contudo, pessoas que não “cortam o cordão umbilical” e vivem num estado infantilizado de dependência dos pais, mesmo quando tem totais condições de assumir própria vida e suas demandas. É bastante cômodo, confortável e conveniente ter a comida feita, a roupa lavada, o aluguel pago e os riscos de viver sendo assumidos por outras pessoas, enquanto vivemos livres, leves e soltos, desfrutando apenas do bônus e nunca arcando com o ônus do existir. Porém, o custo desse jeito de viver é altíssimo!

Quem assim vive:

1) Desejará ocupar novos espaços, mas eles serão restritos e delimitados por seus pais. “Minha casa, minhas regras”.
2) Terá que amadurecer “fora de época”, quando seus provedores morrerem e as responsabilidades forem jogadas em mãos inexperientes e não treinadas.
3) Será limitado no desenvolvimento de sua resiliência e capacidade de lidar com o sofrimento, já que tudo lhe era provido.
4) Dificilmente será protagonista de sua própria história, pois sempre estará conflitando com outros egos que desejam igualmente participar das suas decisões pessoais, cada um do meu próprio modo (e se sentem no direito de fazê-lo).

Eu não demorei muito pra compreender essa realidade! Aos 16 anos de idade, saindo da adolescência, fui assimilando os primeiros sinais de que eu precisava ocupar meu próprio espaço na vida, e isso não aconteceu sem dor e resistência. A primeira grande decisão “independente” foi relacionada à espiritualidade. Eu não cria mais como meus pais, seus símbolos religiosos não faziam mais sentido pra mim, seus ritos não diziam mais nada pra mim e, embora os respeitasse, não queria mais me envolver com aquele tipo de espiritualidade (e essa decisão era radical e inegociável).

Acho que a palavra “radical” (no sentido de “ruptura total”, “intensidade”) é a que melhor descreve essa fase da minha vida. Eu disse um grande “NÃO” aos meus pais: “não sou mais católico, não faz mais sentido pra mim!” Esse foi meu grito pela liberdade de pensar com minha própria cabeça, de caminhar com as minhas próprias pernas, foi o inicio do rompimento do “segundo” cordão umbilical (já que o primeiro foi rompido pelos médicos na cesariana). É como a tatuagem que para muitos representou o seu “chega!”, “já basta!”, “quero ser eu!”, “não quero ser obrigado a gostar do que não gosto!”, “vou assumir o protagonismo da minha própria história!”

Em 2003, aos 17 anos, fui batizado nas águas como símbolo externo dessa nova fé que me habitava. Não mais identificado com a religião católica em seus dogmas e muito mais identificado com a fé evangélica daquele período, embora essa nova fé pouco tivesse a ver com uma denominação religiosa específica, visto que foi semeada anos atrás de muitas formas diferentes, mas acabou desabrochando dentro de um determinada cultura religiosa que se apropriou dela. Cumpriu-se o ditado: um semeou e o outro colheu! “O Rodrigo se converteu aqui” achavam, mas mal sabiam que aquilo que me habitava era livre, leve e rendido incondicionalmente a Deus e não aos homens (embora estivesse cercado de pessoas muito queridas, sinceras e bem intencionadas em sua maioria).

Das primeiras negativas ao catolicismo até o dia do batismo foram muitas batalhas, muita resistência familiar representada por ameaça de abandono, tapa na cara, brigas, arremesso de objetos, histeria, descontrole, confusão. Enquanto esse cordão umbilical era cortado, outro era construído. Desse terceiro cordão falarei em outra oportunidade.

Pra finalizar, esse segundo cordão umbilical teve seu rompimento completo quando não permiti que ninguém escolhesse pra mim a pessoa com quem iria me casar, e ao ter a primeira filhinha, não permiti que determinassem o tipo de educação que ofereceria a ela. Pois, em dinâmicas familiares, a possessividade e o surto pelo controle da vida do outro causam danos irreparáveis na alma da gente. Ou a gente assume o protagonismo da vida ou nos submetemos à um tipo de escravidão que suprime quem somos, onde podemos ir e o que podemos fazer!

Essa é a escolha que está diante de nós todos os dias.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz Vencendo Suas Amarras

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