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A melhor maneira de lidarmos com as pessoas ao nosso redor provém da nossa capacidade de nos enxergar. Quem se enxerga não fará juízos precipitados! Quem se olhou no espelho do autoconhecimento a partir do evangelho já não tem pedras a atirar e não tem ninguém a apedrejar. Os juízos sempre são proferidos de quem se sente acima, em estado de proeminência, de quem se julga superior. Ai de quem se coloca nesse lugar, que pertence ao ÚNICO JUÍZ QUE JULGA COM JUSTIÇA. Pois, da mesma forma como julgamos, com os mesmos critérios que utilizamos pra medir os outros seremos medidos também. Se a tônica do nosso olhar é a vingança e o moralismo, desse venenos também haveremos nós de tomar contra nós mesmos.

O caminho estreito que leva a vida, nesse tema do juízo sobre os outros, é justamente a disposição de “calar-se” diante dos impulsos cheios de juízo que há em nós e abraçarmos a misericórdia como plataforma pra toda ação na direção do próximo. O caminho largo em que muitos passam é o caminho do ódio, da pedrada, do amaldiçoamento do outro, visto que em nossa rasa maneira de pensar “o outro merece o nosso inferno”. Digo o “nosso inferno”, pois em nenhum momento conseguimos projetar “nosso ódio” a Deus. Deus continua amor, mesmo que odiemos as pessoas. A graça de Deus continua de pé, mesmo quando nos mergulhamos nos juízos e condenações tão mesquinhos. Então, o inferno que desejamos ao outro é apenas uma representação do inferno em que estamos, da ausência de significado eterno em nosso próprio coração. Por isso, não estamos fazendo nada mais do que tentar fazer colar no outro o inferno de onde não queremos sair (em nós mesmos).

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2 comentários

  1. Numa perspectiva sartreana, o inferno são os outros. Por isso o grande número de juízes adoecidos e tomados de perversos pensamentos, lançando bocados substanciais de culpa e juízo sobre os outros. Isso alimenta a teologia moral de causa e efeito, no momento em que ela empurra o outro na direção do mal e da maldade, no caminho largo da danação eterna.
    O caminho estreito é para os que querem refletir-se, imitar o terno rabi da Galiléia, aquele que não aponta o dedo e julga e condena o próximo, mas usa de misericórdia pra com ele.
    Daí a máxima do evangelho: faça com o outro o que gostaria que o outro fizesse com você. Esta sim, é a síntese da lei e dos profetas.
    Não adianta lançar ninguém no seu inferno particular de medo e culpa, pois isso é apenas reflexo daquilo que você é , ao cogitar do juízo sobre a misericórdia…

  2. “Quem se olhou no espelho do autoconhecimento a partir do evangelho já não tem pedras a atirar e não tem ninguém a apedrejar”. Uau. Amei essa frase.

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