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A moralidade tem uma porta-bandeira, uma representante oficial, a saber, a religião! A religião é aquela que semana após semana, propaga para todo canto (e não apenas diz, como também age nessa direção) que a moral é a régua medidora de todos os homens. Assim sendo, a aparência de bondade se tornou uma moeda de troca muito valiosa. Se sou aparentemente bom, tenho espaços de honra reservados para mim nos melhores “status quo” da religião. Se porém, sou honesto admitindo minhas maldades, meu autosabotamento, minha ambiguidade cotidiana, logo sou separado ao lugar dos piores pecadores da terra.

O apóstolo Paulo, por exemplo, não tinha medo de admitir sua ambiguidade. O que queria fazer, muitas vezes não era realizado e o mal que deveria evitar, era cometido por ele, e isso não era escondido de ninguém! Ele se considerava o maior dos pecadores, não importando o que as pessoas dissessem a seu respeito. Isso (dentre outras coisas) fez com que alguns começassem a questionar se ele realmente era digno de confiança. Isso porque “esconder o próprio erro” é mais valioso do que “admitir que ele existe”. No julgamento religioso, o erro nem existe se ele não for divulgado/descoberto. Sendo ele descoberto, a reputação do grupo religioso que o indivíduo faz parte fica abalada, exigindo assim uma “punição exemplar” para coibir tais atitudes. E assim, se perpetua a hipocrisia e a falsidade; afinal de contas, Deus perdoa os homens, mas os homens não estão tão dispostos assim a perdoar. E a decisão de não perdoar é meramente uma implicação social de quem idolatra a própria reputação ao invés de amar verdadeiramente o indivíduo necessitado de ajuda!

Como fazemos as punições em nome de Deus? Qual é a base que utilizamos para realizar nossas maldades? Sobre qual plataformas construímos as argumentações para executarmos as sentenças sobre a vida das pessoas? Através da má interpretação das letras das escrituras! Os mais julgadores são os mais conhecedores das letras; os que mais adoram sentenciar as pessoas ao inferno, são aquelas que se julgam (pelas exterioridades) dignas de um lugar melhor (de proeminência), afinal de contas: ESTÁ ESCRITO!

Quando Saulo, um fariseu por excelência, zeloso e profundamente cego no entendimento, recebe a luz de Deus (no caminho para Damasco), ali acontece, não apenas a conversão de um homem (que já seria digno de uma festança maravilhosa), mas também o apontamento de que o seu ‘moralismo’ religioso (que o conduzia a literalmente matar aqueles que eram do Caminho) precisava ser vencido pela Graça. Pelo moralismo Saulo estava perdido; ao ter sido salvo, Saulo passa a repudiar a ideia de que a “salvação supostamente seria através do cumprimento da lei” (leia a carta aos Romanos e aos Gálatas).

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5 comentários

  1. Quando meu irmão e amigo Caio Fábio confessou o que havia acontecido com ele no final da década de 90, o apedrejamento dos portadores da moralidade foi intenso e sem misericórdia. Isso porque, ele mesmos , em sua conduta moralizante, em seu mergulho na teologia dos amigos de Jó, lidam com a concepção rasa da aparência, do externalismo, da casca, do físiologismo, ao esconder os eventos que, a seu ver, não acontecem. E o que não acontece não vira notícia , nem faz deles e da igreja da moralidade alvo de questionamentos e especulações.
    São invisíveis, do ponto de vista da aparência, mas são terrivelmente culpados pelo viés da morte essencial, da culpa intersticial, daquilo que lhe acusa na conflitividade dos seus mais quentes afetos.
    Inclusive a palavra serve de escudo , no que toca ao letrismo, ao legalismo, ao pé da letra, que lhes faz tanto bem, pois amparados pelo cinismo e pela hipocrisia. Jamais serão tocados e quebrantados nos “caminhos de Damasco”, visto que mantém o anestesiamento da alma e a consciência cauterizada.
    Assim, escondidos pelo cinismo e pela escritura sem vida e sem a mente de Jesus e o espírito do evangelho, seguem por aí apontando o dedo para os outros, mas tendo o dedo da consciência apontado em sua própria direção…

  2. nao podemos obedecer a escritura por ela mesma se nos nao nos revestimos do seu Espirito. nao um falso moralismo de um pseudo poder fragmentado em pura religiosidade paga por dinheiro ou fama.

  3. “Quanto mais uma pessoa se dedica à letra, menos se dedica à Palavra e mais distante fica de Deus”.

    Por muito tempo dei muita ênfase ao “está escrito” em detrimento do que o evangelho mostrava que “foi dito” por Jesus.

    Sempre em busca de um versículo que provasse meu ponto de vista… Quanta tolice. Quanto literalismo.

    Ainda bem que amadurecemos. Ainda tem muita estrada pela frente, eu sei. Mas vamos vivendo e aprendendo, um dia da cada vez.

  4. Adoro essa frase: “A Bíblia é o Livro. A Escritura é o Texto. A Palavra É!”

    E

    “A Escritura é absoluta. Sua interpretação, todavia, é relativa.”

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