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Quase sempre associamos o tema da moral à carnalidade. Em Jesus nós temos a consciência de que a carnalidade se encontra muito mais naquilo que é essencialmente maldoso do que nas manifestações externas das doenças do coração. Você não vê Jesus criando listas de comportamentos e pregando nas praças que é pela “abstinência” de tais práticas que consiste a salvação; o viciado (por exemplo), nesse sentido, embora imoral do ponto de vista da sociedade, não recebe de Jesus palavra reprovatória (embora é sabido que qualquer tipo de vício seja danoso e escravizador àquele que o possui); enquanto que a hipocrisia, a arrogância, a falsa religiosidade, a manipulação, a intenção de violência recebem severa advertência de Jesus quanto à sua nocividade.

Você já se perguntou o porquê disso? Por que Jesus é tão intenso com o farisaísmo dos religiosos e tão manso com a adúltera? Por que Jesus é tão reprovador com a maldade dos manipuladores e é tão disposto à transitar entre publicanos, leprosos, samaritanos e socialmente pecadores? Jesus sabe fazer distinção entre a intenção na direção do mal e o mal que acontece como consequências de decisões erradas do passado. Para Jesus, aquele que está lidando com erros do passado, mas que está no caminho do aprendizado e amadurecimento progressivo, embora expresse uma dimensão da carnalidade, não pode ser comparado com aqueles que escolheram viver a partir da maldade, do orgulho e da manipulação do próximo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O filho digno de repreensão na parábola não é o que saiu de casa, mas o que ficou. O que saiu, saiu pela ignorância, pela infantilidade de achar que o sexo e os prazeres tinham um significado maior do que o amor de seu pai, isso é uma dimensão da carnalidade que afetou quase que exclusivamente a si mesmo. Este, saiu e se perdeu de si mesmo e de seu próprio caminho na vida. Este recebe perdão antes mesmo de pedir perdão, recebe carinho antecipadamente, recebe a expectativa de que um dia mude a direção de sua existência. Já o filho que ficou é arrogante, é exclusivista, é cheio de auto-justificações, não celebra a recuperação de ninguém, gosta da punição, não sabe ser generoso. Quem você acha que na ótica de Jesus é o verdadeiro homem carnal?

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2 comentários

  1. Como dizem, eu “nasci e cresci na igreja”… rsrs E sempre aprendi que o “carnal” era aquele que não se disciplinava a andar em santidade, que na prática, era se abster de uma certa lista implícita de coisas erradas a se evitar, a saber: bebidas alcoólicas, cigarro, drogas (não as das farmácias hehe), sexo fora do casamento, adultério, vaidades (que tinha mais a ver com a beleza, como brincos, estilo de roupas), palavrões, e o gloriar a si mesmo (seja outro a boca que te louve).

    Acho que era isso. Ah! E também não podia dar escândalo. Isso era o pior.

    Agora, em Jesus, por meio da leitura simples do evangelho, eu aprendo que o “ser carnal” está muito mais relacionado à motivação do que o ato externo em si. Carnal, segundo o que leio no evangelho é todo aquele que é: hipócrita (finge ser uma coisa que não é), incrédulo (tem muitas crenças, porém pouca ou nenhuma fé de verdade nas Palavras de Jesus), a cegueira espiritual (que faz o religioso “coar um mosquito e engolir um camelo”), o amor ao dinheiro, praticar boas ações ou práticas devocionais (doações, jejum, oração etc) para serem vistos e elogiados p
    pelos outros, não é humilde ao ponto de servir o próximo (lavar os pés, conforme o mestre fez)…

    …e tudo o mais que não procede do amor, misericórdia, justiça e equidade.

    A verdade é que o mal não está fora, mas dentro. Do interior do “coração” humano saem os maus pensamentos, o engano, a avareza, a inveja, a soberba, o ódio, e tudo o mais que faz mal à alma de quem o pratica e do próximo.

  2. O carnal eh uma pessoa egocentrica e cheia de si e suas maldades. Jesus veio para nos livrar do pecado do egoismo e nos chamar a amar.

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