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Me permitam elaborar um pouco sobre essa expressão “as ações humanas são maiores que as aparências que elas manifestam”. Para mim não há nada mais verdadeiro, na análise sobre a vida, do que essa afirmação! Normalmente, o que se combate é a aparência, a fachada e a visibilidade do erro; enquanto que a essência, a motivação e o background da ação permanece intacta e ignorada. Daí se conclui que nossos maiores problemas não são os males reais que os nossos erros causam na nossa interioridade, mas o tipo de fama, reconhecimento público e visibilidade que eles resultam para o lado de fora. É muito mais uma questão social do que de caráter. Por isso, muitos se tornam experts em “fazer o mal escondido”. Para estes o mal não é realizar o mal, mas sim, serem pegos no flagra e mancharem sua reputação. Quando Jesus disse que o adultério acontece antes de tudo no “olhar cobiçoso”, no “coração”, ele estava nos ensinando a voltar os olhos pra aquilo que realmente importa: a interioridade (antes de qualquer objetividade).

Deus sempre olha para além das aparências. Jesus não se confiava aos homens porque conhecia os seus corações, sabia da malignidade de seus pensamentos. Nós humanos, não tendo como perscrutar o interior dos outros, nos viciamos em analisar comportamentos e exterioridades. Por vezes, caímos na mediocridade de acreditar que o que “vemos” (e o que há pra se ver) é a única realidade existente. Daí criamos o maior ponto cego em nós mesmos: enxergamos o bêbado e não enxergamos a tendência humana de fugir (seja pelo álcool, seja pelo Netflix, e qualquer outra porta de saída); enxergamos o sexo adúltero e não enxergamos nossa tendência de buscar aventuras que dão em nada (caminhos que parecem direitos, mas que no fim são caminhos de morte); enxergamos o cigarro e não enxergamos os prazeres que cultivamos cheios de efeitos colaterais contra a vida; enxergamos o diabo na cultura do mundo e não enxergamos o diabo presente na cultura de nossas próprias construções pessoais; enxergamos a avareza dos “não-crentes” e ignoramos a avareza dos nossos “líderes favoritos” (além da nossa própria).

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7 comentários

  1. O que dá um alívio no coração é conhecer a Graça de Deus quando comecei a frequentar as igrejas evangélicas o que eu ouvia era que não pode escandalizar. Podia fazer o que quiser desde que escondido.

  2. Nunca gostei das “cascas”, nem da “casaca dourada das horas, nem do pericarpo existencial, da epiderme do existir. Minha percepção sempre foi na via dos interstícios, da profundidade de alma, do desejo de mergulhar nas regiões abissais do ser e trazer de lá todas as riquezas e tesouros ocultos. Isso me rendeu muitas críticas, juízos nocivos, perseguições e demissão injusta. Todavia, embora a reputação seja penalizada pelo dedo apontado, em razão dos portadores e detentores da moralidade , a dignidade e a consciência aprofundada no evangelho sempre apontaram e deram o norte que estava desfraldado no chão da vida.
    Ora, muito mais fácil uma análise do gelo fino, da superficialidade , do sagrado criado pelos fabricantes de religião e de deuses, construções mentais elaboradas por gente que não tem coragem de confrontar os intestinos da vida , optando por apontar o dedo na direção dos outros, como forma de compensação de seus equívocos feitos na calado da noite e na escuridão dogmática que encobre as motivações carnais e a alma descarada do ser.
    Parecer sempre vai estar no topo do existir das externalidades, do físiologismo e do verniz existencial que carregam. O ser ocupa uma dimensão desconhecida e ignorada , que , deve continuar sendo evitada.
    Chafurdar nas exterioridades é tarefa das mais nobres para a porca que volta a revolver-se no lamaçal…

  3. As aparências e julgamentos do próximo ante nossas atitudes, são sempre elas que norteiam a vida da maioria de nós, sendo que a verdade e intenções do coração, que é onde Deus nos vê, e a fé é aplicada, deveria sempre ser nossa motivação de vida, sabedores que quem nos vê não está olhando para as nossas ‘máscaras’ que colocamos ante a sociedade, mas olhando nosso coração, que mesmo sendo enganoso, Ele nos ajuda a caminhar nas adversidades que enfrentamos na vida, se descansarmos pela fé, na providência divina.

  4. A lei moral em qualquer ambiente serve apenas para educar o homem a fazer o que é correto porque é assim que está escrito. Diferente seria se o homem buscasse ser fiel a sua própria conciencia, buscar ser fiel até mesmo com seus maus desejos, reconhece-los como perigoso e com sinceridade pedir ajuda a Deus para aprender controla-los.
    Quando o homem conseguir ser sincero consigo mesmo, conseguirá ser sincero com Deus e sem barganhas.

  5. Definitivamente Deus não vê como vê o homem.

    E olhando pra isso, nem mesmo os heróis da fé estariam acima do julgamento moral que dita praticamente todas as culturas.

    Como Caio exemplificou, se todos eles tivessem a oportunidade de se encontrarem pessoalmente AQUI na terra (Enoque, Noé, Abraão, Moisés, Davi, Daniel, os profetas etc), com a consciência de cada época, mantendo a grande diferença de tempo entre eles, nem eles próprios se compreenderiam, e provavelmente não estariam livres de julgar o outro de forma moral.

    Que Deus nos ajude a viver o evangelho da Palavra (que é Cristo, que se manifesta como Graça e Amor) e não vivermos baseados no evangelho da Moral, que parece ser o evangelho praticado por grande parte da “igreja” hoje.

  6. apenas a fe nos tira de uma moral que nos desmiraliza e nos demoniza em nossa essencial. Buscamos ser santos num mundo caido e desaraigado e vil. mas desta moral de satidade que arrota preceitos e dogmas apenas nos afasta do Amor de Cristo Jesus. nos deixando pertos de uma relacao farizaica e amorfica. que o verdeiro amor nos purifuca da moral e da ganacia.

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