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Nas teologias humanas, o homem precisa sacrificar-se para agradar a Deus e atingir a tão sonhada salvação e provisão na vida; na “lógica” do divino Deus provê o sacrifício, e em última análise, Ele se esvazia e se torna o próprio sacrifício pra que se cumpra toda a justiça, conforme Jesus disse a João no dia de sua “morte” nas águas do rio Jordão. Deus se oferece como reconciliação do homem consigo mesmo. Qualquer viagem que seja feita do homem pra com Deus é tola, vazia, cheia de auto-justificação, auto-salvação, auto-glória. Por isso, o re-ligare (termo de onde vem a “religião”) é uma falsa pretenção de que nossos caminhos chegam até Deus, nossos ritos, afirmações, perscrutações, entitulações, oferendas supostamente seriam agradáveis a Deus por causa do nosso esforço. Ledo engano! Ou cremos no sacrifício Dele pra Ele mesmo, em nosso favor, e vivemos em fé confiante no que Ele mesmo fez, ou nossas tentativas não passarão de “trapo de imundície”. Esse é o lugar máximo que as nossas obras (por elas mesmas) são capazes de chegar.

Pensemos um pouco mais nessa afirmação de que a “fé carrega a ética do amor”. Fé não é crença, não se trata de uma construção de pensamentos ordenados e lógicos sobre a qual afirmamos ser o que acreditamos. Nesse sentido até os demônios tem fé, visto que não ignoram a realidade de Deus (aliás, vivem contra isso). Fé é a confiança última, cabal, integral, plena de que no amor o mundo se reencontra com Deus, afinal de contas, Deus é amor. Esse amor deve ser direcionado a Deus (com todas as implicações não morais que isso demande) amando o próximo, que é segundo a imagem e semelhança de Deus.

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4 comentários

  1. Ora, tudo provém de Deus , que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, o cordeiro imolado antes que mundo houvesse. Sua morte vicária, substitutiva, de vida pela vida, tem que nos remeter à fé , com a qual a aceitamos e ao amor, resposta maior e mais significativa que podemos dar ao propiciatório da perspectiva sacrificial, ao esvaziamento de Deus, na condição de humano, levado até às últimas consequências.
    Por essa via, não há nenhuma auto-redenção, nenhum ato meritório, que re-ligue o homem com Deus, na tentativa desesperada de alcançar o favor divino. Ou dispensamos as construções totêmicas da doutrinação e da fenomenologia do sagrado, ou viveremos à míngua, com um enorme buraco na alma, à espera do reconciliador que o preencha.
    Não são símbolos ou adereços religiosos, ou construções mentais que vão satisfazer a alma humana em sua busca por significado…

  2. Temos que nos libertar das nossas fraquezas de alma. A moral de e Abraão enfraquece a fé por isso se ele não a deixa se nunca partiria em fé para a vontade de Deus em amor pois Ele sabe de todas as coisas.

  3. Deus é a verdadeira moral!
    Vejo que a fé, é o amor em DEUS!
    O AMOR a Deus, é a obediência, sem questionar.
    Moral terrena, é a fé no homem, e amor nas relações organizacionais e culturais.

  4. Acredito que tenha compreendido o que Caio diferenciou entre o sacrifício de Abraão e o de Jefté e os demais sacrifícios humanos, que culturalmente se faziam.

    A principal diferença está na motivação para o ato-loucura-absurda: um agiu por fé, contra o desejo e a vontade própria, e os demais como Barganhas e justiça própria, como pagamento meritório a Deus (ou deuses).

    Mas a questão da fé ser contra a moral ainda ficou muito subjetiva pra mim. Senti falta de exemplos fora de Abraão (algo nosso, do dia-a-dia), para compreender melhor o que seria um ato-absurdo agindo pela fé que contraria a moral e, ao mesmo tempo, não uma loucura de fé transloucada, como conversamos no grupo do WhatsApp.

    Mas sigamos na leitura do livro. Com o tempo irei compreendendo mais.

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