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A alcunha de “pai da fé” aconteceu diante de um contexto onde a moral foi frequentemente ignorada. É a fé no Deus que o chama ao absurdo. A fé que faz sair de casa e ir pra um destino não avistado, não delineado, e portanto, não revelado. É o pai da fé que manda a concumbina e o filho legítimo irem embora, viver de forma errante, a partir de uma voz que disse: “faça isso, mas não se engane, dele (Ismael) farei também uma grande nação”. A fé faz a gente pisar no chão que supera a maioria das opiniões.

A fé também percorre caminhos de aparente loucura! Parece loucura pensar num Deus de amor que pede a um pai sacrificar o único filho. Parece loucura Deus se tornar homem, diminuindo-se (ou no termo bíblico “esvaziando-se”) pra redimir a humanidade de sua maldade. Parece loucura se relacionar com um Deus que não dá a mínima pra média ponderada, pra moralidade das pessoas e que não dá satisfações a ninguém e tem misericórdia de quem quer ter misericórdia, pronto e acabou. Parece loucura transformar a vida de um homem como Saulo que vivia contra o “movimento de Deus” na história, fazendo-o fazer parte e morrer em favor do mesmo “movimento de Deus”. É a “aparente loucura” de Deus requisitando a obediência proveniente da “fé humana”.

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3 comentários

  1. Sempre busquei o inédito, o inaudito, o ainda não, aquilo que me surpreendesse, me causasse espanto. Sem buscar algo ou alguém específico, um dia encontrei a pérola de grande valor, a eloquência do silêncio, os rastros invisíveis, ou não, do Infinito Pessoal.
    Ora, a partir de uma compreensão Kyerkegaardiana do existir, não me apetecia um Deus igual aos outros, sem nenhuma expressão que me encantasse, um Deus tomado pela normalidade religiosa, pelo cotidiano sem aventura, pelo viés sistemático sem graça e completamente ordinário.
    A loucura de Deus me fascinou e fascina, pelo fato de quebrar padrões, paradigmas , e de remar contra os pacotes das normalidades estabelecidas, contra os embrulhos doutrinários e sem desafios promotores da galhardia, da fé, da espiritualidade que desemboca em qualquer coisa que subleve, que revolucione , que faça crescer
    É como se fosse uma visão paulofreireana do existir, pelo mesmo fato de uma didática que funcione na prática, que dê dinamicidade e transformação no cotidiano.
    A loucura de Deus não marca hora ou dia de encontro, mas surge de repente, no caminho de Damasco ou no existir Abraâmico, tomado de uma angústia , de temor, tremor, e, sobretudo fé.
    Por essas e outras é que sigo o Deus anormal, um Deus que me choca comigo mesmo e me faz um ser humano surpreendentemente melhor…

  2. Abraão O pai da Fé o som da moralidade ou melhor dizendo não usou de certa forma da moralidade mesmo no padrão moral. Ele usou da fé e detrimento da moralidade. Que nós temos que ter fé mas se a gente fica pautado na moralidade O que é moral as coisas não vão fluir. Às vezes na vida a gente tem que deixar a moralidade de lado e a gente fé. Não que a gente vai fugir das coisas que é certa da ética porque a ética é diferente da moral uma coisa se a ética tiver moral é uma coisa se só estiver moral aí a gente pode ter um problema e aí a fé pode ser impedida de ser exercida.

  3. “Abraão não era louco, era apenas capaz de loucura!”

    É assustador agir por fé, somente por fé, contrariando as circunstâncias e a opinião da maioria (moral).

    Por outro lado, já vi muita gente fazer loucuras em nome de Deus e em nome da fé, mas agindo de forma totalmente irracional e louca, diferente da loucura de Abraão.

    Aí vem a pergunta de um milhão de dólares: Como encontrar o equilíbrio entre a fé louca de Abraão e a fé louca dos neopentecostais, por exemplo, que determinam curas, querem ressuscitar mortos, agem por impulso nas decisões, sempre acreditando que estão agindo por fé?

    Ainda não encontrei a resposta, a não ser nos casos gritantes onde claramente existe um Barganha, como no caso de Jefté.

    Espero seguir na compreensão com as próximas páginas do livro.

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