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Faz alguns anos que venho repetindo a mesma coisa (e o faço mais uma vez): que é mais fácil viver baseado em regras específicas (próprias das convenções morais) do que na liberdade para a qual Cristo nos libertou. É mais fácil dar 10% do salário e se sentir “generoso” do que aprender a ser doador no dia a dia, escolhendo caso a caso com quais necessidades nos envolveremos (e assim, doando muito mais do que 10%, aliás nem fazendo cálculos dessa natureza). É mais fácil frequentar 2 ou 3 reuniões semanais e sentir que estamos “em dia” no compromisso com Deus, do que aprendermos a reconhecer comunidade no dia a dia, indo na direção de alguém ou permitindo que alguém se aproxime de nós em amor. É mais fácil exercer ministério em ambientes comunitários, onde tudo está preparado para tal serviço, do que o fazer em ambientes da vida onde a receptividade nem sempre é a mais calorosa, e em última análise passamos a servir aqueles que nos querem fazer o mal.

Eu poderia dar uma lista muito extensa exemplificando o quanto nossas regras morais dão uma sensação de “dever cumprido” para com Deus (geralmente a partir de uma área bem específica da vida), quando na verdade somos chamados a adorar a Deus no espírito, a cultuá-lo na vida, a amar os inimigos, a sermos generosos como Deus faz, com justos e injustos, e a reconhecê-Lo nas mais diversas dimensões da existência.

Não podemos nos enganar: o caminho que conduz à Vida é estreito! Isso significa que a tentativa de “diminuir os riscos”, crer “mais ou menos”, assumir pacotes ideológicos e morais como forma de pegar um atalho é entrar num beco sem saída. Quem quiser seguir a Jesus precisa negar-se a si mesmo, tomar a cruz diariamente e não tem como contratar alguém que faça o “frete da cruz” por nós. Permitir que alguém pense o evangelho por nós (um líder ou alguém que se coloque nessa posição) é mais confortável, mas não opera o bem que o evangelho quer fazer em nós! Não existe “ifood” na verdadeira espiritualidade.

A liberdade de Cristo se opõe às moralidades, regras impostas pela maioria que são, segundo Paulo, chamados de rudimentos deste mundo.

E aí? O que achou da leitura dessas páginas desse livro? Deixe seu comentário com suas percepções logo abaixo!

5 comentários

  1. Embora Jesus fosse constantemente cercado pela multidão, ele lidava, não raramente com o indivíduo. E daí ninguém pode fugir, sob o pretexto do esforço e da dificuldade. Os “motoboys” do Reino, os anjos, não podem fazer o que eu e você tem que fazer, ninguém pode mediar, se interpor entre você e Deus, pois a tarefa é exclusiva, pessoal.
    Ora, desde esse ponto de vista, o indivíduo precisa seguir livre na direção do início mediador, pois, se assim não for , percorrerá caminhos nada aconselháveis e se deixará abraçar por diversos ventos doutrinários, que não aquele que sopra onde quer e promove o inédito na vida e a vida no inédito.
    Levado pela graça de viver e de ser livre no amor e no espírito do evangelho, o mesmo indivíduo faz e é, e mergulha no peito daquele que É. Assim, Balaão e Nicolau, hipertrofiadores da Graça , jamais serão refletidos na alma , no coração dos que encontraram o Caminho…

  2. O “pacotão” doutrinário e comportamental nunca vai substituir a participação da Graça no processo e do processo na graça. Jamais. Não há atalhos ou becos que tomem o lugar do caminho estreito proporcionado por Jesus.
    O que disso passar é aparência de sabedoria, rigor ascético e falsa humildade….
    Cuidado com os “cavalos de Tróia” imponentes e cheios de brilho e fascínio aparente. Eles escondem e são portadores da morte…

  3. A moralidade presente não é nada. Tudo se faz por Cristo Jesus. Só em Deus podemos vencer a falsidade e a moralidade que nos habita. Então que nos venhamos a depender do Senhor.

  4. A liberdade que Cristo morreu para nos dar é assustadora… Experimentar andar pela nova consciência gerada pela Palavra de Deus, e não por um conjunto de regras, doutrinas, preceitos e tradições de um determinado grupo, realmente é cansativo e assustador pra muitos de nós.

    É muito mais fácil ter uma lista do que pode e do que não pode… rsrs Temos preguiça de pensar e refletir. Parece mais fácil ter alguém que pense por nós…

    …mas Cristo morreu por nós para nos livrar de toda e qualquer lista… O resumo de todas as “listas”, que realmente tenham alguma coisa a ver com o evangelho de Jesus, o resumo delas é o amor, a Deus e ao próximo. O amor é o vínculo da perfeição.

    Se isso que quero fazer é algo que produz o bem do próximo, se é fruto de amor do tipo de Deus, sem interesses ou segundas intenções, logo, isso é bom para fazer.

    Do contrário, não preciso de uma lista de regras para me dizer o que não fazer. Pois se meu coração é mal e não guiado pelo amor daquele que me amou primeiro, não importam as regras. Vou fazer o mal assim mesmo…

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