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Ao ler o livro de Eclesiastes a gente se depara com a vida como ela é: contraditória, cheia de sementes não vingadas e ervas daninhas não plantadas. Tomemos como exemplo a nossa lida com as riquezas: por mais que tenhamos diligência de poupar e nos cuidar financeiramente, não podemos jamais afirmar categoricamente que elas serão suficientes pra todas as nossas necessidades.

Isso poderia ser aplicado a muitas outras instâncias da vida. Daí a nossa afirmação de que a felicidade não é encontrada com uma receita ou manual de instruções. Tem que se viver, intuindo, raciocinando, testando, tentando e encontrando seu próprio caminho com honestidade e fé.

Dessa forma, aprendemos que a primeira certeza fundamental que podemos ter na vida é a que afirma a inquestionabilidade dos buracos do caminho. Se tem uma coisa com a qual nos depararemos na vida são as injustiças, incongruências, espinhos e abrolhos. Quando nosso coração assimila isso, muitos pensamentos fantasiosos e muitas tentativas translocadas de explicação do caos humano na perspectiva da causa e efeito são imediatamente relativizadas. É no chão da indisponibilidade de certezas que o homem faz o seu caminho diante de Deus e que Deus chama o homem à verdadeira fé. É como o chamado de Deus a Abrão: sai da tua terra… vá para um lugar onde mostrarei. Qual a certeza de Abrão? Em relação ao que ele iria enfrentar, nenhuma! A única coisa que lhe restou foi a fé de que haveria orientação, direção, um lugar a chegar e alguém que o guiaria a toda verdade. E ele foi…

E aí? O que achou da leitura dessas páginas desse livro? Deixe seu comentário com suas percepções logo abaixo!

3 comentários

  1. Legal ler um pouco mais da visão do Caio sobre o Eclesiastes.

    “Para Salomão, melhor do que ter um cobiçoso projeto na vida era ter uma sábia visão da vida”

    “…num mundo caído como o nosso, é das nossas maiores dores que nasce o melhor de nós”.

    “…já que a vida é assim, o que se deve buscar é o melhor dela em cada circunstância, evitando os exageros, pois, nos exageros, reside o mal”.

    “já que a vida não é justa, procure o equilíbrio”.

  2. Faz muito tempo que eu aprendi a andar sobre os espinhos. Uma vez questionei Deus. Estava sozinho em casa, separado, doente , quando abri o peito e o verbo com Deus. Disse a ele que , segundo as justificativas de Jó, eu havia feito muito e continuava fazendo, e, porque razão cairá naquela situação ineditamente desventurada?
    Ora, àquela altura , eu já havia devorado de pré socráticos a existencialistas , mas não bastava. Comi com voracidade tudo que me chegou às mãos, na tentativa do desvencilhamento existencial de Jó e seus amigos. Mas, quando fiz a releitura dos evangelhos e de Eclesiastes, percebi que o chão da vida não dispunha de tapetes vermelhos ou azuis de seda, mas de pedras , cardos e abrolhos, pois o sol nasce sobre maus e bons, e a chuva cai no lombo de justos e injustos também.
    Daí a desconstrução da tal teologia moral de causa e efeito, um monstro que nos habita desde pequenos, quando nossos “amigos de Jó” chegaram com suas ” verdades absolutas”.
    Assim, tudo pode ser repensado, relido, ressignificado. Tudo pode ser vivido pela fé, pois o justo vive por ela. Seja no clarão das obviedades, seja na escuridão daquilo que se nos afigura como absurdo.
    Feche os olhos para ver…

  3. A única coisa que nos resta de palpável é a fé. A fé que nos alimenta com coragem e esperança em Deus e em seu amor redentor criativo e que nos chama ao caminho da verdade.

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