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Eu sempre achei estranho a maneira como cada grupo religioso auto entitulado de cristão faz uso das escrituras de forma seletiva e conveniente. O mesmo grupo que arroga para si o título de pentecostal, por acreditar que o que aconteceu em Petencostes é uma experiência a ser replicada para sempre, é aquele que se utiliza de todos os versículos cuja ênfase e narrativa está nos dons espirituais, mas rejeita a organização de sua manifestação na ocasião da reunião pública. Você nunca ouvirá uma pregação em cima de 1 Coríntios 14 nesses ambientes. É como se esse texto não existisse. Da mesma forma, grupos cristãos chamados tradicionais deixam passar desapercebido um número incontável de realidades transcendentes e milagrosas que aconteceram não somente durante a vida de Jesus, mas também depois dele com os apóstolos e ainda hoje na vida cotidiana de todo aquele que crê e enxerga. A vida fica refém de uma visão estreitada.

O que quero destacar é que cada grupo religioso escolhe uma bíblia particular que lhe seja conveniente, absolutizando trechos bíblicos em detrimento da exclusão (não só da relativização) consciente de outros trechos. Por isso, a visão é sempre parcial, cheia de retalhos, sistematizada de acordo com as peças que se escolhe utilizar no processo. No final das contas, quem tem tornou a organização e a sistematização um dogma, jamais tolerará o improviso, o imprevisto, aquilo que lhe sai do previamente estabelecido (inclusive teologicamente falando e não apenas no cotidiano das reuniões); já quem em nome de uma suposta liberdade do Espírito dogmatizou a bagunça, o imponderável, a interpretação de cada um segundo sua própria vontade jamais aceitará o que é organizado, pensado e coerente logicamente falando.

E quando o evangelho se transforma em um “método correto de organizar adequadamente as informações da bíblia”, cada grupo advoga para si a possessão da verdade, criando pacotes e sistemas fechados, fazendo com que aquele que é “doutrinariamente” diferente se transforme em um competidor/inimigo, apesar de na teoria os chamarmos de “irmãos”. Um “olhar parcial” considera o outro “olhar parcial” como inimigo; não há visão integral/holística da realidade, não há convergência, tão somente a colcha de retalhos que nos define. O que passar disso é heresia condenável ao inferno.

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6 comentários

  1. Sempre estranhei esse evangelho “fatiado” , despedaçado, esse mosaico de crenças e pacotes morais, essa colcha de retalhos denominacional.
    Convertido em 27 de fevereiro de 1983, no retiro da Igreja Presbiteriana chamado Maranata, passei a me ver e a me perceber como um apaixonado por Jesus, uma criatura nova, em busca de entender o que comigo acontecera, mudanças, percepções, visões de mundo, enfim, qualquer coisa que, a partir dali ocorresse.
    Sim, nos primeiros dias tudo parece te encaminhar para o amor de Paulo, recém convertido, disposto a amar até às últimas consequências. Depois de algum tempo, passada a euforia do chamado primeiro amor ,
    Vamos buscando nosso lugar no banco, nos átrios, na frequência aos cultos, nos ministérios imprescindíveis, na doutrina imposta pelo sistema religioso.
    Mas, influenciados por literaturas, mensagens gravadas, pulamos a janela denominacional e partimos para uma visão holística, plena , integral, cansados que estamos daquela rotina sistematizada , sem graça , sem aventura.
    Há sempre aqueles que nos “aconselham” a viver conforme a “sã doutrina” , empurrando-nos para leituras que segregam, que separa, que vêem o próximo de outro grupo como inimigo, ou, no mínimo, como pessoa estranha e perigosa a ser evitada.
    A partir das novas leituras do mundo, de uma releitura do evangelho, o amor primeiro nos acorda do sono letárgico, nos arranca do grande guarda chuva denominacional, e nos empurra para umas espécie de desobediência eclesiástica, que traz satisfação com Deus, paz que excede todo entendimento, desde uma visão maior, mais ampla do evangelho e da vida.
    No meu caso nasci (novo nascimento) presbiteriano, congreguei com assembleianos (4 anos) , no interior, mas nunca me deixei moldar, bitolar, apequenar pelo Deus empacotado e sem graça que me foi apresentado no processo.
    Creio que o que me salvou das esquisitices, legalismos e pentecostalizações do existir eclesiástico, foi a filosofia e o livre pensar que sempre exercitei. A história me fez enxergar, através dos historiadores, dos livres pensadores como Robinson Cavalcanti, René Padilla, Steuernagel, Ricardo Gondim, Caio Fábio e as constantes participações em encontros teológicos e existenciais, como o Geração 90, em Brasília.
    O evangelho fatiado nunca me agradou, me seduziu, pelo contrário, sempre me levou a conhecer a história da igreja, as re-leituras do mundo, da vida, do evangelho e da história…
    Além de tudo isso, a evangelização posta em prática, o serviço e a transformação histórica sempre me fizeram enxergar a vida de Deus e o Deus da vida, enquanto me doava àqueles a quem pregava e praticava o evangelho…
    Não há pedaços de Deus quando a vida se mostra inteira…

  2. O moralismo trabalha contra a apropriação da verdadeira liberdade, porque está baseado no virtuosismo presunçoso daqueles que se autodenominam a norma e o padrão de comportamento na sociedade. Isso também penetrou na “igreja cristã”, gerando pessoas que perderam sua singularidade diante de Deus =(
    Conheço tanta gente que possui apenas uma relação de medo e culpa com Deus… Aperta meu coração.

  3. Parece que o “cristianismo’ como instituição ganhou força através dos tempos, através desta barganha da Teologia Moral de Causa e Efeito, o que para a maioria de nós, sutilmente nos fazia acreditar que é assim que devemos viver a vida cristã, conforme a lei moral que nos escravizava nos fazendo submissos àqueles que ‘conseguem’ o saber das Escrituras, em seminários e pós graduações, e assim obtêm títulos e vaidades para sutilmente dominar os incautos.

  4. Para mim no começo foi difícil frequentar uma igreja evangélica onde um irmão achava que tinha autoridade para condenar o outro ao inferno só quando conheci o Caio que era chamado de herege entendi tudo.li novamente todo novo testamento com o coração cheio de alegria

  5. Hoje costumo dizer que a verdade inquestionável é de que ninguém vai ao Pai a não ser por Jesus (mesmo que não conheça Seu nome). Todo o restante é questionável e passível de mudança de opiniões. Já mudei de opinião em várias questões em todos os anos de “igreja”… rsrs

    A verdade é que Deus não cabe dentro de nenhuma Teo-logia. Ele é.

  6. Às vezes creio em Deus com a força e o viés do cristianismo não somente é apenas a ponta do iceberg. Digo isso porque apenas adulteração pode ser algo que nem sempre é válido se você não olhar nas categorias do outro e em Deus e em seu amor.

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