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O exemplo do ladrão da cruz é a evidência explícita de que a moral humana não reflete o julgamento de Deus, que vai para além das exterioridades dos comportamentos. Como está escrito: Deus não vê como o homem vê. O homem vê a aparência, o que seus olhos podem ver, mas Deus sonda os corações!

De certa forma, a moral presume que a Lei determinada pela maioria se tornou, pela sua prevalência, a Lei eterna de Deus. Talvez uma das passagens mais mal compreendidas é aquela que diz “o que ligarem na terra terá sido ligado no céu”. É dessa forma que divinizamos nossas perversidades, condenamos o próximo aqui na terra como representação da suposta condenação dele no céu, e assim praticamos a maldade em nome de Deus e realizamos julgamentos condenatórios em nome do Eterno. É exatamente assim que assumimos para nós o papel de representantes oficiais da vontade de Deus na terra, afinal de contas nos dizemos “filhos do Rei”, “guardados e protegidos pelo Pai”, e assim “mal algum chegará em nossa tenda” e “quem nos amaldiçoar receberá sobre si as mesmas maldições que direcionaram a nós”. É pela moral que o surto pelo “poder divino” aumenta.

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3 comentários

  1. Acredito que compreendi a parte de que a Lei humana, os acordos humanos, e os princípios da moral dos homens não determinam a vontade de Deus em relação à salvação ou condenação de alguma pessoa. Essas leis e acordos humanos até podem servir nos relacionamentos horizontais, mas entendo que diante de Deus o julgamento é segundo a graça e a Lei do amor.

    Até aqui, Ok.

    Mas ainda não compreendi a questão de não existir causa e efeito. Caio fala tanto sobre isso no decorrer do livro que me faz achar até que não exista nenhum tipo de causa e efeito na vida como um todo.

    Causa e Efeito existe na vida, correto? Se eu pular de um prédio eu morro. Se eu trair minha esposa provavelmente ela vai terminar comigo. Etc etc etc.

    Mas minha dúvida está agora no tocante ao ladrão na cruz. Digo, os ladrões. Ali também não houve causa e efeito? Não segundo a Lei ou à moral, mas segundo à atitude de cada um dos ladrões em relação à Jesus?

    Um ladrão criticou Jesus, dizendo “Se tu és o Cristo, se salve e nos salve”. Mas o outro temeu a Deus, repreendeu o outro ladrão, e disse a Jesus que o reconhecia como um Rei.

    E somente a este último foi dito: “hoje estarás comigo no Paraíso”.

    Agora entendo que não posso concluir que o outro ladrão não tenha ido para o Paraíso, pelos mesmos motivos de causa e efeito ditos anteriormente. Somente Deus sabe os corações.

    Mas olhando apenas para o fato de somente um dos ladrões ter ouvido que estaria no paraíso, não nos dar entender que é preciso uma “causa” em relação aos homens diante de Deus, ou uma resposta (no caso a fé), para então recebermos o efeito, que seria a salvação ou o paraíso?

    Gostaria de deixar esses questionamentos para nossa conversa online sobre o livro.

    Temo estar saindo de uma teologia moral (que vivi dezenas de anos, sendo 29 na Assembleia de Deus e 7 na Bola de Neve), e estar entrando agora por um caminho de algo parecido com o Universalismo, que diz que no final todos serão salvos, independente do que fizerem na terra; também existindo aqui o conceito de que diante de Deus não terá causa e efeito. Somente graça.

    Confesso que tenho dificuldades de compreender as coisas algumas vezes. Peço perdão e paciência comigo, pois às vezes problematizo as coisas demais. Paz!

  2. Há Graça também em partes do velho Testamento. O que Paulo enfatiza é que tudo que foi escrito para o nosso ensino foi escrito. Também a lei nosnfoi dada como aio para nos conduzir a Cristo, para mostrar a incapacidade de cumpri-la integralmente.
    A causa pressupõe o efeito, mas a graça nos dá o poder de decidir sobre qualquer coisa, até mesmo de abraçar a Jesus, como o ladrão na cruz.
    Historicamente, todo efeito tem causa, não há como negar. No entanto, na dimensão da Graça, causane efeito são apenas rudimentos do mundo, visto que ninguém é justificado por obras, mas pela fé de abraçar a graça e por ela ser salvo.
    É uma questão dimensional, mas como fomos instruídos , até mesmo na escola, a não pensar, a viver pela via da “moral e cívica”, então temos uma fita métrica existencial que tornantudo mais difícil, quando a dimensão da Graça nós mergulha no universo da mente de Deus, que , segundo Isaías , é muito mais elevada que a nossa.
    Mais fácil é ser pensado pelos outros. Pelo fato de ousar pensar é que Paulo era perseguido , bem como todos aqueles que mergulham dimensionalmente na graça, que parece complexa e inexplicável.
    Como diz Rubem Amorese, fomos ensinados a pensar de acordo com Deuteronômio 29:29: as coisas encobertas pertencem a Deus, mas as reveladas a nós e a nossos filhos.
    Vamos continuar pensando, pois nosso culto é racional…

  3. Nem sempre o moral faz parte do Divino do evangelho se houver um texto espiritual de referência a Deus e o outro. Vivemos tempos se você tem uma resistência uma moral presta parecida mas se você não tem amor e espiritualidade em Deus no outro essa sua moral se desfaz pelos dedos.

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