A futilidade é a ‘mesa’ – quase sempre cheia, mas sem vida – daquele que é incapaz de amar. Ao fútil, falta-lhe a profundidade e o interesse das coisas grandes: tudo é frívolo!
Sempre me lembro do livro “Diálogo dos mortos” do satirista Luciano, de Samósata, ao pensar na futilidade. Entre ironias, sátiras e risos, os mortos são despidos de suas vestes fúteis de conquistas e vitórias em vida e, em isonomia, se tornam como todos os mortos vagantes pelo Hades.
A insignificância de alguém fútil logo se vê; são como “sepulcros caiados”: ornamentados por fora, mas tem um morto dentro.

De acordo com Harari, em “Homo Deus”, a espécie humana em seu processo evolutivo foi a única espécie que se mostrou cooperativa de forma flexível. Esse “cooperar com flexibilidade” seria a chave do sucesso de nossa espécie Sapiens – o que também nos trouxe ao século XXI, nos mantendo por longo período histórico como os únicos dominantes do planeta. Essa cooperação flexível diz respeito a capacidade de nos relacionarmos com um grande número de indivíduos da mesma espécie sem uma ligação familiar. E, juntamente diz respeito, nessa relação, a capacidade de reinventar nosso sistema social do dia para a noite – capacidade que abelhas (cooperadoras sofisticadas); elefantes e chimpanzés (mamíferos sociais) não possuem.

“Esse sistema [heterossexismo] e a homofobia – compreendida como a consequência psicológica de uma representação social que, pelo fato de outorgar o monopólio da normalidade à heterossexualidade, fomenta o desdém em relação àquelas e àqueles que se afastam do modelo de referência – constituem as duas faces da mesma intolerância e, por conseguinte, merecem ser denunciados com o mesmo vigor utilizado contra o racismo ou o antisemitismo”. Daniel Borrillo, in: Homofobia, pg. 23.

Sempre acreditei que os temas da vida – que gostamos de torná-los grandes – (“p.ex.” o amor, a felicidade, a sabedoria, etc.), são ascendentes como na dialética platônica.
Me explico: para todos os temas da vida há degraus a serem percorridos e, talvez, não tenha um degrau final. Portanto, toda essa dialética tem como princípio o corpo que experimenta; a finalidade é, assim, o próprio movimento do corpo nesse experimentar.

Quando refletimos que a humanidade é voraz, isto é, sempre ultrapassa o desejo das necessidades, descobrimos também a importância de uma ética que deveria ser o carro chefe frente a prerrogativa do individualismo e do utilitarismo – conceitos éticos modernos que flertam juntamente com a manipulação de “uma política” e das relações sociais como uma questão apenas técnica.

Alan Turing, o brilhante matemático inglês, foi condenado por ser homossexual, numa época em que isso era proibido. Yuval Noah Harari, na página 127 de “Homo Deus”, descreve acerca do teste de Turing – um teste que determina se um computador consegue se passar por ser humano com mente. Nesse teste há uma interação entre uma pessoa que conversará com outra pessoa e uma maquina, tentando definir quem é quem. Harari afirma que esse teste é uma “replicação do teste mundano ao qual todo homossexual tinha de se submeter na Grã-Bretanha em 1950: você consegue se fazer passar por um heterossexual?”. Indo além, Harari diz que Turing dizia que os computadores seriam como os homossexuais: “não importa se os computadores efetivamente terão consciência, ou não. A única coisa que importa é o que as pessoas pensarão sobre isso”.
Sabemos que todo esse cenário que Turing enfrentou até seu suicídio em 1954, após ser condenado e submetido a castração química, se alterou não faz tanto tempo. Mas o que Harari nos faz questionar é: como pensam as pessoas sobre outras pessoas? Será que as pessoas enxergam que seus semelhantes tem consciência assim como elas?

Ah! Se pudêssemos, empiricamente, contar os segundos, os minutos, as horas; se conseguíssemos contar o tempo matematicamente, de um vida inteira, (o tempo) em que somaríamos o quanto gozamos e amamos nessa vida, será que daria um tempo satisfatório? Se nossa vida se findasse agora, teríamos amado e nos deleitado o tanto quanto desejamos amar e gozar?

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com

Rafael de Campos

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