Tentar fazer o mundo caber dentro de um aquário
É como conter as águas do mar com as próprias mãos
Não cabe, não encaixa, não é compatível
As caixas de percepção são pequenas demais

Você até pode tentar explicar tudo de um só ponto de vista
Mas, pouco a pouco, você será esmagado pela diversidade
Pela multiplicidade de possibilidades de interpretação
Inclusive, das bases de sustentação da sua própria fé

Isso significa que tudo é relativo? Que não há certezas a cultivar?
As bases existem, claro! Mas elas são móveis, elásticas e em plena expansão
Oriundas de uma só essência, mas cheias de movimento
Pintadas com as cores da aquarela, passíveis de novas combinações

Os doutrinadores não gostam desse arco-íris de percepção
Ele cultuam a uniformização ao invés de ensinar a enxergar a variação das cores
Convidam todos a um salão fechado ao invés de abrirem as portas para o mundo
Engaiolam os pássaros e os domesticam ao invés de incentivarem o voo

Crucificam e torturam os que libertam o povo de seu controle e dominação

Há aqueles que se acostumam ao clima quente e confortável das caixas
É mais fácil se segurar nos braços de quem promete saúde e felicidade
Do que se lançar para ser luz em meio às trevas e sal em meio a terra infértil
Mas, é com espada nas mãos que se luta uma batalha e não debaixo das cobertas

É em meio à luta que descobrimos o que é viver em paz
Enfrentando a tempestade é que encontramos o abrigo seguro
Ouvindo e aprendendo sobre tudo discernimos o que há de proveito
E o que devemos descartar por não fazer parte da nossa essência.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

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2 comentários

  1. Jesus apresenta o evangelho como algo pronto, os apóstolos anunciam com convicção, como detentores da verdade, não há espaço para discussões daquilo que eles anunciam. O evangelho não é uma viagem constante ou uma inconstante viagem, não é uma metamorfose ambulante como disse o compositor. Evangelho é convicção daquilo que se crê, certeza daquilo que não se pode ver, para que não sejamos mais meninos inconstantes levados em roda por todo vento de doutrina.

    1. Olá Jorge. Fico feliz pela reflexão que você trouxe no seu comentário. Na verdade, penso que o evangelho é tanto uma essência indestrutível e absoluta quanto um caminho onde se cresce, se desenvolve, se expande, se aprende, de glória em glória. Nem o fundamentalismo como dogma nem o liberalismo em seu extremo conseguirão discernir o evangelho. O evangelho é uma experiência que requer amadurecimento, como se vê nas posturas paradoxais do apóstolo Paulo em diferentes cartas e como se vê, ao longo da história, a construção do entendimento teológico, sempre como dialética que faz as teses e antíteses chegarem a diferentes sínteses, aqui, acolá e além.

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