Em meio à pandemia do COVID-19, é possível observar diversas maneiras diferentes de lidar com as mortes causadas pelo vírus e as famílias enlutadas: Há os que negam a veracidade do vírus e das mortes (seja por medo de admitir o perigo e lidar com uma realidade difícil, por motivação política, ou mesmo por reflexo da era da pós-verdade); há os que não negam a situação crítica, mas que pensam quase que exclusivamente em si e em sua própria família (fazendo prevalecer apenas o sentimento de auto-preservação); há também os que levam a sério a situação e se movem na direção daqueles que precisam de ajuda (dos mais vulneráveis e atingidos).

Esses três tipos de posicionamentos englobam praticamente todas as pessoas na face da terra nesse momento de crise e, embora não possamos controlar completamente os efeitos da pandemia (já que o momento exige estratégias e soluções coletivas de curto e médio prazo), podemos evitar que nosso coração se petrifique e se anestesie na indiferença.

Pensar apenas nos de nossa família, de nossa comunidade religiosa, de nosso núcleo de amizades, de nosso ambiente de trabalho demonstra um pensamento restrito demais, característico da mentalidade de gueto, de bolha social, indicando que as nossas percepções são curtas demais, em comparação ao tamanho do problema que enfrentamos.

Isso significa que conseguimos resolver o problema de todos que, nesse momento, enfrentam crises financeiras, psicológicas e sociais? É óbvio que não! Mas, isso não quer dizer que não possamos fazer nada, nem que nossas mãos estejam absolutamente acorrentadas e incapazes de se mover na direção de um grupo maior do que aquele que faz parte de nosso núcleo de convívio.

Podemos orar, nos disponibilizar, ouvir, estender as mãos (oferecer recursos), causar reflexões, propôr caminhos, compartilhar informações confiáveis, e principalmente, chorar com os que choram, sermos empáticos com o que milhões de seres humanos estão passando ao redor do mundo.

Quando nossa visão é estreita demais, a gente só percebe o próprio umbigo, as próprias necessidades, os próprios apetites e as próprias ambições. Quando estamos contaminados pelo ódio e pelo fanatismo, passamos a interpretar tudo a partir da guerra de narrativas e embates ideológicos, e assim, mesmo tropeçando nos cadáveres, não conseguimos nos sensibilizar, pois estamos distraídos demais tentando provar que estamos com a razão, que temos a versão correta dos fatos e que estamos do lado certo na batalha.

Pior do que a pandemia do corona vírus é a epidemia da indiferença, da alienação e de medo de colocar a mão na massa em favor dos que sofrem.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

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Escrito por Rodrigo Campos

Um caminhante que está disposto a aprender com os erros e acertos, refletindo quais são as verdadeiras importâncias da vida e sua essência!

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