A saudade é um sentimento natural quando há, por diversos motivos, o distanciamento entre duas pessoas que gostam da companhia uma da outra. Não faz sentido, para mim, sentir saudade e permanecer em silêncio, sem ação, como se nada pudesse ser feito para diminuir a sensação de falta. É possível ligar, mandar mensagem, tentar saber como o outro está, marcar um encontro e, tornar assim, a saudade frutífera. Saudade que não se traduz em iniciativas, só faz sentido quando ela ocorre a respeito de alguém que já faleceu, pois não há o que se fazer nessa situação. Saudade de pessoas vivas existe pra gente matar ou amenizar, fazendo contato!

Há vários níveis de amizade: aquele mais superficial em que você conhece os dados gerais do outro (nome, sobrenome, onde mora, profissão, membros da família); há aquele nível em que de fato há uma conexão digna chamar o outro de amigo (há confissões mais íntimas, há convívio e troca de experiências mais constantes, há prazer em fazer contato, estar perto e fazer coisas juntos) e, por fim, há aquele nível mais profundo, em que o outro se tornou um irmão, pois um faz parte do outro incondicionalmente, independentemente das circunstâncias, das viradas da vida, dos erros ou adversidades. Há amigos que se tornam verdadeiros irmãos, pois o elo de amor fortaleceu ao máximo a aliança entre os dois, fazendo com que haja disposição mútua de amar um ao outro até a eternidade! O irmão divide o mesmo coração. O irmão tem a qualidade e o acesso que lhe permite interferir, corrigir, falar intimamente e ser uma fortaleza para o outro. O irmão conhece o outro de cor, de tantas experiências que passaram juntos, o irmão se relaciona com base sempre na verdade, sob a melhor das intenções, com o melhor olhar e com a melhor vontade. É bom e inevitável estarmos cercados de conhecidos; é muito gostoso e necessário ter amigos também, mas é imprescindível que tenhamos irmãos de caminhada. Esses são insubstituíveis e inestimáveis.

Desejar a morte de alguém é o mesmo que matá-lo no coração. Fingir que o outro não existe para não ter que lidar com sua humanidade, ou seja, suas falhas, seus processos, suas crises e ambiguidades, é o mesmo que dizer: “o outro está morto pra mim”. Essa escolha não é sábia, não traz paz, não calibra a própria capacidade de tolerância, não treina nossa capacidade de lidar bem com as diferenças, pelo contrário, isso só aumenta os potenciais de rancor, vingança e morte do nosso interior. Não é bom se tornar um assassino, ainda que na dimensão subjetiva da existência. É melhor escolher a vida do que a morte. É mais sábio estar do lado da bondade do que da maldade. É mais desejável se tornar alguém cheio de amor, ao ponto de incluir até os próprios inimigos nessa escolha de bondade, do que se tornar pobre, fraco e debilitadamente miserável de espírito, preferindo o orgulho do que a humildade.

Depois de um dia agitado, com muita troca de informação, não há nada como deitar na cama, com a janela aberta, ficar parado longe do barulho, sentindo o vento tocar a pele, permitindo que o ritmo dos pensamentos vá desacelerando, que as preocupações do momento vão se esvaindo e assumir a realidade de que precisamos de sossego, de descanso, senão a gente não permanece de pé! Não nos enganemos: não somos super-humanos, não temos super-poderes, não damos conta de tudo e de todos o tempo todo, não somos ainda o que podemos ser em toda a nossa potencialidade. Estamos no caminho! Por isso, a gente precisa recarregar as baterias e lidar com cada dia segundo a sua própria demanda, sem se sobrecarregar com o futuro tampouco com o passado, vivendo em paz, um dia após o outro, empreendendo o melhor das nossas energias nas coisas mais importantes e poupando nossa própria mente daquelas que não valem a pena. Como diz o poeta: “é preciso saber viver”!

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

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Escrito por Rodrigo Campos

Um caminhante que está disposto a aprender com os erros e acertos, refletindo quais são as verdadeiras importâncias da vida e sua essência!

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