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Pensamentos Aleatórios #94

Decidi viver sem cabrestos! Antigamente, eu delegava a outros a tarefa de pensar a vida por mim, reproduzia, com pouquíssima reflexão, tudo o que me era oferecido pronto, como se não tivesse capacidade de reflexão, como se precisasse de muletas pra caminhar. Me permitia ser manipulado pra todo lado, deixando que outros determinassem minha agenda, meus compromissos e o rumo do meu caminho. Parava quando diziam pra parar, andava só por onde me diziam que era seguro andar, seguia cegamente uma cartilha que nada tinha a ver comigo, mas sim, com determinada pressão social conduzida por uma fé cega, sem responsabilidade pessoal. Anos atrás decidi dar meu grito de liberdade, assumir o protagonismo da minha história, me mover pelos meus ideais, me posicionar na vida a partir das sínteses que vou fazendo gradativamente, sabendo dos riscos, da possibilidade de erro e acerto, aprendendo diariamente a me melhorar no processo. Sou pássaro aprendendo a voar e que não se satisfaz mais com o conforto e a segurança da gaiola. Sou um caminhante aprendiz.

Cego está todo aquele que não consegue olhar para além do seu próprio umbigo. Surdo está todo aquele que despreza o desespero de quem grita por socorro. Aleijado está todo aquele que não se dispõe a mover nenhum passo na direção de quem precisa de fortalecimento. Analfabeto é todo aquele que se tornou incapaz de ler o coração do outro a partir de seus sentimentos, expressões e decisões. Alienado é todo aquele que se blindou do amor por medo de sofrer. Acomodado está todo aquele que reduziu a amplitude das possibilidades da vida a passatempos e trabalhos, remunerados ou não, que excluem as pessoas de participarem e serem beneficiadas. Vida longa ao individualismo? Morto está!

A vida me trouxe gratas surpresas, também levou grandes amigos, e num misto de alegrias e dores intensas fui aprendendo que por mais que tentemos nos blindar, é impossível conter a correnteza do fluxo da vida, pois ela escapa por entre os dedos. Erros aparentemente superáveis destruíram relíquias relacionais, bobagens relacionadas à fases da vida explodiram e minguaram bons sentimentos. Banalidades levaram embora entes queridos. Mas também momentos transcendentes se instalaram em minha consciência com uma força que supera a de qualquer decepção. E, no fim das contas, a vida é um pouco disso tudo: suspiros de felicidade, lágrimas de angústia, expectativas e sonhos abrindo caminhos, soluções interiores se solidificando, experiência e maturidade brotando e frutificando enquanto acertamos e erramos. Quero viver a vida intensa e profundamente!

Pequenos atos oferecidos com sinceridade e amor trazem cor aos ambientes por onde passamos. Um sorriso, um abraço, uma gentileza, uma palavra de incentivo, um elogio, uma mão estendida pra ajudar ou qualquer outra coisa que esteja à nossa disposição pode ser útil ao outro para lhe trazer um pouco mais de alegria. A vida é muito curta pra gente gastá-la no egoísmo, na avareza e no narcisismo. Mas, sempre há os que preferem reter para si, encolher as mãos para não ajudar, fechar os ouvidos para não lidar com os problemas do outro, virar as costas para não precisar olhar para quem está caído no caminho, criar falsas justificativas para não se sentir compelido a dividir o próprio pão. A vida passa rápido e o que vai ficar gravado pra sempre em nossa memória são os amigos que fizemos no caminho.

A vida é cheia de ciclos, começos e recomeços, reinvenções de si mesmo em cada fase, carregando consigo a experiência daquilo que passou e se jogando em um novo mundo, vivendo um novo momento, com o frescor da nova chance de escrever mais um capítulo de nossa história de vida. Muitas coisas podem impulsionar esses recomeços: novo emprego, morte de um ente querido, mudança de casa, novo curso, crise relacional, um novo “insight”, um novo ano, um novo filho, o envolvimento em um projeto novo, casamento, divórcio, um novo desafio e tantas outras coisas. Cada momento da vida tem sua beleza, tem uma importância peculiar, tem lições a aprender. Nunca se é velho demais pra recomeçar. Enquanto há vida, há também oportunidade de estabelecer um novo jeito de caminhar.

Tudo o que a gente pretende ensinar ao outro precisa se aplicar, antes de tudo, a nós mesmos. Se a gente fala da importância do perdão, mas guarda rancor, que coerência há nisso? Se pregamos sobre o amor, mas somos indiferentes a quem sofre, qual o sentido disso? Se ensinamos determinados valores, mas não estamos comprometidos a sermos a encarnação, exemplificação e personificação desse ensino, que significado haverá em nossas palavras? Honrar a verdade com os lábios, mas mantê-la longe do coração e das decisões é pura insensatez. Não corra atrás de discursos bonitos, porém vazios em si mesmos, é pelo fruto que a gente conhece a qualidade de uma árvore e não pela sua aparência.

Quando estiver diante de um problema da vida, lute com todas as forças para solucioná-lo, mas não caia na tentação de se fazer de vítima, nem transfira a responsabilidade para outras pessoas ao seu redor, muito menos julgue seus amigos e familiares por não entregarem, de bandeja, a situação resolvida em suas mãos. A vida é um grande desafio para todos nós e cada um está tentando se virar da melhor forma possível. Não há manuais de instrução para se blindar contra os males e percalços do caminho, também não há receita mágica para soluções rápidas. É caindo e levantando, colocando a mão na massa (ainda que crie calos), se machucando e curando, que a gente vai ganhando experiência e aprendendo a viver em toda e qualquer circunstância. Não há atalhos que valham a pena escolher!

É triste olhar ao nosso redor e constatar que há tantas pessoas excluídas de viverem as mesmas alegrias que a gente, simplesmente por estarem desempregadas, seja por falta de educação e preparo, seja pela falta de oportunidade, ou mesmo, por causa da falta de saúde para trabalhar. Mais triste ainda é agirmos como se a necessidade do outro não tivesse absolutamente nada a ver com a nossa vida. Somos todos parte de uma grande comunidade e embora não sejamos capazes de solucionar todos os problemas do mundo, podemos ajudar a melhorar a vida de alguns. Não se esconda do choro do outro. Estenda as mãos, carregue alguém no colo o máximo que puder, ajude o outro a caminhar com um pouco mais de alegria sobre a terra. Se segurarmos as mãos uns dos outros, tudo fica menos pesado, menos angustiante, menos difícil.

Palavra é palavra, dizer é como assinar um documento, combinar é como firmar um contrato. Se digo sim, ele precisa valer um sim. Se digo não, o resultado precisa ser de um não. Quando minhas palavras escondem segundas intenções, opiniões contrárias ao significado que elas possuem ou uma indisposição de cumprí-las, isso me torna um ser humano incoerente, falso e indigno da confiança de qualquer pessoa da terra. O que quer que saia de nossa boca precisa ser verdade, refletir um caráter honesto e cheio de amor!

De vez em quando, temos vontade de extravasar, de fazer alguma coisa que normalmente não faríamos, algo que não prejudica ninguém, mas que vem como uma pulsão forte e inovadora dentro de nós, nos tirando da zona de conforto, criando uma nova sinapse cerebral. Pedir algo para comer que geralmente não pediríamos, fazer uma viagem num fim de semana normal, celebrar um churrasco em família em plena segunda-feira à noite, comprar uma determinada roupa que não estava em nossos planos, convidar pessoas que nem temos tanta intimidade assim para assistir um filme, etc. É importante darmos vazão à criatividade que, por vezes, está adormecida em nós!

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

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