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Estalos de Leitura #29 – Rafael de Campos

Falar de liberdade é sempre falar de um território muitas vezes conquistado, de um espaço abrangente – mas que abrange apenas os que fazem parte do mesmo espaço. Falar ou viver liberdade é, prioritariamente, falar/viver do ‘meu’ território de liberdade. Quando experimentamos estar livres, podemos ao mesmo tempo, em outros aspectos, estar escravos de outrem. Liberdade também é o constrangimento dos espaços e territórios que nos sufocam e nos afirmam a prisão.

Não são fáceis as despedidas.
Elas estão cheias de histórias!
Carregadas de separações.
Abundantes de adeus.

Não são fáceis as idas.
Elas nos falam de tristes partidas.
Às vezes, de longas jornadas.
De poucas vindas.

A liberdade da gente é uma construção. Nossa dependência do outro é, também, parte complexa desse emaranhado construtivo. Seja limitada ou condicionada, nossa liberdade nem sempre deve depender apenas desse(s) determinismo(s) – ou vivemos a vida alienados e retificados [coisificados] sempre? Nossa consciência nos clama por libertação e, essa, para além dos condicionantes, deve fazer-se livre na intensa construção da caminhada entre os outros e nós.

Você já parou pra pensar que grande parte das nossas relações sociais, com os outros são relações deterministas, essencialistas e/ou inatistas? Já pensou que as modalidades da nossa existência – seja a religião, a filosofia, a psicanálise, a genética, a política etc. – são, todas elas, meios determinantes e deterministas da existência humana?
Como existir em liberdade debaixo de forças tão esmagadoras?

Falar do “dia da consciência negra” é falar de consciência para quem? Quem precisa, ainda, ter ciência de si mesmo em relação a algo que precisa ser pensado, mudado e combatido? Você já se propôs a refletir sobre o fino tecido de micro discriminações, micro insultos, micro explorações, micro racismos que se entrelaçam uns com outros formando um sólido e compacto sistema social opressivo que esmaga de cima para baixo? Você já percebeu que nós mesmo alimentamos o sistema opressor social capitalista das discriminações e tudo o que deles flui com poder arrematador?
Hoje é dia de pensar a negritude; mas amanhã também: pensar agindo.

A vida é feita não só de coisas simples, de reflexões e ações que, em toda a simplicidade aparente e momentânea, ultrapassa para as complexidades cotidianas subjetivas. A vida está fadada ao choro, ao amor, ao riso e a compreensão. Tudo isso como uma montanha russa que aflige o ser humano no mundo, mas nos faz dotados de uma bagagem ideológica-social-identitária ímpar.

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com
Rafael de Campos

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