Ir para conteúdo

Pensamentos Aleatórios #92

Eu já visitei lugares lindos, porém com meu coração amargurado. Também já encontrei belezas ímpares em ambientes aparentemente comuns por estar com o coração aguçado em suas percepções. Daí concluo que a questão não é tanto para onde a gente vai, mas sim, como a gente vai, com que disposição e olhar. Quando nosso interior está bem, qualquer lugar vale a pena. Quando dentro de nós está bagunçado, nenhum lugar nos satisfaz.

Há pessoas que apesar de terem adquirido um grande conhecimento e de possuírem boas oportunidades nas mãos não frutificam, tampouco valorizam o privilégio da posição em que de encontram, ao mesmo tempo, há aqueles que estão tão sedentos por saírem da ignorância e da alienação que uma gota de educação e oportunidade é o suficiente para despertarem seus melhores potenciais e se tornarem agentes transformadores das situações caóticas vigentes.

Não me sinto obrigado a dar opinião sobre tudo o que acontece ou sobre todos os que estão em evidência, muito menos compartilhar isso nas redes sociais. Há percepções pessoais e análises que são de mim para mim mesmo, ou seja, não são necessariamente úteis a outras pessoas. Conquanto algumas coisas da minha vida privada acabam sendo publicadas aqui e ali, mas ainda quero preservar certos aspectos da minha intimidade somente pra mim e para os de minha família.

Uma geração de pais superprotetores e possessivos está semeando e nutrindo uma geração de pessoas com pouquíssima capacidade de sofrer, perseverar e criar soluções para as encruzilhadas da vida. Cresce a sensação de estarmos lidando, quase que o tempo todo, com pessoas despreparadas pra vida, frágeis ao extremo, carentes de afeto (baixa autoestima), adultos que não abandonaram a adolescência, dezenas de anos de experiência que carregam sobre si o estigma da inconstância, da falta de compromisso com a palavra dita, do medo de enfrentar a realidade tal como ela se propõe por não ter desenvolvido recursos interiores para tal. Falta o básico da educação, o mínimo de valores como o respeito, bom senso e equilíbrio, essenciais para uma convivência saudável. É preciso investir em educação!

A gente não gosta muito de admitir, mas é preciso dizer: o tempo está passando e, portanto, estamos envelhecendo. É muito provável que, daqui a algum tempo, a gente chegue à conclusão que boa parte dos nossos anseios juvenis não eram tão importantes quanto achávamos que eram. Nosso senso de sentido, valor e importância vai mudando com o passar do tempo, e o que antes era imprescindível vai se tornando, pouco a pouco, relativizado. Pergunte a um idoso sábio quais são suas prioridades, quais decisões ele tomaria de forma diferente, tente olhar pela perspectiva dele e verá que: ficamos ansiosos tempo demais, deixamos muitas oportunidades passarem desapercebidas diante dos nossos olhos, valorizamos, quase sempre, os acontecimentos aparentemente grandes, quando há coisas extraordinárias acontecendo nos fatos mais simples da vida.

Como é bom conversar com pessoas que se transformaram, ao longo do tempo, num ambiente seguro de escuta. Pessoas que aprenderam a dominar sua vontade mórbida de espalhar a preciosidade dos segredos de uma confissão sincera. Tais pessoas são como hospitais ambulantes, pois quem é que não precisa colocar para fora seus dilemas, crises, angústias, devaneios, utopias, sentimentos, abrindo o coração e expondo seus medos, incompreensões e questionamentos repletos de dor? É verdadeiramente curador quando nos sentimos à vontade para falar dos nossos traumas, das feridas em forma de lembrança, dos desejos incompatíveis com o caráter que desejamos ter, dos pensamentos catastróficos que ansiamos controlar. Guardar tudo isso para si, em algum momento da vida, vai resultar em somatizações no corpo e adoecimento da alma.

Tudo o que expressamos em palavras reflete intensamente os conteúdos da nossa interioridade. Se estamos angustiados, por mais que tentemos disfarçar, ela é exalada naquilo que falamos (basta o receptor ter o mínimo de sensibilidade e ele perceberá); se nos alimentamos de futilidades, nossa boca exprimirá essas banalidades; se nossa reflexão é apurada, abrangente e criteriosa, isso também ficará claro quando nos pronunciarmos, se a raiva habita as motivações da nossa existência, ela se manifestará em nosso discurso, mesmo quando o tema do mesmo seja o amor. Há uma mensagem por trás das nossas palavras, há uma pregação por trás das nossas defesas verbais, há uma realidade por trás dos nossos compartilhamentos nas redes sociais, há uma deflagração naquilo que emana de nós para o mundo.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

Onde você me encontra?
Twitter: @caminhaprendiz
Facebook: /caminhanteaprendiz
Youtube: bit.ly/caminhanteaprendiz
Instagram @caminhanteaprendiz
E-mail: rodrigoaccampos@hotmail.com
Whatsapp: 18-997358253

Um comentário em “Pensamentos Aleatórios #92 Deixe um comentário

  1. sempre que me vem aquela vontade de me surpreender com algo rico de conteúdo, venho aqui nesse blog, pois aqui a certeza de boas leituras que valem a pena o empreendimento do tempo é sempre garantida.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: