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Estalos de Leitura #25 – Rafael de Campos

Se saber “livre” é o maior desespero humano. A liberdade traz consigo um alto preço a se pagar, a saber, que aquele que se vê livre deve vencer a incapacidade da autoconfiança ou da “fé absoluta em si mesmo”. Isso sim é um desafio: tomar posse de si pela liberdade.

Não é só o amor que perdoa. Equivoca-se quem assim acredita – como acreditei por toda vida. Assim como não é possível amar à todos – e, portanto, o perdão seria algo não dado a todos nesse viés – o respeito à dignidade do outro é o bastante para perdoar ofensas. Perdoa-se por amor; mas também, por respeito. O primeiro por causa do vínculo afetivo de proximidade; o segundo porque o perdão faz parte do ser-pessoa com todas as pessoas. Despersonalizar-se é sintoma de esquizofrenia.

Tanto o “perdão” quanto o “prometer e cumprir promessas” são faculdades e, como faculdades, partem das ações irreversíveis e imprevisíveis dos seres humanos. São como remédios na tentativa de desfazer algo e instaurar uma continuidade pro futuro. Como faculdades, dependem inteiramente do aprendizado e das sinapses – ação de juntar – para uma contínua maioridade da razão.

Se esperneiem, gritem, chorem, relinchem e falem estranhamente; nada muda o fato de que a religião contemporânea e seus “valores” (fé e experiência) são “valores de troca” para não caírem nos “valores do desespero”. Pense nisso!

É imprescindível acreditar e alimentar utopias – mas utopias tangíveis ou, no máximo, em partes, atingíveis. No entanto, deve-se saber, além da crença, que toda utopia humana (projeto artificial) nem sempre é concretizado e pode ruir sob o peso da realidade – realidade das relações humanas. Mas insisto: é preciso sonhar!

Meu “coração” é “terra” de muitos poetas mortos; de crenças, de sonhos, de amores, de amizades, tudo já sepultado. Há muito eles se foram; bastava apenas revolver o tempo, os sonhos, as memórias para o arrebatamento. Agora, já não sou mais eu mesmo. Sou outro, bem mais eu. Terra pronta para ser arada e preparada à novos poetas e poetisas, sonhos e dissabores, amores reais e amigos leais. Meu coração hoje é mais “razão” e menos “emoção”. Deixou a infância das crenças para se dissolver nos “campos santos” da reflexão e da ação: campo esse onde, dizia Augusto dos Anjos, “a alma chora e a saudade canta”.

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com
Rafael de Campos

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