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Escritas pra Vida #4 – Lucas Lujan

São tantas palavras que uso para escrever sobre o amor, mas todas elas têm o som do seu nome.

Chegará o dia, e não está longe, que usar a expressão “esquerdista” como forma de ofensa demonstrará apenas que o emissor da suposta agressão não passa de um ignorante político, com curtíssima capacidade intelectual e que é dominado emocionalmente pelo ódio. Sem racionalidade crítica, contudo, o agressor será incapaz de perceber o tamanho do próprio vexame – porque sequer é capaz de sentir constrangimento na agressão.

O romance é bonito, mas só quando acontece entre duas pessoas inteiras. Afinal, só uma pessoa inteira pode amar inteiramente a outra.

Solidão é estar sozinho. Solitude é desfrutar, sozinho, da própria companhia. A diferença entre solidão e solitude é o amor próprio.

Há tantas declarações de amor covardes, que prometem o que não se pode realizar. Embebedam a verdade para criar fantasias e acham graça na distorção. Não percebem que as pessoas não precisam de princesas nem príncipes, mas de um amor que torne a realidade suportável quando chegar o desencanto.

Eu poderia ter convicções. Consciente, contudo, de que a percepção que tenho da realidade está distorcida por minhas frustrações, desejos, dores, ilusões e angústias, sei que seriam apenas altares que ergueria para cultuar a minha vaidade.

Sua partida abriu um vazio em mim. Não, o vazio não é você. Vazia ficou a parte do meu jardim que você saiu chutando. Agora vou plantar tudo de novo. Eu sou capaz de aceitar que as pessoas partam, porque não sou dono de ninguém. O que não posso tolerar é uma vida sem flores.

A MARGARIDA NUNCA PERDERÁ A COR. VOCÊ, TALVEZ.

A caminho do trabalho, diariamente Bela passava por uma margarida amarela, plantada bem no meio de sua atenção. No início, a regava com um olhar encantado, seduzida por um tom em particular. Com o tempo, o amarelo foi se tornando apenas amarelo, até que ela deixou de percebê-lo. Não era a flor, entretanto, que havia mudado. Foram os olhos que, sacrificados por Bela no altar da rotina, desbotaram.

BREVE NOTA FILOSÓFICA
(da autonomia)

Como coleiras, doutrinas e dogmas usam a culpa e o medo para encurtar o espaço da liberdade humana. Só que ao contrário dos cachorros, seres humanos não têm dono. Ninguém deveria controlar a distância do nosso pensamento.

A MATURIDADE DA ESPERANÇA É A DESILUSÃO

A primavera florescia ao lado de fora e Bela, com o rosto colado na janela como uma criança que aguarda a mãe voltar do trabalho, guardava a esperança de ver neve caindo do céu. Terminou o dia em tristeza, sem entender que havia se tornado o carrasco de sua alegria. Para ser feliz, afinal, é preciso aceitar os limites de cada estação.

PARA SOBREVIVER À VENTANIA, VÁ COM O VENTO

Observe as flores Dente-de-leão. Quando o vento sopra forte, elas se despedaçam e voam. Apesar de destruídas, suas sementes se espalham com o vento para nascerem Dentes-de-leão em outros jardins. É coragem que nos falta. Na ventania, temos medo da destruição, dos nossos pedaços que caoticamente voarão para o desconhecido. Então, nos agarramos com força ao solo que já envelheceu. Não há novidade, só a repetida luta covarde contra o vento.

Nem toda luta demonstra valentia.

Esperando por um relacionamento perfeito, não encontrou ninguém, tampouco a si mesmo. Viveu sozinho, longe de si e dos outros, tendo apenas a ilusão como companhia – mas nem ela foi ao seu enterro, porque a morte não suporta ilusões.

Lucas Lujan
vilabadulaques.blogspot.com.br
https://www.facebook.com/lucasmeirelleslujan
lucas lujan

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