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Transferência e Fuga

Há duas palavras que definem como boa parte dos humanos lidam com os seus próprios erros e angústias: transferência e fuga. No processo de racionalização do erro somos sempre capazes de encontrar alguém que pode ser acusado de emulador do erro, seja esse alguém uma pessoa, uma circunstância, um contexto, um fato do passado ou qualquer outra coisa (por mais absurda que seja). Foi assim no princípio com Adão e Eva e foi assim durante todos os períodos da história.

Especialmente hoje, em que se busca definir um indivíduo pelo contexto em que viveu (o que parcialmente é verdade), ninguém mais é responsabilizado por quase nada. Se cometi um crime, é porque sou pobre, se ofendi com palavras é por causa da minha péssima educação familiar, se reajo abruptamente a uma crítica, é devido ao meu gênio forte. Confunde-se com isso o aspecto da “explicação e da justificação”, pois, embora eu possa explicar parcialmente o “porquê” de determinados comportamentos humanos, isso não exime esse ser humano de sua “responsabilidade” frente as consequências de seus atos, ou seja, isso não o justifica.

Transferimos e fugimos. Transferimos fugindo. Fugimos transferindo.

Encarar o resultado desastroso do pior de nós exige coragem. É como se olhar no espelho. É como encarar o fato inequívoco de que há uma espinha enorme na nossa testa, ainda que não gostemos dessa variação de aparência. É como ter que admitir aquilo que a maioria de nós escondemos, quase que o tempo todo: que falhamos, que praticamos o mal, que não somos felizes e éticos o tempo todo. Não dá pra fingir que não aconteceu, não dá pra inventar uma nova “verdade”, fato é fato, ação é ação, o passado ninguém apaga, por mais habilidosamente retóricos que sejamos.

Fugir de si é uma porta aberta para todo tipo de hábito viciante.

Quantos de nós comemos pra fugir, dormimos pra fugir, jogamos pra fugir, nos ocupamos pra fugir, trabalhamos pra fugir, nos aceleramos pra fugir, nos distraímos pra fugir, inventamos novos projetos pra fugir.

Tenho tentado identificar minhas fugas.

É claro que nossas fugas nunca são chamadas assim por nós. Sempre arrumamos motivos jutos, razões ponderadas, argumentos justificativos razoáveis pra significar nossas fugas e para tornar aquilo algo mais nobre, menos recriminável, incriticável.

O chamado de Jesus não é a fuga de si mesmo, aliás, é conhecendo a verdade que a liberdade vem. Melhor que viver fugindo é viver em liberdade. O fugitivo sempre tem um algoz atrás de si, vive em estado de medo, desenvolve pânico a cada sombra que encontra no caminho da fuga. O ente livre sabe que é pó, sabe e admite as próprias ambiguidades, reconhece seus desvios de rota, mas vive livre pela confiança na certeza do amor que lhe é derramado e do perdão celestial que faz manutenção da própria vida.

Ao invés de fuga e transferência, me encaro e me assumo, aceitando o amor de Deus!

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

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