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Estalos de Leitura #21 – Rafael de Campos

Antes de “achismos” ou precisarmos julgar o mundo e as pessoas, ou sermos guiados por qualquer fé mística (horóscopos, textos sagrados, etc), experimentemos a desconstrução e a prática de sermos guiados por saberes humanitários. Não confundamos crença com saber – isso nos torna ‘imbecis’ coletivos lutando para descobrir uma realidade que está posta e dada.

Da aterradora tradição de Sto Agostinho, em um sermão, em que suas palavras e crença diz que “nos tornamos semelhantes ao objeto de nosso amor” — isto é, nos transformamos em deuses quando agimos em amor — e, como influência da Reforma, “somos deuses através do amor”, diz Lutero, o amor manifestado no Ocidente revela nossas aspirações mais diabólicas possível. Se somos deuses mediante o amor, qual de fato é o deus (objeto) que nos assemelhamos?

Amor é “appetitus”, desejo — desejar algo/coisa pelo que “é”. Aspiramos o amor porque o amor é para nós um bem. Desde a tradição paulina e joanina, o amor se tornou uma virtude suprema dando ao ‘deus supremo’ a forma de sua essência: “Deus é amor” / “a mais excelente entre elas é a caridade” (mística e prática). Essa é a marca extravagante do Ocidente que, como todo intérprete, talvez nunca tenha lido e avaliado as linhas mestra de sua concepção de amor. Ainda desejamos as coisas (res), mas saber se esse desejo provém da “raiz do amor” já é outra história. Tanto cristãos como ateus crêem no ‘Amor’ como modelo supremo da moral humana: o primeiro dedica ao deus judaico-cristão sua origem; o segundo a uma Ética humana evoluída na/pela história.
Ambos acreditam no Amor.

O paradoxo do amor — pouco vivenciado no Ocidente atual, e muito menos por aqueles que dizem viver religiosamente o amor como virtude — é que a vivência emocional deve ser livre para ser genuína. Interessante é que, assim como a lei, o amor foi tido como uma ordem na tradição judaico-cristã: “ame ao teu próximo” / “amai os vossos inimigos”. A ordenação do amor tornou-se “toda a lei”, cumprida no mandamento de Jesus/deus de amar.

Li certa vez que pessoas são como casas com quartos bem grandes, com janelas pequenas e repletos com móveis úteis e, também, entulhos; ambientes acessíveis, outros nem tanto. O que me chamou atenção nessa metáfora é que todos nos temos “quartos” escuros e outros com iluminação pra que seja mostrado tudo daquele local. Ver as pessoas desse jeito é olhar para elas como “fonte” de surpresas — e como é bom que as pessoas nos surpreendam e nunca pare de nos surpreender. Mas há os “ambientes humanos” obscuros, onde o acesso ao invés de nos surpreender, nos repugna. Todos somos assim e, talvez, é preciso um pouco de compreensão humanista com dose exagerada de tolerância para saber se ver morando na casa alheia, com os móveis do outro, com as janelas mal iluminadas do próximo. Podemos, com humanidade, ser aquele(a) que abre as cortinas da janela para melhor iluminar os quartos tenebrosos; podemos ser aqueles que ao acessar a escuridão de alguém, transforma densas trevas em algo mais claro aos próprios olhos desse alguém. 

rafael

Quem vive sua vida baseado numa ‘política de condenação’, precisa saber que “condenar muito é compreender pouco”, segundo a psicologia moderna.

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com
Rafael de Campos

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