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Estalos de Leitura #20 – Rafael de Campos

Existem afetos em nós por outros que nunca irão evoluir para amor. Mesmo que imploremos à nossa mente com força. Talvez seja a nobreza de caráter; talvez seja a falta dela.

Uma das maiores definições do ser humano seria “Homo sperans” — homem/mulher esperançoso. Por esse conceito, o ser humano seria aquele que abriga em si a condição essencial da esperança. Deixar tal condição seria o próprio inferno, seria deixar para trás sua humanidade.

Difícil é viver no séc XXI com “o coração impetuoso”, a esperar alguém “que pode revelar o ser amado e o amor nos reais acordos de seu coração” — utilizando as expressões do testamento de um poeta. Um profeta desse tempo declarou, antes de morrer, que o nosso tempo é tempo de amores líquidos e tornados fúteis. As incertezas poéticas e proféticas do agora lançam no espírito da atualidade as amarras do inútil. Diante deste século pueril, manter o espírito, a ‘ratio’ inabalável é o desafio dos que enxergam poesia e profecia ainda vivas na vida.

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A ironia socrática como método precisa ser retomada nos discursos políticos atuais. Primeiro, porque descobre a vaidade dos atores e desmascara a impostura de tais mostrando a verdade por trás do casco. Segundo, porque ao atacar a vaidade, ataca também as reputações enraizadas e os cânones oficiais dessa política velha posta em cabide velho. Em terceiro, ameaça os valores consagrados pela irreverência e, ao mesmo tempo, despreza o que a sociedade massificada preza. A ironia nunca foi tão necessária como aporte pedagógico.

A pergunta que vou fazer no final dos meus dias
É o que eu dei e o que vou levar?

Há apenas uma resposta que importa.
Mesmo que seu coração e seus sonhos tenham sido destruídos
O que quer que você queira, o que quer que seja seu objetivo
O amor ainda é a resposta
O amor ainda é a resposta

Amor, amor, amor, amor
Amor, amor, amor
Amor, amor, amor, amor
Amor, amor, amor

O amor ainda é a resposta

A vivência exacerbada e não calada de que o “dinheiro” é o “denominador comum para a satisfação de todas as necessidades”, reflete a sociedade atual e toda a sua ‘espiritualidade’. Criamos grandes centros para admiração pública ao dinheiro; burocratizamos a vida como um todo para vangloriar a moeda. Os sentimentos, as virtudes, a ética e a moral, os espaços de laços interpessoais e tudo mais, só vinculam-se ao propósito monetário e, de modo crasso, é motivado acima daquilo que nos humaniza.
Se há uma deus em voga — e parece que nunca sai — esse deus é o dinheiro, o mercado e as grandes corporações… rendemo-lhes a glória devida!

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com
Rafael de Campos

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