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Somos Problemas nos Desproblematizando

Todos os dias enfrentamos situações que tem o potencial de nos deixar preocupados e temerosos. Quantas coisas poderíamos elencar nessa lista? Milhares! E quem pensa que estou falando apenas de problemas que estão para além de nós, está enganado. Quem dera nossas angústias estivessem apenas relacionadas a realidades que não têm a nossa contribuição, mas não é assim. Ao contrário do que Sartre disse, o inferno não são apenas os outros, a verdade é que nós somos responsáveis, pessoalmente, por boa parte das instalações de tristeza, necessidade de solução e desvio de foco da caminhada.

É preciso contabilizar nosso egoísmo, nossa busca desenfreada pelo prazer, nossas atitudes anti-sociais, nossa falta de sensibilidade, nossa ingratidão, a falta de freio nas nossas ganas existenciais, nossa irreverência para com o que é sagrado na vida, nosso conceito do que é ter sucesso e as iniciativas que tomamos nessa direção. O número de fatores é por demais expressivo. 

Somos fábricas ambulantes de problemas! Comparemos por um instante nossa vida a um jogo de futebol do campeonato brasileiro. Essa metáfora serve muito bem a nós, pois acreditamos estar sempre em uma competição, acreditamos que os outros são adversários, não apenas o time do outro lado do campo, mas também nossos parceiros de time. Vivemos num estímulo constante a nos destacarmos na empresa que trabalhamos, nos estudos, na família que passamos a considerar a todos ao nosso redor como trampolins para o sucesso.

Não é de se admirar que, mesmo tendo o mesmo objetivo que nossos parceiros de trabalho, quase sempre queremos ganhar o crédito do êxito. Permanecendo um pouco mais na metáfora, pense no quanto simulamos quedas para provocar o cartão amarelo do adversário, no quanto mentimos descaradamente empurrados pela ideia de que para ganhar vale tudo, no quanto provocamos, pressionamos o outro, reclamamos enormemente e somos desleais com as regras por estarmos tão focados em nos tornarmos o “Neymar” do nosso contexto social.

Como pode sobreviver valores excelentes como o da generosidade? Ela, em si mesma, sabota esse tal sucesso segundo os padrões deste mundo, pois supõe atos como o repartir, o promover o outro, o oferecer nossos recursos gratuitamente para beneficiar outros, etc. O que diríamos então da misericórdia, do amor aos inimigos, da atitude de servo, do carregar as cargas uns dos outros, da honestidade, da mansidão, do domínio próprio, do suportar as aflições de quem pratica o bem num mundo que jaz do maligno? Nada disso é possível em uma realidade de competição e egocentrismo. 

Mas, juramos que o inferno são os outros, que o problema está fora de nós, que se estivéssemos num ambiente mais amistoso seríamos diferentes. Bobagem! Carregamos essas inconsistências dentro de nós! Só há solução para nós mediante uma mudança de consciência, de paradigma, uma transformação visceral que muda o eixo da engrenagem, fazendo girar o volante mudando totalmente de direção, numa verdadeira conversão.

Me parece que a conversão essencial acontece uma só vez na vida. Mas, depois de tal consciência estar instalada em nós, é preciso uma espécie de manutenção diária, de decisões conscientes de desenvolvimento dessa salvação com temor e tremor. Eu reconheço que sou menos problema hoje do que já fui um dia, sou menos pior, menos auto-sabotador, menos pré-julgador, menos ansioso, menos entrave, ao mesmo tempo que não tenho como não admitir a imensa parte que ainda falta restaurar. Sou uma obra inacabada, com placa de “em construção”, sendo edificada a cada dia pelo Arquiteto Universal que tem a própria imagem e semelhança como referência. 

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

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