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Os micro-suicídios

Todos nós ficamos chocados quando algo de grande magnitude acontece, tanto na esfera pessoal quanto na esfera global. Grandes tsunamis, atentados terroristas, um casamento de 4 décadas interrompido por uma traição, guerra entre países, o descobrimento de um grande esquema de corrupção, alguém que se suicidou, uma empresa que faliu, uma doença mortal que se instalou, dentre outros.

Mas, tudo o que é macro começa no micro, todo grande ato começa, antes, com pequenos atos, todo grande acontecimento tem como precursores pequenos acontecimentos. Isso não é um dogma, mas geralmente é assim que acontece, é assim que se verifica que é. No mínimo é uma tendência.

Todo grande intelectual precisou cultivar em pequenos atos a sua capacidade de reflexão, todo ser humano admirável precisou no dia-a-dia tomar pequenas decisões que o levassem a tal caráter, toda empresa de sucesso precisou passar por todos os pequenos estágios que desafiaram suas bases, sua relevância, sua capacidade de se reinventar, de ler corretamente o mercado, e por isso, precisou solucionar pequenas crises para se estabelecer como grande.

Foi justamente isso que Jesus ensinou em sua famosa pregação no monte: o verdadeiro adultério não é apenas o grande ato de se deitar com outra mulher, não é esse ato em si, ele antes acontece nas micro-traições, naquelas concernentes ao olhar cobiçoso, que habita a subjetividade, o coração. Assim, também, o verdadeiro assassinato, não consiste apenas no ato final de apertar o gatilho do revólver, mas sim, em dar vazão e alimentar os micro-sentimentos de raiva, ódio, desprezo e vontade de humilhar o próximo.

Uma pessoa, no mundo, se suicida a cada 40 segundos. Embora esse número possa chocar qualquer ser humano, por menos sensível que seja, tudo começa com os micro-suicídios, que são pequenas decisões de desistência da vida. Muitos, do ponto de vista funcional, estão exercendo normalmente sua profissão, frequentando cursos, ‘bancando’ sua família, atendendo as demandas de sua agenda, mas só elas sabem o quanto estão a um fio do pior, estressadas, ansiosas e desesperançadas. Muitos já desistiram da felicidade, do amor, da esperança, do prazer, daquilo que acreditam, desistiram das coisas mais essenciais da vida e vivem como ‘zumbis’, ou seja, embora estejam vivos (respirando) estão tomados de morte (no coração).

Se esse é o seu caso, peço que se anime! Se é nas coisas pequenas que as grandes se estabelecem, a reversão desse quadro também acontece pela via das pequenas e boas mudanças no na maneira de lidar com o cotidiano. Pequenas mudanças estratégias, consistentes, perseverantes que vão dando nova cor ao quadro cinza de um coração doente. Pequenas mudanças que podem envolver uma hora de terapia semanal, um novo hábito saudável adquirido, uma mudança na agenda de tarefas ou mesmo no jeito de executá-las. Não há padrões, cada caso é um caso, cada ser humano é único, cada desafio é singular. Por isso, o seu desafio é fazer uma auto-análise e buscar, com a ajuda de pessoas que te desejem o bem, soluções criativas e inteligentes para o caos estabelecido.

Não se permita morrer! É inevitável que o ciclo da vida aconteça, que a velhice chegue, que os anos se encarreguem de desgastar naturalmente nosso corpo, mas dentro, no coração, podemos cultivar vida, estar mais intensos do que nunca, mais amorosos do que nunca, mais amantes da vida do que nunca, mais apaixonados pelo bem do que nunca. Embora nosso corpo exterior se deteriore, e isso é inevitável (mesmo para os que possuem recursos para fazer plásticas, lipos e melhoramentos artificiais), o nosso interior pode se renovar, pode crescer em virtudes, pode criar uma madura forma de enxergar o mundo e desfrutar dele.

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Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz

 

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