Fato é que os “clichês” tomaram conta de nossa linguagem diária. Na política, ou para questões políticas, os clichês funcionam onde a “palavra” e a “fala” – que pretendem ‘compreender’ o conhecimento – perdem sua qualidade e transformam-se em sua banalização, até chegar ao ato de violência. Um exemplo crasso é a “doutrinação” que, sendo uma tentativa de compreender a realidade, destrói qualquer atividade legítima de compreensão, deturpando-a. *estalos de leitura em Hannah Arendt, “A dignidade da política”.

Não sei você, mas meu sentimento quanto à política e às eleições que apontam, pode ser resumida na frase do poeta inglês: “nós que vivemos por sonhos nobres/defendemos o ruim pelo pior”. Infelizmente…

“Não almejar nem os que passaram nem os que virão. Importa ser de seu próprio tempo.” – Karl Jaspers

Toda tentativa de acabar com a diversidade e a pluralidade, consequentemente, acaba em genocídio. Ambas, pluralidade e diversidade, antes de ser uma condição para o “viver em comum” (política), é uma condição humana. *Parafraseando Judith Butler in documentário: “VITA ACTIVA: O Espírito de Hannah Arendt”.

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Hannah Arendt
In: “A dignidade da política”, p. 53, ‘Compreensão e Política’.

A ironia (eironeia, gr. Interrogação) é um meio um tanto filosófico, uma ferramenta, para discutir ideias. Cá pra nós, é um “riso” sério que, visto por quem não a compreende, o irônico passa-se por caluniador. A ironia desce às profundezas do argumento do outro e o escancara; já o humor/ofensa não tem essa proeza. Sobre política (e não só), compreendam a ironia antes de acusa-la.

Rafael de Campos

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com

 

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