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Estalos de Leitura #4 – Rafael de Campos

A morte, tida como a “última coisa”, é a certeza de nosso fim nesta vida. Vivemos sabendo que um dia esse “fim” chegará inexoravelmente. Nos apegamos tanto a essa vida que esquecemos que a morte é coisa séria a ser, também, algo a se apegar – pelo menos num sentido em que “o mistério da vida está na morte”. São em tempos de luto que pensamos mais e melhor na morte; mas deveria ser diferente: se amamos e apreciamos tanto viver, é necessário não esquecer que morrer é parte dessa apreciação (infelizmente). Na tradição cristã, a vida após a morte seria a resposta absoluta para desvendar o mistério. Mas essa resposta nunca será um argumento, apenas uma questão de crer ou não crer. Por isso, aprendamos a viver e amar a vida porque estaremos aprendendo a morrer – esse é um argumento e, caso viermos a existir após a morte, a vida que amamos e vivemos junto aos outros será nosso galardão.

A belíssima fórmula e o espírito estóico de Comte-Sponville afirma: “Sábio é aquele que consegue lamentar um pouco menos, esperar um pouco menos e amar um pouco mais”.

Um dos grandes desconfortos da Religião provém de sua intensa relação metafísica com o ‘Mal’. O desconforto se dá pela tensão cognata do Mal, isto é, de sua mesma raiz com o ‘Bem’ e da impossibilidade de separação do dualismo. A cognição, seja num sentido psicológico, me parece, é praticamente inseparável. Ou seja, de forma prática: pensar o ‘Bem’ na Religião é sempre contrapor-se ao ‘Mal’, seja ele materializado (em seres humanos livres e suas opções de vida), ou espíritos diabólicos (também, livres para fazerem o que quiser) que fazem o homem um “ser-Mal”. Talvez, esse seja o princípio das diferenças existentes entre os iguais.

Reza Aslan é sempre uma leitura instigante. Alguns anos li “Zelota” e, no minimo, uma fascinante recomposição textual da vida de Jesus. Seria uma reconstrução de seus passos e de sua missão numa lente histórica (do Jesus Histórico). Ainda não li “Deus – uma história humana”, mas pelos prolegômenos que andei olhando, visa associar a imagem de Deus (que seria uma construção humana ao longo da história) a um tipo de conceito de “projeção” da psicologia – tal como a ‘projeção’ como mecanismo de defesa. Ou talvez, num sentido mais cartesiano contrário a fenomenologia e o existencialista: Deus como um quarto (consciência), estilo Luiz XV,em que entulhamos tudo aquilo que pensamos sobre Deus tornando-o maciço e espesso sem partes ocas, com medo de sairmos desse quarto e nos relacionarmos com o ‘mundo’. Ainda, no séc. XIX, em Ludwig Feuerbach, Deus fosse a nossa subjetividade abstraída de nós mesmos… ou como ele mesmo diz em “A essência do Cristianismo”: “Deus é o espelho do homem”.

Minha ânsia é que sobre a minha condição foi despertada o desejo (o amor) de viver como alguém de pensamento não sedentário – como diria Nietzsche. Me identifico com os “pensadores nômades”, que pensam livremente e desbravam as fronteiras não se adequando ao mundo dogmático que aí se encontra. Não quero ser mais um dogmático; quero ser alguém que tolera o devir, as mudanças em busca de “formas” e “modelos” (se é que existem) que possam, de alguma forma, gerir a existência para tod@s.

Rafael de Campos

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com

 

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