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Estalos de Leitura #2 – Rafael de Campos

Até que ponto o discurso da “santidade pela vida” equivale, apenas (de forma hipócrita), a uma proteção à “vida humana” em detrimento da vida de qualquer outra espécie? Uma coisa é fato: os homo sapiens são assassinos em massa da vida alheia, seja humana ou não!

Eu compreendo a necessidade que as pessoas têm de, em tudo, literalmente tudo, envolverem a (sua) religião como “chave hermenêutica” da situação – principalmente o deus da (sua) religião. O problema é que, seja a morte ou o assassinato de alguém, a prisão, a ocupação alheia seguida de catástrofe etc., se a (sua) religião não tiver uma resposta concreta prática sobre, nada adianta moralizar tais situações – por mais que algumas pessoas precisem ler/ouvir discursos moralizantes. Tais discursos seriam mais efetivos caso o alvo fossem instituições e corpo político.

O tempo vai passando e a gente vai entendendo – o que não entendia antes, ou por causa da ignorância e falta de experiências, ou por causa da ganância tão assimilada – que o que realmente importa nessa vida é o amor, a beleza e a justiça – e o que disso provêm.

“Os primeiros cristãos o chamaram de poder do ágape. Nossa palavra ‘amor’ sequer chega perto do que eles queriam dizer com isso […] como um sinalizador de uma energia enorme, multidimensional e totalmente abrangente, que virou as pessoas de cabeça para baixo no século primeiro e continua a fazê-lo hoje”. N. T. WRIGHT, in: “Simplesmente Boas Novas”, p. 52 *Fico a pensar, sobre essa última afirmação; tenho dúvidas! Se Jesus e seu amor eram uma boa notícia no primeiro século, onde é que esse século enfiou essa boa notícia? Se ela era abrangente, por que vive encaçapada em quatro paredes e limitada as performasses? Não duvido que tenha “virado a cabeça” de pessoas naquele tempo; mas hoje, se isso acontece, não consigo acreditar que tenha a mesma potência de abranger as diferenças – os judeus e ‘pagãos’/gentios atuais.

Da mesma forma que Israel encerrou-se em seu livro de fé (Torá), fazendo dele, praticamente, uma deidade tutelar e, a partir dele manteve-se cativo do próprio nacionalismo, território e sangue, assim, os cristãos parecem cometer o mesmo abuso: tutelam sobre os cuidados da bíblia, interpretando de forma individualista e materialista inúmeras passagens fora de seu contexto; reduzem o deus YHWH, Jesus e o E.S. à protetor(es) e ídolo(s) de sua crença; e limitam o Reino desse(s) deus(es) a um conselho entre rapto ao céu ou descida ao inferno (dependendo da decisão). Uma lastima como evangelho, se isso realmente for o que Jesus quis dizer!

Entardecer de um dia pensativo; nostalgia pura. Aí, me veio à mente um dos poemas do Pessoa. O tempo voa e o apego às coisas que se foram surgem sempre que precisamos de ‘nortes’. (foto tirada de algum entardecer nesse Outono)

outono

“Eu amo tudo o que foi / Tudo o que já não é
A dor que já me não dói / A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou, / O que deixou alegria
Só porque foi, e voou / E hoje é já outro dia.” 
Fernando Pessoa

Rafael de Campos

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com

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