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Estalos de Leitura #1 – Rafael de Campos

Muito facilmente perdemos “dos olhos” a admiração. Essa, a admiração, era para Platão uma virtude fundamental e inicial para todo aquele que se dispusesse amar a sabedoria. A admiração se encontra, quase sempre, nos olhos e atitudes das crianças; em adultos, em extinção. A adultez enrijece o “ego”, fortalece os pressupostos e enfraquece o olhar para o mistério. Talvez fosse necessário a pulverização ou a infantilização dos nossos argumentos, para se tornar necessidade em nós, novamente, o admirar-se com as pequenas coisas. Um tal Jesus, há anos atrás, respondendo seus discípulos, referiu-se a uma ‘disposição infantil’ aos que quisessem “entrar em seu Reino”. Talvez porque sabia que transformar-se novamente em criança fosse sinônimo de voltar a ver de forma maravilhada a vida dura e conturbada criada pelos homens; ou, então, que tornar-se criança daria aos adultos os olhos admirados de paixão por aquele que dizia ser seu salvador.

3 coisas que tenho aprendido (até aqui) com a filosofia?

1 – Viver é filosofar. Assim, todos que se compreendem vivendo em um dado período histórico e uma dada situação podem filosofar;
2 – Filosofia vai além da realidade presente do ser porque é totalmente dependente do passado para o pensar atual, sendo necessário o imbricamento dialético;
3 – Filosofia, como saber, é um laboratório de ideias para o revigorar do pensamento; sem pensamento não há filosofia e, sem pensamento autônomo não há novos edifícios. Seja qualquer “novidade” ou “interpretação”, a filosofia (como muitos saberes) tem um objetivo: a busca da verdade.

Li certa vez que a “beleza” salva. Acreditei piamente, pois em tempos de falta, seja da fé, esperança e do amor, é a beleza que nos conforta. Na ausência do ombro amigo, a beleza nos abraça. Na angústia e dias cinzentos da alma, tem sido a beleza minha companhia.
Então, em minha falta sempre busco a beleza. Sou sortudo por ainda manter os olhos fixos e os sentimentos amolecidos em sua persuasão.

Todo ENCONTRO nos transporta para algum lugar – seja ele um lugar real ou utópico; nos mostra alguma coisa que precisávamos encontrar e que ainda não fazia parte de nós – seja essa coisa uma ideia, uma nova interpretação, uma nova cosmovisão, etc.
Todo ENCONTRO tem o poder de nos humanizar e gerar (nos tornar grávidos) novos “eus” que ainda não havia sido revelado por faltar o “outro”. Todo ENCONTRO nos torna novas criaturas…

A boa notícia (o evangelho) não se refere a nós individualmente (você e eu). Nos termos como Paulo a descreve, ela se refere a Deus e à criação de Deus. Isto é, não somos os protagonistas do evangelho, somos parte do projeto maior que se encaixa na boa notícia acerca da nova criação (estalos de leitura em N. T. Wright).

 

Rafael de Campos

Rafael de Campos
elfaracampos@hotmail.com

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