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Monotonia

O que o amor de mim exige
não há razão sentida
excede a exatidão vaga
um silêncio, o vazio, o nada
expele a minha pele
corpo frio sem alma
sem viço ou quase-vida
pois já não há sequer desejo
junto a roupa, a calma
e me afasto leve
antes que resvale
o toque que um dia fora beijo

Houve amor, sim, um dia
uma chama acesa, euforia
veio o tempo, uma afasia
desfez-se o belo em fantasia
e a novidade – o bom da vida
revelou-se monotonia.

Wilson Chagas
wilson.gamararte@hotmail.com
wilson-chagas

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