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Filhos e Tecnologia

É inegável o quão fundamental a tecnologia se tornou em nossas vidas no mundo atual: modificou nossa forma de trabalhar, nossas atividades domésticas, a forma de interagir, se relacionar e se informar. Pra nós, adultos, é um processo de aprendizagem e adaptação diário, mas para nossos filhos simplesmente faz parte de ser e estar neste tempo; dá até pra desconfiar que já nasceram com esse “chip”.

Nesta invasão tecnológica vieram as redes sociais, os canais, as formas alterativas de comunicação que já se tornaram, na realidade, um padrão, mais regra que exceção. Estão em grande parte do que realizamos e de como nos comunicamos; o que define sua qualidade é a forma como são usadas.

Pelo fato das mídias não serem essencialmente maléficas ou benéficas, acredito que nossa tarefa enquanto pais é a de estar atento para conseguir proteger a nós e nossos filhos do que entendemos enquanto danos possíveis de um uso inadequado; bem como também faz parte do nosso papel compreender e reconhecer seu potencial enquanto ferramenta para o bem e um uso saudável.

Balança difícil esta! Na prática acredito que sabemos como proceder: colocamos regras, tempo e limites para o uso, controle de conteúdo, senhas e rastreadores. Buscamos todos os recursos na tentativa de lidar com a distância que essa experiência nos coloca de nossos filhos. Mas, o que mais está por trás deste funcionamento atual, que não estamos conseguindo enxergar?

A dinâmica dos novos tempos fala do abismo que alimentamos em nossas relações. Pais e mães que trabalham muito, filhos em atividades em tempo integral e vínculos virtuais rasos, sem olho no olho, toque, tom de voz, tempo e disposição. Para nossos filhos é a chance de buscar independência, visto a falta de controle dos pais/responsáveis e professores sobre o uso das redes sociais.

As redes acabam sendo também o espaço através do qual nossos filhos buscam referências, testam sua aceitação social e afetiva, se asseguram pelo gosto comum e constroem parte de sua identidade. É o lugar em que me exponho sem ter um rosto e me arrisco de forma protegida. É aí que está a grande questão: falta experiência de vida real, em um universo que eu não “desligue” quando eu tiver que encontrar recursos para lidar com algo que eu não controlo. Experiências virtuais de forma maciça podem tornar nossos filhos muito vulneráveis para o mundo real.

Ou seja, é parte importante do nosso papel ajudar nossos filhos a se manterem conectados com o real e acredito que o melhor caminho ainda seja a conversa. Eles precisam acreditar na possibilidade de falarmos a mesma língua, precisam confiar para buscar nossa ajuda e orientação. Daí a necessidade de estarmos inteirados, atentos e coerentes para podermos ser exemplo.

Cabe a nós ensiná-los a usar as ferramentas que o mundo proporciona, discutir o tempo, a intenção e a motivação para usá-las. Não é apenas quando se quer ou se sente apto para, mas sim quando se compreende o uso e se percebe pronto para assumir tal responsabilidade. É preciso ter disposição para ouvir, dialogar e estabelecer acordos que precisarão ser cumpridos com firmeza e segurança.

Isso não diz de privar nossos filhos da possibilidade de amadurecer no cenário em que estão inseridos, mas sim de criar um acesso menos invasivo e mais participativo na vida deles, dentro e fora das redes sociais. Compartilhar experiências pessoais, levantar assuntos, assistir documentários/filmes, promover atividades que favoreçam uma troca sincera e saudável são caminhos. Seja presente e nunca esqueça que é uma via de mão dupla: ofereça aquilo que deseja receber!

Maria Amélia Aderaldo
Psicóloga Clínica e Hospitalar
(11) 9.9971-8648
maderaldo25@gmail.com

Artigo extraído do Site Estadão: http://educacao.estadao.com.br/blogs/aprendendo-a-aprender/filhos-e-tecnologia/

 

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