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Um desabafo: Cansei!

Cansei da obrigatoriedade. Cansei da liturgia. Cansei dos métodos, das campanhas, dos moldes, das manifestações. Cansei da necessidade de resposta para tudo, do sorriso em qualquer situação. Cansei das conversas marcadas, das clínicas, da prestação de contas, até da comunhão eu me cansei um pouco. Na dúvida, a gente decide andar sozinho. Em alguns casos, a gente precisa. Mas quase sempre a gente é forçado.

É isso… Fui me cansando, sabe?! Me desiludindo com as expectativas do não erro, das não falhas, da não crise, da perfeição contínua, das contas pagas em dia. Isso tudo foi perdendo sentindo com o tempo. Não porque minha fé em Jesus-Deus diminui, mas porque minha fé em Jesus-Homem aumentou. Via de regra, eu punha na conta da religião. Ela sempre dava um jeito de camuflar minhas inquietações. Uma doutrina aqui, uma revelação acolá… E assim a gente caminha: anulando as imperfeições,os questionamentos e as paixões.

Não é que eu queira licença para o exercício do pecado. Não. Vocês entenderam errado. O que Jesus-Homem me disse uma vez na pelada é que Ele tinha resolvido isso. Fiquei de boas, né? O pecado está em mim não como um acúmulo de práticas e sentimentos corrompidos, mas como um vírus intratável pelo meu conhecimento científico limitado.

Isso tudo foi me subvertendo. Os olhares piedosos foram me certificando da minha perdição. Me perdi. Uma hora não teve mais significado ou pertencimento. Mesmo que possa parecer às vezes, não foram as decepções, nem as falhas sistêmicas, muito menos os erros do pastor que me jogaram na outra margem do rio (se é que há um). Também não foram os braços de ninguém que fizeram isso, nenhuma disciplina foi capaz, nenhum banco. Foi só o sabor da liberdade mesmo. Muitas vezes amargo, mas sempre compensador. Eu só quis, enfim, tirar alguns pesos das costas. Já tinha caminhado tanto pelos caminhos que julgava estreitos.

Agora, eu só queria, finalmente, olhar esse caminho com meus próprios olhos. Por vezes tão certo de mim, tanta opinião bem formulada, argumento em cima de argumento. Até nada disso fazer mais sentido, nada importar tanto assim. Eu só precisava entrar por aquela porta pequena de novo. Maldita miopia.

Antes que vocês digam, não se preocupem com o certo e errado. Se acalmem, crianças. Tem um sensor dentro de mim que nunca falha nesse julgamento. A má notícia é que ele é individual e intransferível.

Talvez, um dia, eu me arrependa disso tudo. Pode ser que meu galardão esteja bem pobre (vai ser um alívio porque nunca entendi muito bem essa parte da recompensa) ou, quem sabe, eu receba um diploma de sábio e esfregue na cara de muito gente. De uma forma ou de outra, vai chegar um momento em que o Sol vai brilhar pra sempre. E pro desgosto de alguns, eu estarei lá rindo disso tudo; tomando uma cerveja, é claro.

Brenno
brenno.paralaxe@gmail.com
brenno

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