Estêvão disse aos judeus (e porque não, a nós): “Povo rebelde, obstinado de coração e de ouvidos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo! Qual dos profetas os seus antepassados não perseguiram? Eles mataram aqueles que prediziam a vinda do Justo, de quem agora vocês se tornaram traidores e assassinos – vocês, que receberam a Lei por intermédio de anjos, mas não lhe obedeceram”.

Fico pensando em mim, na minha receptividade à verdade e na minha disposição em frutificar a partir daquilo que recebo como revelação divina. A rebeldia se manifesta quando tentamos calar a voz que deflagra o que não queremos enxergar, o que decidimos mascarar, aquilo do qual deliberamos em fugir.

A verdade causa coceira nos ouvidos, incomoda, expõe nossas sombras à luz, joga na nossa cara a necessidade de nos arrependermos e nos convertermos do nosso mal caminho e é justamente quando não queremos encarar essa realidade que há em nós que a rebeldia e obstinação de coração e de ouvidos aparece.

Vocês sempre resistem ao Espírito Santo! O Espírito coloca as cartas na mesa, põe as peças do quebra-cabeça em nossas mãos, nos convencendo do caminho a seguir e da vaidade do nosso caminhar vigente, Ele nos “molesta” com a consciência de que há um jeito de viver mais excelente, Ele aguça nossas percepções acerca do verdadeiro valor da vida, mas mesmo assim, é possível resistí-lo!

A resistência não é necessariamente uma ação radicalmente contra toda manifestação da verdade, mas muitas vezes, resistimos sendo indiferentes, enterrando o que nos foi confiado, deixando de lado a sublimidade da revelação que nos foi comunicada por Deus; o não frutificar  tendo tudo nas mãos para fazê-lo é também um ato de rebelião.

Quando, aos poucos, vamos matando as vozes que falam a Palavra de Deus ao nosso coração, criamos uma barreira interior e uma cauterização da consciência que pode se tornar quase que intransponível. É o caso daqueles que, segundo a carta aos Hebreus, foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, segundo o autor aos Hebreus, é impossível que estes sejam reconduzidos ao arrependimento, pois para si mesmo estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública. “Caíram” é a expressão mais aguda dessa resistência perseverante ao convite do Espírito à experiência da sublimidade da vida de Deus.

Pra encerrar, quero lembrar que ao ouvirem essa denúncia de Estêvão, os judeus o agarraram e o levaram para fora da cidade e o apedrejaram até a morte, apenas comprovando sua obstinação de coração e de ouvidos. A esperança está no fato, de que pouco tempo antes desse discurso, Pedro com o mesmo tom de gravidade e verdade, encontrou mais de 3 mil pessoas que se arrependeram do seu mal caminho e experimentaram uma nova vida a partir daquele dia.

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Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
rodrigoaccampos@hotmail.com

Escrito por Rodrigo Campos

Um caminhante que está disposto a aprender com os erros e acertos, refletindo quais são as verdadeiras importâncias da vida e sua essência!

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