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A solidificação da amizade

Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês, fez uma análise alarmante sobre as relações de amizade em nosso tempo, e suas observações se deram no sentido de nos alertar para o fato de que estamos num tempo de “amizades líquidas”, ou seja, amizades que não se fortalecem, que não superam a superficialidade das trivialidades, que não ganham qualidade e profundidade necessária para permanecerem firmes através das adversidades e dos desgastes do tempo.

A amizade só se solidifica com um trabalho árduo e boa disposição das partes integrantes e interessadas. Assim como o ferro afia o outro ferro, o homem melhora o seu amigo, nos contou o autor do provérbio. Afiar implica em atrito, em aumento da temperatura, em modificação do estado em que se está (adequação), dentre outras coisas. Esses e outros aspectos de uma amizade sólida parecem ser os aspectos dos quais mais evitamos nas relações sociais. Com a facilidade de “bloquear pessoas”, “desfazer amizades”, “mutar a conversa”, “ignorar mensagens”, aprendemos a evitar tudo o que nos é desconfortável, ainda que sejam realidades necessárias para o amadurecimento da amizade.

Seremos amigos de todos os que conhecemos? Claro que não! Mas, não termos amizades sólidas em meio a multidão de conhecidos, realmente pode representar essa superficialidade nas relações conforme nos alertou Bauman. Num mundo de correrias por causa das agendas lotadas e da multiplicação das informações com as quais precisamos lidar diariamente, precisamos priorizar aqueles com os quais pretendemos construir uma boa relação. Jamais deveríamos confiar nossa intimidade a qualquer pessoa, mas a alguns, isso é imprescindível inclusive para a nossa felicidade na vida. Sozinhos a vida é muito mais difícil.

O Reino de Deus é um reino de amigos, disse Ariovaldo Ramos. Os primeiros seguidores de Jesus entenderam isso se doando uns aos outros quase que diariamente, disponibilizando seus recursos e seu tempo para fomentar a construção desse nível de intimidade. Jesus amou seus amigos até o fim, conforme nos relatou João; e esse mesmo João nos lembrou posteriormente que não há maior amor do que dar a vida pelos seus amigos, nos mostrando o nível de entrega que uma amizade pode demandar quando queremos de fato sermos “amigos-irmãos”.

Até na oração do Pai Nosso, ensinada por Jesus, somos convidados a irmos ao Pai carregando nossos amigos-irmãos. Por isso oramos Pai “Nosso” e não “Meu” Pai. Há amigos que, por causa da profundidade da relação, consideramos verdadeiros irmãos!

O que fazer para aprofundar uma relação de amizade? Sermos francos, sinceros, abertos, vulneráveis, perdoadores, tomando iniciativas de aproximação, discernindo se outro quer isso ou se nos quer apenas como amigos por uma temporada, doando tempo, esforço, trabalho, dividindo a própria história, compartilhando os aprendizados, ouvindo, falando, sendo conscientemente presente na vida do outro e persistir quando os dias forem maus.

Não há nada de errado em termos amizades que acontecem por causa de circunstâncias que se coincidiram; há relações que não duram muito por diversas razões, mas é indispensável que tenhamos irmãos-amigos-de-alma nessa existência!

Quem são seus verdadeiros amigos?

O que você tem feito para aprofundar suas relações?

Espero sua contribuição nos COMENTÁRIOS desse post (logo abaixo). Caso não queira se identificar basta colocar “Anônimo” na caixa de texto “Nome”.

rodrigo campos biblioteca

 

 

 

 

 

 


Rodrigo Campos

Um Caminhante Aprendiz

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