Virei meu sofá

A TV sempre foi o centro das atenções
Ainda mais quando inteligência (smart) fez dela uma forma de acessar a grande rede
Comíamos olhando para ela
Às vezes dormíamos ouvindo seu barulho
A usávamos para fazer cursos
A ligávamos para distrair a criança
Qualquer que fosse a desculpa
Ela sempre era alvo de nossa atenção
Até que dei um basta e virei meu sofá pra janela
 
A janela nos apresenta ao vento
Às folhas, ao céu, ao clima
Ao som dos pássaros
A janela nos mostra o mundo real
Sem propagandas, sem assédios comerciais
Sem apelos com segundas intenções
 
Virei meu sofá para mudar a atenção
Virei meu sofá para diminuir o fluxo de informações
Virei meu sofá para comer mais devagar
Virei meu sofá para prestar atenção no presente, no agora
 
Agora a TV fica nas costas
Não como forma de desprezo
Mas, como ordenação da prioridade do que é mais importante
Ela continuará sendo ligada, mas não mais sem reflexão
Sem ponderamento ou por mero costume
Virei meu sofá e minha vida também está virando
Virando para aquilo que expressa os atributos invisíveis do Eterno
Virando para aquilo que geme e aguarda com expectativa
A manifestação dos filhos de Deus
Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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