A Igreja Católica no Século XX

Época Contemporânea

É assim denominado o período que vai de 1914 aos dias atuais, marcado como sendo uma época de crise espiritual, fato marcante deste período é o Concílio Vaticano II e o chamamento universal à santidade.

Os primórdios do Século XX

Leão XIII foi sucedido por pelo Cardeal Sarto que assumiu o nome de Pio X e que viria a ser canonizado. Este iniciou os trabalhos de unificação das leis eclesiásticas que mais tarde se tornariam no Código de Direito Canônico de 1917, determinou a redação de um Catecismo, combateu o modernismo e recomendou a comunhão das crianças a partir da idade do discernimento. Faleceu nas primeiras semanas da Primeira Guerra Mundial.

Bento XV, Cardeal della Chiesa, exerceria o pontificado de 1914 a 1922. Durante a Guerra, a Santa Sé realizaria um grande trabalho em favor das suas vítimas e de localização de soldados desaparecidos. A Bento XV sucedeu Pio XI (1922-1939): durante o seu período na Santa Sé assinou o Tratado de Latrão que instituiu o Estado da Cidade do Vaticano. Condenou os erros do fascismo na carta Encíclica Non abbiamo bisogno, escrita não em latim, mas na língua italiana, para que não se tivesse dúvida a quem se dirigia. Criou e incentivou a Acção Católica destinada a orientar o apostolado dos leigos, desenvolveu também a ação missionária. Inaugurou a Rádio Vaticano inserindo a Igreja na era da tecnologia das comunicações, criou um observatório astronômico e foram criadas universidades católicas na Itália, Holanda e Polônia.

Durante o pontificado de Pio XI foi assinado o Tratado de Latrão dando início ao reconhecimento internacional do Estado do Vaticano tendo o Papa como seu soberano e determinando o fim da chamada Questão Romana. Em 1931 Pio XI publicou as Encíclicas Casti Connubii e Quadragesimo anno por ocasião dos quarenta anos da publicação da Rerum Novarum do Papa Leão XIII atualizando a Doutrina Social da Igreja e a Divini Redemptoris, em que condenou os erros do materialismo marxista e os do comunismo ateu, ideologia oficial da União Soviética.

Publicou também a Encíclica Mit brennender Sorge (Com ardente ansiedade) em alemão, para condenar os erros do Nazismo e sua doutrina racista, que foi lida em todas as igrejas alemãs em 1937, o que determinou o recrudescimento da perseguição contra os católicos pelos nazistas. Foi um tempo de florescimento da Igreja que teve como contraponto a perseguição e o mártírio de muitos cristãos. Na Rússia comunista e no México a perseguição teve dimensões inéditas. Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), foram assassinados sete mil religiosos espanhóis por “ódio à religião”, pelo só fato de serem religiosos católicos.

A Segunda Guerra e o pós-Guerra

A Segunda Grande Guerra produziu muitos mártires católicos, dentre eles se destacam Edith Stein e Maximiliano Kolbe e ainda os beatos Rupert Mayer e Alojs Andritzki, nesta mesma época o Arcebispo de Berlim, Cardeal von Preysing e o beato von Galen, cardeal e bispo de Münster, destacaram-se na denúncia dos crimes do nazismo.

O Cardeal Pacelli tomou o nome de Pio XII (1939-1959), quando os nazistas ocuparam Roma, acolheu no Vaticano milhares de perseguidos, de todos os credos e raças e nacionalidades. Por uma grande soma de dinheiro resgatou 200 judeus e, com a sua aprovação, Monsenhor Hugh O’Flaherty, alto funcionário da Congregação do Santo Ofício, organizou uma rede clandestina de auxílio aos perseguidos que permitiu que fossem salvos milhares de judeus e comunistas.

Desde 1939 não se nomeavam novos cardeais. Pio XII, em 1946, procedeu à nomeação das 32 vagas existente num colégio de cardeais que na época era de 70 cardeais. Nomeou quatro cardeais italianos e vinte e oito de outras nacionalidades. Dava o primeiro grande passo para retomar a nota da universalidade da Igreja que seria revigorada no Concílio Vaticano II.

Em 1950, Pio XII proclamou solenemente o dogma da Assunção da Virgem Maria cuja tradição já era celebrada desde São Leão Magno, no século V (15 de agosto) e consagrou a Humanidade ao Imaculado Coração de Maria. Criou 190 dioceses e incentivou a criação de novas instituições na Igreja. No seu tempo a divisão da Europa aumentou o sofrimento da Igreja e a perseguição religiosa no Leste Europeu, do outro lado da Cortina-de-Ferrosobressaíram a têmpera dos cardeais Mindszenty, Stepinac e Wyszynski, e, silenciosamente, forjava-se o Cardeal Karol Wojtyla, que mais tarde viria impressionar o mundo. Editou a encíclica Humani Generis (1950) que critica os erros do neo-modernismo. Nesta década Madre Teresa de Calcutá funda a ordem das Missionárias da Caridade cujo trabalho chamará a atenção do mundo inteiro.

O Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II foi convocado por João XXIII, em 25 de dezembro de 1961, através da bula Humanae salutis, com o objetivo de promover o incremento da fé católica e uma saudável renovação dos costumes do povo cristão, e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do nosso tempo. Os trabalhos foram abertos oficialmente em 11 de outubro de 1962 e foi encerrado em 8 de dezembro de 1965. O Concílio recordou o chamamento universal à santidade.

A era do concílio ficou conhecida como a “Primavera da Igreja”, o Concílio estabeleceu um importante programa de renovação da Igreja e promulgou documentos que servem de parâmetro para ação da Igreja. Um dos mais conhecidos documentos conciliares é a Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo atual. Entre várias renovações, este concílio reformou a Liturgia, a constituição e a pastoral da Igreja (que passou a ser alicerçada na igual dignidade de todos os fiéis e a ser mais virada para o mundo), clarificou a relação entre a Revelação divina e a Tradição, e impulsionou a liberdade religiosa, o ecumenismo e o apostolado dos leigos. Não foi proclamado nenhum dogma, mas as suas orientações doutrinais e práticas são de extrema importância para a Igreja atual.

  • Chamamento universal à santidade

O Concílio Vaticano II recordou ao povo de Deus a sua vocação universal à santidade, isto é, todos os fiéis devem desejar viver a santidade, que consiste na plenitude da vida cristã e na perfeição da caridade. Não obstante isto, esta mensagem e doutrina lembrada pelo Concílo já vinha sendo pregada, desde 1928, pelo fundador do Opus Dei, S. Josemaria Escrivá.

Por ocasião do Concílio, em nome de um pretenso “espírito conciliar”, ocorreu no mundo eclesiástico uma crise de fundo “neo-modernista” com várias práticas contrárias à doutrina e à disciplina da Igreja, em desacordo com os documentos do próprio concílio, afirmando ser a missão da Igreja não a salvação eterna do homem mas que a sua missão haveria que ser de ordem preferentemente temporal.

No Ocidente surge a sociedade de bem-estar e de a de consumo seguidas do materialismo prático que reduz a visão do homem a plano unicamente temporal, por coincidência, simultaneamente, surge a crise das famílias, a separação de casais, a irrupção da violência, o aumento do consumo de drogas, a epidemia de SIDA, em muitos lugares permite-se o aborto e a mentalidade antinatalista faz com que vários países tenham sérios problemas demográficos. A estes problemas a Igreja responde com a proclamação da íntegra do seu magistério.

Em 1968 o Papa Paulo VI edita a encíclica Humanae Vitae sobre os problemas do matrimônio e da família, em especial sobre o uso de contraceptivos artificiais, e o Credo do Povo de Deus onde reafirma as proposições fundamentais da fé católica, com ênfase nas questões mais atuais que contrariam a doutrina da Igreja. O Papa João Paulo I em brevíssimo pontificado sucede a Paulo VI.

João Paulo II e o Terceiro Milênio

Pela primeira vez em quatro séculos e meio foi eleito um Papa que não tinha origem na Itália. O cardeal Karol Wojtyla, de origem eslava, para surpresa do mundo, é eleito para exercer um dos pontificados mais longos em dois mil anos de história da Igreja. João Paulo II realiza uma grande reforma na Igreja em extensão e profundidade com os olhos postos no Concílio Vaticano II do qual tomou parte. Segundo Bento XVI “João Paulo II acolheu particularmente em todos os seus documentos, e ainda mais nas suas opções e no seu comportamento como Pontífice, as exigências do Concílio Ecuménico Vaticano II, tornando-se assim qualificado intérprete e testemunha coerente. Foi sua preocupação constante fazer conhecer a todos que vantagens podiam surgir do acolhimento da visão conciliar, não só para o bem da Igreja, mas também para o da própria sociedade civil e das pessoas que nela trabalham.

No seu pontificado foi reafirmada mais uma vez a doutrina imutável da Igreja em toda a sua amplitude. Em 1985 convocou uma Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, “com a finalidade de aprofundar o ensinamento do concílio, promover o seu conhecimento e aplicação. Atendendo ao desejo dos Padres Sinodais “determinou a publicação de uma versão do Catecismo da Igreja (1992) e do seu Compêndio (2005) – póstuma – bem didática, que facilitasse a sua compreensão pelo homem moderno.

Determinou uma atualização do Código de Direito Canônico, promulgando um novo em 1983, para que a nova legislação canônica se tornasse um meio eficaz para que a Igreja possa aperfeiçoar-se, de acordo com o espírito do Vaticano II, e cada dia esteja em melhores disposições de realizar a sua missão de salvação neste mundo. Enfrentou os problemas morais, sociais e filosóficos do seu tempo sobre todos manifestando de modo claro o Magistério da doutrina católica. Combateu o comunismo e é apontado como o principal responsável pela “Queda do Muro de Berlim” e pela dèbacle dos regimes da “Cortina-de-Ferro”; foi um crítico do materialismo, do consumismo, do hedonismo, do antinatalismo, do aborto, do capitalismo selvagem e do marxismo. Afirmou que o principal capital da empresa são os seus empregados e que estes precedem em importância ao capital e ao lucro.

  • Teologia da Libertação

João Paulo II condenou com clareza a denominada “teologia da libertação“, que tem uma visão marxista da religião e do mundo aprovando o documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé: Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”. No qual se encontra dito que A presente Instrução tem uma finalidade mais precisa e mais limitada: quer chamar a atenção dos pastores, dos teólogos e de todos os fiéis, para os desvios e perigos de desvio, prejudiciais à fé e à vida cristã, inerentes a certas formas da teologia da libertação que usam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista.

Consolidou a Doutrina Social da Igreja (2004) e mandou que fosse publicado um compêndio sobre o assunto (póstuma), documento marcante sobre os temas sociais é a encíclica Centesimus Annus (1991) publicada por ocasião do centenário da Rerum Novarum e ainda, Laborens exercens (1981) e Sollicitudo rei socialis (1987) que constituem etapas marcantes do pensamento social católico.

  • Sínodo sobre os leigos

Em outubro de 1987, convocou em Roma um Sínodo dos Bispos, sobre o tema A Missão dos Leigos Na Igeja e no Mundo. Com data de 30 de dezembro de 1988, foi publicada a Exortação Apostólica post-sinodal Christifideles Laici, acerca da vocação e missão dos Leigos na Igreja e no mundo. Na Exortação Apostólica Christifideles Laici (30 de dezembro de 1988) relembrou aos leigos os seus deveres cristãos na vida da sociedade e o seu chamamento universal à santidade que fez o Concílio Vaticano II. Em aplicação dos textos conciliares, a Santa Sé erigiu o Opus Dei como Prelazia Pessoal (1982), fenômeno ascético e pastoral de singular importância que desde 1928 vinha difundindo esta mensagem.

  • O Cisma de Lefèbvre

Em 30 de junho de 1988, Marcel Lefèbvre, Arcebispo, consumou o cisma ao ordenar bispos sem mandato apostólico quatro de seus seguidores na Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X, em desobediência aos cânones 1013 e 1382 do Código de Direito Canônico, alegando ser guardião da fé e rejeitando o espírito do Concílio Vaticano II. A Santa Sé fez todo o possível para evitar que se chegasse a esta situação. Recusando o convite do Papa para regressar à plena obediência ao Vigário de Cristo, incorreu em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica. Em 2 de julho de 1988 João Paulo II instituiu a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei “com a tarefa de colaborar com os Bispos, com os Dicastérios da Cúria Romana e com os ambientes interessados, a fim de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, dos seminaristas, das comunidades ou de cada religioso ou religiosa ligados de diversos modos à Fraternidade fundada por Dom Marcel Lefèbvre, que desejem permanecer unidos ao Sucessor de Pedro na Igreja Católica.”Foram dados passos importantes pela Santa Sé visando um processo de gradual reintegração em 2007 mediante a extensão à Igreja Universal da forma extraordinária de Rito Romano e, em 2009, com a abolição das excomunhões. No entanto, como as questões doutrinais se mantém, e, enquanto não forem esclarecidas, “a Fraternidade Sacerdotal de “São Pio X” não pode usufruir de um estatuto canônico na Igreja e os seus ministros não exercem de modo legítimo nenhum ministério na Igreja.”

  • Família e cultura da vida

Reafirmou a posição da Igreja em favor da vida e combateu o que denominou de cultura da morte nas encíclicas Evangelium Vitae (1995) e Veritatis Splendor (1993), onde aborda também diversas questões morais e filosóficas da atualidade. A crítica ao ateísmo e à fé sem razão é feita na encíclica Fides et Ratio (1998).

Promoveu-se, no seu pontificado, uma intransigente defesa dos valores da família e da doutrina católica sobre a família. Neste sentido foram publicados, principalmente, os documentos Carta Apostólica Mulieris Dignitatem ( 15 de Agosto de 1988), Carta às Mulheres (29 de Junho de 1995), Carta aos Anciãos (1° de Outubro de 1999), Carta às Crianças(13 de Dezembro de 1994), Cartas às Famílias (2 de Fevereiro de 1994) e a Exortação Apostólica Familiaris Consortio (22 de novembro de 1981). A partir de 1994 deu início aos “Encontros Mundiais da Família”, foi incentivada a pastoral da juventude e as “Jornadas Mundiais de Jovens” – JMJ. Fez ainda incluir na Ladainha de Nossa Senhora a invocação Regina Familiae (Rainha das Famílias).

Firme na ortodoxia católica não deixou de incentivar o ecumenismo, determinou a revisão do processo de Galileu Galilei e modernizou o processo de canonização dos santos, para servirem de exemplo e para mostrar que a santidade é alcançável ao “homem comum”. A ação pastoral da Igreja foi reavivada com as dezenas de viagens internacionais que fez, sem precedentes em toda a história da Igreja.

Renovou todo o Colégio de Cardeais exceto um, e foi sucedido pelo único cardeal presente ao Conclave que não havia sido por ele nomeado, mas por Paulo VI: Joseph Ratzinger que tomou o nome de Bento XVI, em 19 de abril de 2005. No século XXI a maioria dos católicos não pertence mais à velha Europa mas aos povos do chamado Terceiro Mundo. Hoje a Igreja aparece como a grande defensora do homem, da sua dignidade de criatura e filho de Deus e do seu direito à vida e à liberdade. Na nova humanidade de finais do século XX, o Cristianismo aparece, em suma – exatamente como nos seus começos – como a religião dos discípulos de Cristo.

Extraído da Enciclopédia Virtual Wikipedia


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