The Dones #12 – Manejo da verdade

Quando a verdade se tornou mais importante que o amor?

Quando cresci no cristianismo, me ensinaram que você tinha que acreditar na verdade para ser salvo. Claro que amar uns aos outros foi encorajado, mas certamente não com a mesma paixão. Então, viver a doutrina e defendê-la quando desafiado era mais importante do que amar os outros, mesmo que Jesus especificamente nos dissesse para fazer o último. Na verdade, ele disse que nossa capacidade de amar ganharia o mundo, não nossa eloquência com a verdade.

De fato, a verdade sem amor, muitas vezes, mais destrói as pessoas do que as ajuda. Aqueles que exploram a teologia sozinhos e não mergulham nas profundezas do amor e do caráter de Deus inevitavelmente se tornarão desagradáveis como pessoas. Para esses tudo se reduz a acreditar no que é certo e aquilo que perdem pensando assim, é o próprio processo de transformação.  Muitas vezes são pessoas irritadas, manipuladoras e julgadoras. Em que base, então as verdade os libertou? Eles se tornaram mais gentis, amorosos e carinhosos com os que estão perdidos? Em minha experiência, constatei que não!

Por isso, Jesus e Paulo nos disseram que o amor era mais importante porque sabiam que, sem o amor, as pessoas não poderiam descobrir a verdade. Estou convencido de que a verdade pode ser dita sem amor. Você fala a verdade sem amor e então ela não produz seus efeitos. O amor não pode viajar sem a verdade. O amor sempre procura o que é verdadeiro e, em seguida, graciosamente atrai as pessoas para a luz. Nunca precisamos escolher o amor à custa da verdade quando apreciamos que o amor é a parte mais importante da verdade e do ambiente em que as pessoas são mais livres para descobrir o que é verdade.

Infelizmente, no entanto, durante dois mil anos, os cristãos apostaram sua identidade em estar certos. As batalhas sobre a doutrina certa, até as minucias insignificantes, nos dividiram em inúmeras facções, cada uma acreditando que eles têm mais verdade do que os outros. Para que em vez de aprender a amar uns aos outros além de nossas diferenças, cada diferença se tornou uma prova de quem está certo e de que quem está errado. Nós somos sugados e atraídos no mesmo jogo que o mundo joga, de ter que convencer aqueles que não concordam com a gente de como eles estão errados.

Eu vejo as consequências disso todos os dias na minha interação no Facebook, especialmente porque as pessoas tentam convencer seus amigos de que a verdade que eles vêem é a verdade que todos precisam acreditar. E quanto mais insegura é a pessoa, mais elas são atraídas para a batalha em prol da verdade, ao invés de aprenderem a amar. Nós gastamos muito mais energia tentando provar que alguém está errado do que ajudando-os a descobrir o quanto eles são amados.

Muitas vezes o fazemos sem sequer pensar. recentemente eu pedi a opinião de algumas pessoas em relação ao design da capa de um livro. Eu consegui mais de 300 respostas e a maioria registrou sua preferência como se fosse a única opção certa. Para muitos, as pessoas que não viram o design como elas viam, estavam erradas. Para elas não era apenas uma questão de visões diferentes acerca da mesma questão. Quando já não conseguimos separar a preferência do fato, nos expressamos de maneira hostil e isso fecha mais portas do que abre.

Em nenhum lugar isso é mais evidente hoje do que no argumento sobre se alguém deve ou não ir a uma congregação local para ser cristão. Todos lutam pelo seu próprio ponto de vista convencido de que qualquer pessoa que discorda deles é errada. Um busca validação em sua experiência de fé, o outro exige adequação e conformidade ao seu modo de pensar e ambos dividem o corpo de Cristo não com base na Verdade, mas preferência pessoal. Grande parte da angústia que eu vi naqueles que estão cansados de instituições religiosas é resultado da “necessidade” de convencer aqueles que se encontram nesses sistemas de que o que eles estão fazendo é errado e prejudicial, ou por outro lado, vejo a mesma condição naqueles que estão tentando convencer os que estão fora desses sistemas, de que não podem fazer parte da igreja de Jesus sem ser um membro comprometido de uma instituição local.

E como observei ao longo dos anos, alguns dos que mais defendiam ardentemente as congregações locais, quando as lideravam eram os mais condenados agora que estão fora delas.

Se você viver naquela ideia de defender o certo e o errado, você acabará condenando os outros para tentar se validar. Muito desse diálogo decorre da insegurança – pessoas que precisam de afirmação de outros para validar suas próprias conclusões. Ambos não entendem a natureza da verdade e nem a maneira como Deus nos conduz a ela. É claro que esse conflito é exacerbado pelas plataformas das redes sociais, porque um comentário arrogante e polarizador gera mais respostas hostis do que respostas educadas e graciosas. Nós nos preocupamos mais com o fato de estar certos sobre um problema do que sermos corretos uns com os outros.

“A verdade não pode ser comprometida”, é o lema de ambos os lados de qualquer conflito e, enquanto a verdade está na boca dos que lutam entre si, infelizmente não reconhecemos que na verdade não estamos lutando pela verdade, mas apenas pela nossa visão acerca da verdade e isso é completamente diferente. Quantas vezes você defendeu ardentemente algo que descobriu mais tarde que era baseado em um mal entendido ou desinformação? Uma das alegrias desta jornada é descobrir que a sabedoria de Deus excede a nossa sabedoria em tudo, e estamos constantemente crescendo para entender o que é verdadeiro e quais são apenas as tentativas dos nossos desejos. É por isso que Jesus queria que saibamos que a Verdade não era o alinhamento perfeito de nossos dogmas doutrinários, mas nossa conexão com uma Pessoa que é a própria Verdade. Ao acreditar nele, acreditamos em toda a verdade, mesmo nas partes que ainda não conhecemos ou que ainda nos confundimos.

É por isso que um dos sinais reveladores de alguém que cresce na verdade é a humildade. Saber que eles vêem vagamente a realidade de Deus permite que eles a abracem levemente e não busquem forçá-la aos outros.

O seu tom expressa que este é o melhor que eles vêem hoje, e que essa não é a única maneira pela qual um filho verdadeiro de Deus vê-lo. Quando você ouve esse tipo de linguagem dogmatizadora, afaste-se. Esses são aqueles que conhecem a doutrina melhores do que conhecem a Ele. Encontre aqueles que podem discutir a diferença de opinião graciosamente, sabendo que o amor, e não o julgamento, é a melhor maneira de ajudar as pessoas a descobrirem a verdade e que o crescimento na verdade tem mais a ver com aprender a depender Dele do que acumular conhecimento intelectual sozinho.

Nada disso é dizer, é claro, que a verdade não é importante, só que a maior parte de nossa verdade não é uma verdade com um V maiúsculo, mas simplesmente nossas próprias conclusões com base no conforto que nos dá no momento. Eu também desejo que nossa teologia seja coerente e forte, não sou um relativista. Não acredito que todos possam decidir o que é verdade. O que é verdadeiro no universo é como Deus criou o trabalho e nos criou para viver nele. Onde abraçamos essa realidade, nós conseguimos viver livremente mesmo em um mundo quebrado, não imune a sua dor, mas também não dominado pela dor. Há apenas alguns ítens preciosos que provém a base da vida em Cristo e nenhum deles são essencialmente mais valiosos do que o amor, visto que o amor abre a porte para a verdade.

Uma das declarações mais frequentes de Jesus é: “Vocês conhecerão a verdade e a verdade os libertará” (João 8:32). Principalmente essas palavras são mal aplicadas de tal forma, como se Jesus estivesse se referindo a um conjunto certo de crenças e isso é usado para justificar as pessoas que forçam seu ponto de vista sobre os outros. E se, no entanto, Jesus não estivesse enfatizando naquilo que a verdade é capaz de fazer, mas sim, em como compartilhá-Lo com os outros? É valioso quando a verdade liberta as pessoas, e desastrosa quando ela é usada para manipular as pessoas para fazer o que achamos melhor.

Os caminhos do mundo são todos construídos sobre mentiras – mentiras sobre Deus, mentiras sobre nós mesmos, sobre o sucesso e o fracasso, sobre o que valorizamos e sobre o como atraímos os outros. Acredite, as mentiras levam você a ficar preso por elas num espiral de morte longa e lenta. A verdade é a luz brilhante que penetra na escuridão. Nossa tendência não é correr para isso, mas sim proteger nossos olhos para que permaneça no falso conforto dessas mentiras. O amor é o que faz da luz um convite e não um repelente!

Quando leio os Evangelhos, estou cada vez mais consciente de quão cuidadoso Jesus foi com a verdade. A verdade é algo poderoso. Pode explodir o mundo inteiro de alguém. Isso é ótimo quando eles estão prontos para isso, mas pode ser horrivelmente destrutivo se eles não estão. É por isso que ele estava tão atento como, quando e a quem compartilhou a verdade. Às vezes, ele a contava em histórias para que as pessoas que não estivessem prontas para recebê-la não entendessem isso.

Se você já tentou convencer alguém de que algo é verdadeiro quando eles não querem ouvir isso, você sabe o quanto é impossível. Quando Jesus falou claramente, ele estava conversando com aqueles que eram curiosos. Mesmo assim, ele não falou sobre a verdade como um conjunto de conceitos teológicos para acreditar, mas a verdade que te permite ver para além das mentiras que te atrapalham e levar você à liberdade que envolve a realidade de Deus. O único momento que ele confrontou pessoas que não estavam prontas com a verdade era quando suas ações estavam causando grandes danos aos outros e, mesmo assim, não foi ouvido. Não há nada mais glorioso do que a verdade que traz liberdade e não há nada mais destrutivo do que espancar os outros com a verdade que pensamos que deveriam ouvir.

Quinze anos atrás eu estava andando em um carro com meu pai quando ele me fez uma pergunta: “Você gosta do que está fazendo agora?” Cinco anos antes, eu tinha sido pastor de uma congregação crescente na área central da Califórnia. Através de um conjunto doloroso de circunstâncias eu me separei desse grupo e ele não sabia como eu estava em relação a consultoria, a escrita e as viagens. Eu pensei que ele estava realmente perguntando se eu sentia falta de ser pastor.

Eu pensei sobre isso por um momento e percebi que eu tinha deixado de ser um líder de um sistema baseado em conformidade e me tornei um irmão que anda ao lado das pessoas que procuram encontrar sua liberdade em Cristo. Respondi: “Bem, papai, eu costumava andar com um conjunto de chaves, certificando-me de que todos estavam presas em seus chaveiros.  Nos últimos cinco anos, andei vagando pelos mesmos corredores, mas desta vez destrancando as prisões que mantém as pessoas cativas”.

“Isso soa bem”, ele respondeu.

Exato! E não se trata de saber se as pessoas frequenta uma congregação ou não. Isso é sobre o fato de ter tido a responsabilidade de conformar as pessoas com o que eu pensei que era melhor para elas, em vez de libertá-las para viver em um relacionamento afetivo com Deus e deixá-lo mudá-las conforme sua vontade. Nunca me arrependi dessa escolha. Eu vi muito mais frutos aumentar ajudando-os a serem livres do que quando queria fazê-las acreditar em minhas conclusões ou atender às minhas expectativas.

Eu nunca mais tentei convencer ninguém de nada. Eu falo com pessoas famintas sobre a realidade de Deus como eu melhor entendi. Quando eles estão prontos para isso, eles respondem de maneiras que libertam e cumprem. Quando não estão, eu mesmo digo as palavras com mais atenção, procurando uma maneira de amá-las ao invés de tentar colocá-las em linha reta. Somente o Espírito pode prepará-los para a verdade que ele deseja respirar em suas vidas. Quanto mais eu tento convencê-los, mais eu os afasto da luz que eu quero que eles vejam. Em vez disso, eu quero tratá-los de uma maneira que os convide para a órbita de Seu amor, onde eles estarão melhor preparados para ver através de sua decepção e abraçar o que é a verdade.

É por isso que o amor é o caminho mais excelente. Sem ele, a verdade não vai encontrar o seu caminho no mundo.

Wayne Jacobsen
Tradução livre do artigo “The Phenomenon of The Dones” de https://www.lifestream.org/the-phenomenon-of-the-dones/
wayne


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