Pensamentos Aleatórios #31

Quando Jesus disse “seja o seu sim, sim e o seu não, não”, Ele estava dizendo que as palavras que dizemos precisam ter significado prático, pois de nada vale um sim que vale um não e vice-versa. Segundo ele, quando há essa inversão de significado há também uma emulação do Maligno. Quando suas palavras possuem o significado que advém de sua obviedade (o sim é sim e o não é não) você se torna em alguém digno de confiança! No final das contas, as únicas palavras que são dotadas de autoridade e que são dignas de respeito são aquelas que são pronunciadas coerentemente com sua disposição de praticá-la na vida. Sem essa disposição tudo é hipocritamente vazio e sem sentido para quem faz o discurso. Quão terrível coisa é dizer sim a Deus e ao próximo e, um tempo depois, voltar atrás e viver como se tivesse dito um não!

São 5h da manhã, ainda está escuro lá fora, ventinho frio, poucos acordados, não há barulhos de carros, mas as misericórdias do Senhor se anteciparam, elas já se renovaram sobre nós, o Amado das nossas almas já nos cobriu com seu amor. Resta-nos viver nesse mesmo amor.

Se Jesus criticou os discípulos em certos momentos por serem “homens de pouca fé”, logo há uma dimensão da fé que só é desenvolvida a partir de uma entrega que parte de cada um de nós. Não tem nada a vê com “quantas vezes peço oração aos outros”, tampouco com “quantos sacrifícios religiosos eu ofereço”. Fé é confiar, implica em abrir mão da meticulosidade de estar no controle de situações em que basta saber e descansar no “cuidado” do Pai. A verdadeira fé cura a insônia advinda das preocupações, ou seja, te torna capaz de dormir num barco açoitado por fortes tempestades. A fé nos conduz à paz que excede todo entendimento.

Filosofar não é um exercício elitista, disponível apenas aos possuidores de rapidez e alta capacidade de raciocínio, pelo contrário, está disponível a todo e qualquer ser humano interessado em verificar a validade ou não de pensamentos, crenças, ideologias, esquemas mentais etc. Tudo isso motivado pelo amor à sabedoria e pelo desejo de conhecer e ressignificar sua própria vida e o mundo a sua volta. A Filosofia busca a lucidez da compreensão das realidades possíveis e uma das suas maiores virtudes é ensinar a pensar reflexivamente! Ela é absolutamente ilimitada nas suas afirmações? Claro que não, sempre lidaremos com mistérios e relatividades. Ela é dispensável e substituível? Só será caso houver em nós uma consciente inclinação a entregar a gestão de nossa vida a pensamentos não refletidos, a motivações não avaliadas e a fluxos automáticos e “zumbificantes”.

Há mais aprendizado e vínculo relacional em uma roda de amigos conversando de forma franca e aberta sobre seus medos e desafios na vida do que numa conferência ouvindo um preletor renomado abordando a respeito de um determinado tema. Isso talvez explique porque Jesus, na maior parte do tempo preferia entrar na casa das pessoas, almoçar com elas, interagir com suas questões (perguntas) e lidar com suas angústias (curando suas enfermidades, expulsando os espíritos imundos, etc). Jesus amava (e ainda ama) viver a experiência do simples convívio com as pessoas, especialmente em torno da mesa (almoço, festa de casamento, piquenique no monte com pães e peixes multiplicados, santa ceia, etc). Talvez isso devesse resignificar o nosso jeito de ser “igreja”.

Now is the rest time!
Don’t work all the time.
Your body has limits.
Sit down, take your time.
Breath deeply, think in Father’s love.
Trust in him.
Give yourself to his hands.
And sleep in peace!

Os nascidos do Espírito, disse Jesus, são como o vento: não se sabe de onde eles vieram nem para onde vão! Deus nos sopra pra onde Ele quer, e nós devemos viver com leveza, flexibilidade e disposição obediente para simplesmente se deixar levar por esse sopro. Se estivermos apegados demais às coisas dessa vida, se nossa estaca estiver fincada na nossa condição atual (tal qual uma âncora que cai sobre a terra estabiliza o movimento do navio) então seremos incapazes de experimentar o movimento que o Espírito requer de nós na vida.

Há também os que querem domar os nascidos do Espírito. São pessoas que querem criar cercas, querem conter aquilo que não pode ser contido, querem estabelecer limites àquilo que tem vida própria e age ilimitadamente no coração dos que seguem a voz do Bom Pastor. Os domadores de vento tem medo da liberdade, acham arriscado demais alçar voo, criam métodos, fórmulas, das mais escrachadas às mais sutis, pra impedir que as pessoas vivam a experiência própria de serem conduzidas pelo Espírito que quer guiá-las a toda verdade. No final das contas estes querem fazer o papel de Deus na vida das pessoas. Talvez Deus esteja precisando de uma ajudinha? É certo que não!

Há momentos em que só sou despertado para uma determinada realidade se eu receber um “choque” de consciência. Pela enfermidade sou chocado pela realidade da limitação do tempo disponível que tenho na terra, pelo desentendimento sou chocado pela realidade da dificuldade de se fazer entender e de compreender o outro, pela constatação dos meus erros sou chocado com a necessidade do arrependimento e de mudanças, pelas palavras frívolas sou chocado pelo fato de que meu coração está cheio daquilo que saiu da minha boca. Preciso desses choques de consciência, são a minha salvação, eles são remédios contra a arrogância que está sempre querendo encontrar lugar no meu coração. Que sejamos constantemente chocados pela verdade!

Jesus nos chama simplesmente a “ir e fazer o mesmo”, sem desculpas, sem teorizações, é simples, direto e poderoso! A utopia de Jesus não é uma informação que deveríamos acumular, mas sim é uma jornada a se vivenciar, passo a passo, confiantes no Pai, vivendo em paz em cada fase do trajeto, sem se furtar do engajamento necessário em cada parte do processo, enquanto vemos Deus operar em nós o crescimento e amadurecimento.

Enquanto nossos olhos diariamente sofrem a tentação da cobiça, da ganância e da ingratidão por focar sua atenção naquilo que não temos, deveríamos, ao invés disso, nos atentarmos em dar sentido àquilo que já temos em nossas mãos: se são dois pães e três peixinhos, então que sejam repartidos entre os famintos; se são dons e talentos, então que sejam compartilhados para melhorar e facilitar a vida dos caotizados, se é uma consciência e capacidade de ensinar, então que seja anunciado com autoridade, equilibrio, amor e humildade. Enquanto uns reclamam das condições não ideais em que estão inseridos, há outros servindo e crescendo praticando o amor de todas as formas “possíveis”! Vença sua morbidez intelectualizada, viva a prática simples e ao mesmo tempo poderosa do evangelho de Jesus.

Se reunir em torno de Jesus implica em chamar de adoração o que Jesus chamava de adoração, chamar de missão aquilo que Jesus disse “vá e faça o mesmo”, chamar de paz aquilo que Jesus chamou de “a minha paz vos dou”, chamar de templo aquilo que Jesus chamou de templo, admitir que a fé está presente no mesmo tipo de pessoa em que Jesus encontrou fé, chamar de Reino de Deus aquilo que Jesus chamou de Reino de Deus, chamar de igreja aquilo que Jesus chamou de “minha igreja”, chamar de maior objetivo aquilo que Jesus chamou de “um novo mandamento vos dou: amem uns aos outros como eu vos amei”. Sem essa consciência, estamos nos reunindo em torno de outro alguém, menos em torno de Jesus.

Quase tudo na vida da gente é um processo, é uma questão de passo a passo, tanto para o bem quanto para o mal. Ninguém se torna maldoso, rancoroso e arredio ao amor da noite pro dia e também ninguém se torna um ser humano do bem, disposto a perdoar e lúcido instantaneamente. Por isso, vejamos bem onde pisamos nossos pés, cuidemos sobretudo das pequenas decisões e sentimentos que cultivamos no nosso ser. A maturidade não é automática, há muitos idosos infantis, há ainda os que morrem e que deixam os que ficam com aquela sensação de que o legado deixado é pobre, vazio, sem muito o que se aproveitar. A paz interior não encontra terreno em nós sem que todos os dias cuidemos muito bem do nosso jardim interior.

Ficar em silêncio num ambiente calmo, respirar profundamente prestando atenção no ar que entra e sai pela inspiração e expiração, se esvaziando do turbilhão de pensamentos que agem como o fluxo constante de uma cachoeira dentro de nós, relaxando e curtindo o momento, é um exercício muito útil em dias de tantas preocupações.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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