A prática comunitária #7 – Reino de amigos

O Reino de Deus é um reino de amigos. Essa afirmação define a nossa maneira de lidar uns com os outros, visto que não há espaços para a competição, nem para superficialidades, tampouco para convívios vazios de significado, somos chamados à amizade com Deus e uns com os outros. Jesus disse: “não os chamo de servos, mas de amigos…”, e mais “…usem a riqueza deste mundo ímpio para ganhar amigos, de forma que, quando ela acabar, estes os recebam nas moradas eternas”.

Concordo com Caio Fábio quando disse: “Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos”. O tempo todo Jesus chama seus discípulos a uma jornada onde a fé e a amizade andam juntas. Fé porque é uma jornada espiritual, para além daquilo que o olho é capaz de enxergar, é algo que transcende a matéria e o tempo/espaço; amizade porque a jornada não é solitária, somos chamados ao amor mútuo, a sermos “um” com aqueles que buscam a mesma coisa, a saber, seguir a Jesus na vida.

A verdadeira amizade tem caráter duradouro, não é restrita, não é baseada em modismos ou tendências, nem se condiciona aos percalços da jornada. O amigo ajuda o outro a crescer, o critica, o elogia, o corrige e se deixa ser corrigido, e ao mesmo tempo sempre se dispõe a ajudar o outro a carregar suas cargas; o amigo dá a vida, supera erros, compartilha do que tem, se preocupa, se interessa, trata o outro como um de sua própria família.

No Reino de Deus todos são servos uns dos outros, não há hierarquia de importâncias, não há títulos enobrecedores, não há tratamentos especiais nem acepção de pessoas, muito menos a primazia de uns em detrimento de outros.

Um Reino de Amigos

Quatro amigos levaram um paralítico a Jesus, em Cafarnaum.

Que bom que esse homem tinha amigos.

Que bom que eram amigos atentos a qualquer oportunidade de ajudá-lo.

Eram amigos parteiros, que acreditam na possibilidade e provocam-na.

Que bom que eram dos tais que não desistem diante dos obstáculos.

O coração duro dos que já estavam na casa lotada, e que não se abalaram do seu conforto, para que alguém mais necessitado fosse aproximado de Jesus, parecia um obstáculo intransponível.

Que bom que, para esses amigos, uma pedra, no meio do caminho, não era o fim do caminho.

Que bom que sabiam que os dons que recebemos são para o bem do outro, e, imediatamente, se puseram em busca de saída, abriram um buraco em casa alheia.

Que bom que, para eles, o ser humano vale mais do que qualquer patrimônio.

E interromperam o pregador.

Que bom que, para Jesus, atender ao ser humano é mais importante do que terminar o sermão.

E Jesus viu-lhes a fé.

Que bom que Jesus atenta para a fé. E foi a fé dos amigos.

E Jesus perdoou-lhe os pecados.

Que bom que os amigos levaram o seu companheiro a Jesus.

Que bom que Jesus sabe do que a pessoa precisa.

Nem toda doença é fruto do pecado, mas todo pecado adoece o pecador, duma ou doutra forma.

Aquele homem para voltar a andar precisava ser perdoado.

A falta de perdão, sempre, dalguma forma, faz o que precisa de perdão estagnar.

Tem gente que diz perdoar, mas mantém o outro em estado de dívida, não o libera para andar.

Que bom que o perdão de Jesus nos libera para andar, Jesus perdoa e esquece.

Como é bom, quando a gente não tem mais fé, ter quem creia por nós.

Como é bom, quando a gente não consegue mais andar, ter quem nos carregue.

Hans Bürky disse que o Reino de Deus é um reino de amigos.

Foi isso que Jesus veio inaugurar: um reino de amigos. Que a Igreja seja assim!

 Ariovaldo Ramos

Jesus era conhecido por ser, dentre outras coisas, amigo de publicanos e pecadores, e isso talvez indique para nós que seguidores de Jesus não precisam se preocupar com sua reputação perante os “classificadores” de plantão. Se Jesus se relacionava com os considerados “doentes” é porque, os que se consideram “sãos” não são capazes perceberem suas próprias misérias e portanto não estão aptos à profundidade da transformação no Reino de Deus. Não devemos cultivar relacionamento com aqueles que se gabam de sua justiça própria, tampouco ser amigos dos que cultuam a hipocrisia, pelo contrário, nosso chamado é sempre à verdade, à transparência de ser, à sinceridade, à amizades com significado, Jesus via esse significado na sua relação com os “marginalizados”.

Jesus contou parábolas onde os convidados para a festa não eram dignos e portanto, alguns foram enviados às ruas para chamar todo tipo de pessoa para ocupar o lugar dos “convidados indignos”, e mais do que nunca, a inclusão está posta como normativa, ou seja, o Reino de Deus não vê cor, sexo, situação financeira, condição de saúde física nem status social, os que entenderam isso devem se oferecer como amigos desses, que antes estavam fora da festa.

Igreja não é um encontro de desconhecidos que permaneçam assim por muito tempo. Igreja é uma rede de amigos que se unem na mesma jornada e se apoiam mutuamente, servindo uns aos outros sem semear nenhum tipo de competição ou tentativa de se destacar. Igreja é ambiente onde os feridos são tratados, os pobres são supridos nas suas necessidades, os desprezados ganham amigos, os mal vistos são tratados com dignidade e respeito, os maldosos são ajudados a reconsiderarem seu caminho, os dons são ferramentas de edificação e não de auto-promoção.

Deixe seu comentário dizendo, em sua opinião, quais os desafios das verdadeiras amizades? O que a amizade implica?

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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2 comentários sobre “A prática comunitária #7 – Reino de amigos

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