A prática comunitária #4 – Utopia

O que é utopia? Essa palavra vem do grego e significa literalmente “lugar que não existe”. Consideramos utopia aquilo que entendemos ser o ideal de sociedade, o ideal de comunidade, ideal de ser humano, ideal de relações entre humanos, alguns até comparam a utopia ao horizonte, no sentido que, na medida em que você a tenta atingir, acaba chegando à conclusão de que há ainda um longo caminho pela frente; e de certa forma, também o creio que seja assim.

Porém, há mais realidades a serem entendidas quando falamos da prática comunitária a partir da igreja que Jesus chamou de minha, pois o “impossível” aconteceu, o “absurdo” e “improvável” se tornou realidade, o Absoluto se Relativizou, o Ilimitado se Limitou, o Todo Poderoso se tornou Carne e habitou entre nós, ou seja, o impossível aconteceu. Nem a morte o deteve, ele ressuscitou, e antes disso caminhou entre nós nos mostrando as “possibilidades” daquilo que a obra do Pai em nós viabilizou. A partir desse acontecimento “tudo” pode acontecer, a utopia perdeu o seu caráter de impossibilidade e se tornou acessível, pela relação do relativo com o absoluto, do corruptível com o incorruptível, do pó com Seu Criador, do “caos e condição a-fórmica” com Aquele que cria novas coisas pela Palavra Eterna de seu poder!

Não dá pra dizer que a proposta de Jesus é inalcançável e utópica (impossível). Ele seria um mentiroso se isso fosse verdade. Quando Ele disse as seguintes coisas: “Sedes santos como eu sou santo”, “viram como eu fiz, vão e façam o mesmo”, “farão as obras que eu faço e farão obras maiores do que as que fiz”, “amem uns aos outros como eu vos amei”, “sedes perfeitos como o Pai é perfeito”, Ele não estava nos enganando, tampouco estava ignorando nossas limitações, Ele estava nos comunicando que o “poder de Deus opera nas nossas fraquezas” e que pela relação crescente com o Pai e, ao mesmo tempo, pelo envolvimento amoroso com o próximo coisas até então “impossíveis” aos nossos olhos começariam acontecer. Nosso orgulho, egoísmo, idolatria, insensibilidade e percepção entupida e superficial ganhariam um tratamento diário do Espírito que é Santo, afim de nos conformarmos à imagem de Jesus, e Ele se tornasse o primogênito de muitos de irmãos.

O Reino de Deus estar entre nós, ou mesmo, dentro de nós é o anúncio da utopia-possível! Deus se misturou em nós, agora Ele nos habita, não vivemos apenas das limitações de um “humano animal-carnal-instintivo”, há um upgrade de consciência, um potencial de transformações plantado em nós, há um aplicativo essencial instalado no nosso sistema operacional que determina a forma, o jeito, a utilidade e o caminho da nossa navegação na grande rede da vida.

Ao ler esse artigo, uma amiga perguntou: Me ajude a entender, que obras maiores são essas que seríamos capazes de fazer? Por acaso, seriam milagres maiores? Acompanhe a resposta no áudio abaixo:

Se não podemos crer na “utopia” de Jesus como possível e acessível a partir do tipo de relação (ou falta dela) que temos com o Pai, basta olharmos para aqueles que abraçaram verdadeiramente pela fé o Caminho, a Verdade e a Vida no curso da história. Todas as vezes que pessoas se deixaram mergulhar no ser de Deus pelo ensino de Jesus, micro-sociedades incríveis se desenvolveram a partir disso: é o caso de comunidades que tinham tudo em comum, pessoas que não consideravam sua coisa alguma, é o caso de casas de família que se transformaram em hospitais, cheias de acolhimento e amor para com os aflitos, é o caso de organizações extremamente dedicadas com aqueles por quem quase ninguém dá atenção, é o caso de comunidades que vivenciam a experiência da fé sem se perderem em disputas, rituais vazios ou em imposições que visam satisfazer egos humanos famintos pelo poder e pelo controle.

Quando enxergamos um Saulo que se transformou em Paulo, um Jacó que se tornou em Israel, quando estamos diante de um João impulsivo, “filho do trovão”, julgador, cheio de intolerância em relação aos seus diferentes e antagônicos se transformar num dos discípulos mais mansos e amorosos de todos, percebemos em Deus, a utopia tendo o seu cumprimento. Aquele que começou a boa obra há de completá-la até o dia de Cristo Jesus, e isso é pra valer! Portanto, cresçamos pois, na graça e no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

Nosso chamado não é a teorizar sobre até que ponto a obra de Deus será capaz de transformar-nos nessa vida, essa nossa tara pelas projeções pessimistas como alimento da nossa morbidez espiritual às vezes parece incurável, Jesus nos chama simplesmente a “ir e fazer o mesmo”, sem desculpas, sem teorizações, é simples, direto e poderoso! A utopia de Jesus não é uma informação que deveríamos acumular, mas sim é uma jornada a se vivenciar, passo a passo, confiantes no Pai, vivendo em paz em cada fase do trajeto, sem se furtar do engajamento necessário em cada parte do processo, enquanto vemos Deus operar em nós o crescimento e amadurecimento afim de ver o “dia perfeito” em áreas em que outrora só havia uma “fraca luz fraca e sem vida”.

Enquanto nossos olhos diariamente sofrem a tentação da cobiça, da ganância e da ingratidão por focar sua atenção naquilo que não temos, deveríamos, ao invés disso, nos atentarmos em dar sentido àquilo que já temos em nossas mãos: se são dois pães e três peixinhos, então que sejam repartidos entre os famintos; se são dons e talentos, então que sejam compartilhados para melhorar e facilitar a vida dos caotizados, se é uma consciência e capacidade de ensinar, então que seja anunciado com autoridade, equilíbrio, amor e humildade. Enquanto uns reclamam das condições não ideais em que estão inseridos, há outros servindo e crescendo praticando o amor de todas as formas “possíveis”! Vença sua morbidez intelectualizada, viva a prática simples e ao mesmo tempo poderosa do evangelho de Jesus.

A utopia de Jesus é possível? Sua opinião acerca do que trabalhei no texto é diferente? Deixe o seu comentário e vamos expandir as ideias propostas no texto.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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2 comentários sobre “A prática comunitária #4 – Utopia

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