Domadores de Vento

Os nascidos do Espírito, disse Jesus, são como o vento: não se sabe de onde eles vieram nem para onde vão! Deus nos sopra pra onde Ele quer, e nós devemos viver com leveza, flexibilidade e disposição obediente para simplesmente se deixar levar por esse sopro. Se estivermos apegados demais às coisas dessa vida, se nossa estaca estiver fincada na nossa condição atual (tal qual uma âncora que cai sobre a terra estabiliza o movimento do navio) então seremos incapazes de experimentar o movimento que o Espírito requer de nós na vida.

Há também os que querem domar os nascidos do Espírito. São pessoas que querem criar cercas, querem conter aquilo que não pode ser contido, querem estabelecer limites àquilo que tem vida própria e age ilimitadamente no coração dos que seguem a voz do Bom Pastor. Os domadores de vento tem medo da liberdade, acham arriscado demais alçar voo, criam métodos, fórmulas, das mais escrachadas às mais sutis, pra impedir que as pessoas vivam a experiência própria de serem conduzidas pelo Espírito que quer guiá-las a toda verdade. No final das contas estes querem fazer o papel de Deus na vida das pessoas. Talvez Deus esteja precisando de uma ajudinha? É certo que não!

Quando Jesus disse que o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça, Ele não estava fazendo apologia à pobreza, mas sim, estava descrevendo a que tipo de vida um seguidor seu deveria se submeter: à dependência total da voz, da provisão e do amor de Deus que os levará, sem erros, à terra prometida, à paz que excede todo entendimento, à percepção madura e à estatura de varão perfeito, sob a promessa de que quem começou a boa obra há de cumpri-la até o dia de Cristo Jesus.

Poderia citar as inúmeras vezes que os discípulos planejaram algo, mas o Espírito os conduziu em outra direção. Às vezes fazemos planos demais, queremos gerenciar o que não fomos chamados a gerenciar, queremos criar uma marca, um selo, um pedigree, um carimbo, um certificado de qualidade, e para sermos sinceros, na maior parte das vezes no fundo no fundo, queremos validar nossa vocação, nossa importância, nosso chamado a partir dos planos que fazemos. Queremos provar pra nós mesmos e para os outros de que damos certo, de que fomos bem sucedido em conduzir o “vento” na direção certa.

O que fazer? Sair do controle! O controle nos fascina, mas não é isso que Deus espera de nós. Ele nunca disse: controle meu povo, ele disse apascenta as minhas ovelhas! Apascentar significa cuidar, tratar das feridas, apontar para Jesus (o Sumo Pastor). Fomos chamados a fazer discípulos e ensinar tudo o que Jesus ensinou e deixá-los livres, pois cuidamos daquilo que não é nosso, da vinha do nosso Senhor, e faremos bem se reproduzirmos sem distorções os recados Daquele que é!

Domar o vento é desperdício de tempo e energias, e as vezes chega ser perversidade em forma de presunção. Se foi para a liberdade que Cristo nos libertou não devemos colocar sobre os outros os jugos que os sobrecarregam, que os domesticam, que torna o acesso dos outros diante de Deus mais burocrático. Domar o vento sempre trará frustrações, sempre irromperá em vazios interiores. Domar o vento é trabalho dos fanáticos e tarados pelo poder, e sempre resulta em angústia tanto para os que deveriam estar se movendo segundo o sopro de Deus, quanto para aqueles que tentam controlar o incontrolável.

Sejamos leves para se mover segundo a vontade de Deus.

Sejamos humildes para não se colocar contra o que Deus está fazendo no coração dos seus pequeninos.

Rodrigo Campos
Um Caminhante Aprendiz
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