Mas, em meu entender, quando uma pessoa, possuidora de saúde e de temperança, só se entrega ao sono depois de ter despertado o seu raciocínio e de o ter banqueteado com belos pensamentos e especulações, entregando-se à meditação interior, ponde de lado o desejo, sem ser por carência nem por excesso, a fim de ele adormecer e não causar perturbações, pela sua alegria ou pela sua tristeza, à parte melhor, e a deixa só, pura e independente, para observar e ansiar por perceber aquilo que ignora, do passado, do presente ou do futuro; quando, da mesma maneira, depois de amansar o elemento irascível, e, sem se irritar com ninguém, adormecer com um coração não agitado, mas depois de ter tranquilizado estas duas partes da alma, e de ter posto em movimento a terceira, na qual reside a reflexão, assim se entregar ao descanso, sabes bem que é nessas condições sobretudo que se atinge a verdade, e que aparecem menos as visões anômalas dos sonhos.

Platão
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Escrito por Rodrigo Campos

Um caminhante que está disposto a aprender com os erros e acertos, refletindo quais são as verdadeiras importâncias da vida e sua essência!

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