The Dones #5 – Sua participação não é necessária

Estou cada vez mais convencido de que grande parte do cristianismo se tornou uma religião humana que se baseia vagamente nos ensinos de Jesus justamente porque eles não possuem o objetivo principal.

Todas as semanas recebo links para blogs e artigos de vários pastores, dando cinco, oito e até doze razões do porque todos precisam participar de uma igreja local por semana. Para provar seu ponto, no entanto, eles têm que fazer algumas das declarações mais ridículas, sem fundamento nem na vida nem no caráter de Jesus. Essas conclusões não são apenas equivocadas, mas realmente destrutivas para as pessoas que querem crescer em sua vida e na alegria.

Este não é um julgamento pessoal contra eles. Tenho certeza de que muitos deles são excelentes pessoas, apenas tentando fazer o que eles se sentem chamados a fazer. Também agradeço que este seja um momento assustador para eles, já que a participação está em declínio. A ideia de que alguém possa realmente crescer em seu relacionamento com Deus, experimentar a vida da igreja e compartilhar sua missão no mundo sem fazer parte de sua congregação tem que ser uma realidade assustadora. Muitos nem sequer querem reconhecer que isso é mesmo possível, então eles duplicam o linguajar das obrigações e responsabilidades religiosas para reagir a tal fenômeno. Ao fazê-lo, no entanto, eles torcem o Evangelho para que ele não seja mais reconhecível e tudo o que resta é que as pessoas obedeçam aos que lhes é dito pela liderança, cujo sucesso e sustento dependem dessa obediência.

Há muitas boas razões para se reunir regularmente com outros crentes e compartilhar a jornada da fé. Só que esses encontros não estão acontecendo nos serviços dominicais dentro da burocracia do sistema religioso que muitas vezes reprime mais o crescimento espiritual do que o estimula. Muitos encontraram maneiras mais atraentes de compartilhar a vida da igreja para além dos muros das congregações tradicionais e quando alguém lhes diz que eles precisam atender aos ministérios dominicais tradicionais, isso entra por um ouvido e sai pelo outro, visto que descobriram que não é verdade.

Então, se eles esperam que a culpa e a obrigação ganhem essas pessoas de volta ou assustem os que, segundo eles, precisam permanecer na congregação, então estão lutando uma batalha perdida, e além disso desfigurando quem Deus é e distorcendo o Evangelho para fazer-se ouvidos e atendidos. A vida da igreja não se encontra nas obrigações, mas sim, na alegria que é provida de afeto e transformação. Essa atitude de tentar descontar raivosamente nos irmãos, tentando transmitir medo a eles para que não sejam renovados na fé, continuará falhando!

No último artigo que li, Nathan Rose, um pastor do Missouri que faz parte da denominação Batista do Sul, diz que ignorar as reuniões da “igreja” é perigoso para sua saúde. Ele dá cinco razões pelas quais, em um artigo recente, ele escreveu: “Cinco Perigos Espirituais ao Sair de Uma Igreja”:

  1. Você vai perder o modelo primordial estabelecido por Deus para o seu crescimento espiritual e bem-estar. O que no ministério de Jesus leva a concluir que o principal meio de Deus para fazer as pessoas crescerem até a maturidade espiritual é frequentar um serviço semanal da igreja? Qual fundamentação para isso diante do fato de que ele nunca ensinou os discípulos a fazer isso e ainda, atribuiu a tarefa do nosso crescimento ao Espírito Santo que habitaria em nós e nos guiaria a toda a verdade? Quando a mulher samaritana perguntou a Jesus onde deveria adorar, ele deixou claro que a localização não é o problema. O que importa é que nós o fazemos com espírito e na verdade. Viver no relacionamento com Deus e responder ao Seu Espírito dentro de nós é o principal modelo de Deus para o nosso crescimento e bem-estar e não estando sentados em um banco numa reunião de domingo.
  2. Você desobedece a Deus. Como muitos fazem, Rose retira Hebreus 10:24,25 do contexto dizendo que o conselho é “não negligenciar a reunião”, como que dizendo para não deixar de participar dos serviços semanais da igreja. É desonesto agir assim. Essa é a única parte das Escrituras que os pastores tem para tentar fundamentar essa ideia de que isso só pode ser cumprido nos serviços semanais da comunidade. Esta passagem não foi escrita para os crentes irem aos cultos da igreja, mas sim para pessoas que estavam sob perseguição e riscos de morte e que, se perguntavam se o evitar os encontros com outros irmãos não se tornaria mais difícil para as autoridades encontrá-las. O escritor está dizendo que eles tem mais a ganhar com o encorajamento que possuem uns com os outros, do que vivendo sozinhos, isoladamente. A maioria dos serviços dominicais nem permitem que as pessoas se encorajem mutuamente, já que o foco está na plataforma (no altar, no púlpito, etc). Hebreus não está falando sobre participar de uma reunião. Trata-se de ficar conectado aos outros e não tentar fazê-lo sozinho. Honestamente, muitas de nossas instituições hoje fazem mais para inibir essa conexão do que incentivá-la.
  3. Você faz uma afirmação ao mundo de que Deus não é digno de adoração…, essa é a atitude e a conduta dos incrédulos, não do povo de Deus. Então, se você não vier a “adorar”, você não é mais um dos homens de Deus?! O julgamento aqui é espantoso. Adoração não é um serviço de música ou um sermão, mas uma vida vivida na realidade de Deus e de seu amor. Como o vemos e como o amamos e respeitamos uns aos outros é que traz a glória para Ele ou o desagradamos. Sentados num banco no domingo não é uma declaração do quão importante é o culto para você, a menos que seja a única maneira de entender a adoração e, em seguida, você está empobrecido espiritualmente no resto da semana. Nossas vidas O adoram quando estamos no trabalho, curtindo a sua criação ou servindo alguém em necessidade.
  4. Você não pode ministrar a ninguém. Será? Todo o ministério que Deus quer fazer no mundo só pode acontecer sob um templo num culto de domingo? Isso seria digno de rir se não fosse tão trágico. Jesus nunca ministrou em um “ministério” tal como conhecemos, mas sim na rua onde quer que encontrasse um ser humano. O serviço real não é estar sentado num banco para que outros possam ouvi-lo cantar e você possa mostrar apoio ao pastor. O ministério tem que a ver com amar e ajudar as pessoas que você conhece ou para com aqueles com os quais você se depara na vida. Eles podem estar no seu bairro, trabalho, escola ou em todo o mundo.
  5. Você presencia uma antecipação do céu, quando vêem as reuniões. Se os serviços do domingo é realmente uma antecipação do céu, ninguém gostaria de sentir falta deles e você não precisaria obrigá-los a estar lá. Em muitos casos, é apenas uma fórmula repetida, muitas vezes repletas de culpa e condenação, assim como toda essa argumentação produzia pelo Rose.

O que mais me incomoda não é que eles desejem que as pessoas entrem em “sua igreja”, mas que vêem a obrigação como motivo. Eles cometem o mesmo erro que os gálatas fizeram. Ao transformar a promessa de Deus em uma obrigação, eles distorcem o evangelho, fazendo-os perder a alegria de um convite à vida de Deus por meio de demandas e ameaças. Eles usam a argumentação psicológica de que um abismo chama outro abismo e que portanto se reúnem não porque gostam, mas porque Deus trabalha neles e porque Deus diz o que precisam fazer. Por favor! O Reino é a pérola de grande preço, e não uma pedra pesada que dizemos que temos que carregar em nome da maturidade espiritual.

Paulo, o apóstolo, nos encoraja a viver em liberdade e não deixar ninguém nos defraudar dizendo-nos onde devemos ir e o que devemos comer ou usar. As pessoas que tentam dizer o que você deve fazer, em vez de equipá-lo, para viver plenamente e livremente em Jesus, na verdade perderam a conexão com Ele.

Sinceramente, sinto muito por aqueles que não conseguem ver a realidade da igreja de Cristo para além de sua própria congregação ou do próprio modelo congregacional convencional. Talvez poderiam se esforçar mais para ter um olhar mais honesto, até porque membros comprometidos de suas comunidades acabaram achando ser necessário sair de lá. Mau gerenciamento que utiliza-se de acusações e demandas nunca vai ser útil para cumprir o trabalho do reino. Talvez seja a hora de eles perguntarem o quanto seus encontros refletem a natureza e a realidade de Deus. As congregações que honestamente procuram ajudar as pessoas a viverem na realidade da liberdade e transformação de Jesus também estão trabalhando fora de suas fronteiras.

De fato, se eles colocassem o Reino em primeiro lugar, eles se alegrariam com os frutos dessa priorização!

Wayne Jacobsen
Tradução livre do artigo “The Phenomenon of The Dones” de https://www.lifestream.org/the-phenomenon-of-the-dones/
wayne


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