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The Dones #4 – Por que as pessoas estão saindo?

O que é preciso para alguém deixar uma congregação de pessoas que amaram e serviram ao lado delas por décadas? Por que eles, de repente se afastariam de amigos íntimos e tradições de vida para vagar em um futuro mais solitário e incerto e viver sendo acusado de egoísta, amargo ou rebelde?

Em geral, essa saída da congregação não tem sido de forma repentina, nem algo que eles esperassem que iria acontecer. Mas, efetivamente chegou um momento em que eles pararam de comparecer às reuniões, mas nenhum dos “cansados” (do inglês “The Dones”) que conheci nos últimos vinte anos saíram de maneira rápida e precipitada. É fato de que muitos lutam por anos, para tomarem essa decisão. Primeiro convivem por um bom tempo com inquietações ou necessidades não atendidas. Inicialmente, eles achavam que os outros ao seu redor ficariam felizes ou gratos se eles identificassem um problema que precisava de atenção e resolução. Para a sua surpresa, eles encontraram ouvidos não dispostos a ouvir, mesmo fazendo várias tentativas de discutir suas preocupações ou esperanças.

“Essa não é a maneira como fazemos as coisas aqui”, eles ouviram. Muitos desistem de tentar convencer os outros, e passa a ser dolorido sentar-se na congregação, visto que os problemas continuam não resolvidos. Depois  de anos de luta, eles finalmente sentem que não têm outra opção senão seguir suas percepções em vez de viver silenciosamente numa congregação que não dá importância ao que enxergaram como necessidade. Por mais que queiram permanecer com pessoas com as quais se importam, participar desses encontros se tornou prejudicial às suas paixões espirituais.

Embora o processo seja semelhante para a maioria, eu sei, que os motivos de cada um podem ser bastante diferentes. Recentemente eu perguntei às pessoas na minha página do Facebook o que foi que finalmente deixou claro que eles precisavam deixar sua congregação. Recebi mais de 100 respostas que se assemelham a muitas pessoas com as quais lidei nessas últimas duas décadas:

  • Quarenta e dois por cento disseram que estavam desgastadas pela máquina religiosa (estrutura organizacional) e suas demandas por fazê-la funcionar. Muitos se sentiam desgastados demais por terem que fazer mais do que o seu tempo e energias eram capazes de realizar; porquanto que a maioria era ensinada que o custo exigido valeria à pena pelo fruto que isso produzia. Raramente alguém disse que a congregação era ruim, exceto nos casos mais abusivos. A maioria disse que as demandas da congregação começaram a sufocar sua paixão por Jesus e isso os assustou.
  • Vinte e três por cento disseram que não respeitam mais a liderança, seja por serem desonestos, exigentes ou manipuladores. Isso não resultou em um ou duas situações embaraçosas de confronto apenas, mas sim numa série de experiências que corroeram consistentemente sua confiança e respeito naquilo que a congregação fazia.
  • Vinte por cento disseram que tinham anseio por relacionamentos mais autênticos, sentindo que eles tinham sido muito superficiais ou governados por respostas prontas, ao invés de haverem pessoas realmente que se conheciam com qualidade e queriam caminhar lado a lado em suas alegrias e dores.
  • Doze por cento queriam mais de Jesus e sua vida do que a congregação oferecia. O foco parecia estar em coisas para além da missão de ajudar as pessoas a aprenderem a experimentar a plenitude da vida Nele.
  • Três por cento falaram que havia uma insatisfação e que assim, sentiram-se guiados pelo Espírito para se mudarem para uma etapa diferente de sua jornada.

É claro que o meu grupo de entrevistados não incluiu aqueles que desistiram de Deus quando desistiram de sua comunidade. Muitos fazem isso, vendo os fracassos de suas instituições ou de seus líderes como prova de que Deus não existe, ou se Ele existe no mínimo Ele não está envolvido com as pessoas. É um trágico legado dos sistemas organizacionais que muitas vezes estão mais focados em perpetuar programas do que mostrarem o amor do Pai.

Mas, para cada pessoa que deixou a congregação convencional, seja pastor ou membro, há outros que estão pensando em também deixar na medida em que frequentam reuniões que não atingem o cerne das suas paixões espirituais. Muitos até ficam por causa das amizades. Para outros sair se tornou inevitável, ainda que tenham que lidar com uma dor enorme. Na verdade, eles também estão “cansados” (dones), e é só uma questão de tempo para que também parem de frequentar as reuniões.

Simplificando, a maioria dos “The Dones” deixou a congregação porque a sua paixão espiritual não podia mais ser cumprida onde estavam. É como se aquilo que já pareceu ser verdade um dia, se tornasse claramente insatisfatório e insuficiente. É quase sempre um longo e prolongado processo em que resistiram até quando não puderam mais suportar.

O processo é difícil para todos. Nos primeiros meses, muitos dos que saem estão tomados de culpa e reavaliam sua decisão com frequência, ainda mais quando esses vêem a dificuldade de encontrar do lado de fora outros que compartilham dos mesmos anseios espirituais. E é difícil para aqueles que deixaram amizades para trás e muitas vezes se sentem rejeitados pelos “amigos”. As palavras duras e os julgamentos são armas usadas de todos os lados, pois quem está convencido de que está fazendo o que é certo quer convencer os outros para a sua própria validação. Nada irá destruir mais rapidamente as amizades e levar animosidades e feridas para toda a comunidade do que isso.

Aqueles que deixaram as congregações convencionais não são seus inimigos.

Se fossem verdadeiramente seus amigos antes, permaneceriam seus amigos agora e sempre!

Wayne Jacobsen
Tradução livre do artigo “The Phenomenon of The Dones” de https://www.lifestream.org/the-phenomenon-of-the-dones/
wayne

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