The Dones #2 – Os Rótulos que nos Dividem

Em um estudo chamado “O aumento dos nenhuns” (do inglês “The Rise of the Nones”), a Pew Research lançou sua descoberta, há alguns anos atrás, de que há um segmento crescente da população dos EUA que afirma não terem “nenhuma” preferência religiosa em vez de optar por uma das crenças históricas com as quais as pessoas se identificaram por séculos.

Era talvez inevitável, então, que o surgimento dos “Nenhuns” (Nones), desse origem aos “Cansados” (Dones), quando descobriu-se que há um número crescente de pessoas que vivem fora das instituições tradicionais cristãs continuavam a crescer em um relacionamento com Jesus conectando-se de forma significativa uns com os outros. “Cansados de igreja” (do inglês, “The Dones”) é o rótulo mais recente que lhes foi atribuído. Eles foram chamados de revolucionários, fora da caixa, cristãos de alcance livre ou desigrejados (do inglês “dechurched”). Esses rótulos atendem a necessidade da mídia de falar sobre tendências entre grupos específicos e comercializar produtos dentro desses nichos, mas eles realmente não úteis para o trabalho que Jesus está realizando no mundo.

Nossa natureza caída procura constantemente encontrar identidade e segurança dentro de uma tribo e os rótulos são importantes para manter o “meu grupo” separado do “seu grupo”, isso acontece entre equipes esportivas, gangues e até mesmo em grupos religiosos. As etiquetas facilmente polarizam a humanidade em grupos adversários e especialmente, no caso dos religiosos, acabamos concluindo que nosso grupo não é apenas diferente, mas melhor do que os outros.

Portanto, não é surpreendente que os rótulos sejam mais agradáveis ou não, dependendo de qual tribo se está falando. Infelizmente, a maior parte dessa conversa sobre os chamados “cansados de igreja” (The Dones) não acontecem de forma interativa entre os que estão dentro das instituições com os que estão fora das instituições, pelo contrário, de um lado temos os que estão dentro conversando apenas com os que estão dentro e os de fora conversando apenas com os que estão fora. Para os que estão dentro das instituições termos como “desigrejados” ou “refugiados da igreja” podem fazer todo sentido e ser até justo, porém perpetuar o mito de que as instituições religiosas são o único reflexo da igreja de Jesus no mundo é tão infeliz quanto inverdade. Usar a palavra “igreja” apenas para instituições religiosas não é um erro pequeno, e a maioria dos líderes religiosos querem que as pessoas acreditem nisso para que não considerem a possibilidade de ir embora também. Isso é tão forte, que mesmo muitos do que são chamados “cansados de igreja” (Dones) acabam acreditando que “abandonaram a Igreja de Cristo”.

Da mesma forma, aqueles que estão fora das instituições religiosas querem reivindicar títulos que os tornam mais livres, mais baseados na graça ou mais poderosos do que os seus homólogos em contextos mais tradicionais. Depois que George Barna publicou sobre A Revolução (Revolution) em 2006, aqueles que estão fora das estruturas tradicionais se apropriaram rapidamente dela como evidência de que eles estavam espiritualmente mais comprometidos, e ao invés de se abrirem a um diálogo com toda a família de Deus, eles acabaram apenas expandindo a divisão. Tenho medo de que os “cansados de igreja” (The Dones) façam o mesmo se as pessoas usarem esse título como se fosse um emblema de justiça própria, de uma espiritualidade mais profunda, quando perguntados a respeito da sinceridade de sua fé.

Qualquer título que você use, seja pastor, autor mais vendido ou desigrejado aumentará ainda mais a separação em relação aos outros do que ajudará a reconhecer a incrível família que Jesus está construindo. Criar um rótulo trabalha contra a oração que Jesus fez ao Pai para que nos tornássemos “um”. A comunidade da nova criação nivela nossa humanidade – tanto de hierarquia quanto de nossas noções narcisistas de acharmos que estamos num grupo melhor do que outros. Somos todos filhos e filhas de um Pai gracioso e essa é toda a identidade de que precisamos.

Mais uma vez, corremos o risco de ser divididos entre íntimos e não íntimos e caírmos na falsa dicotomia que nossa carne tanto deseja. Se você vai a “uma igreja” ou se você não tem essa distinção não faz diferença. O que importa é se as pessoas estão seguindo Jesus e sendo transformadas por seu amor. O que eu espero que venha desse estudo a respeito dos “cansados de igreja” (The Dones) é que os de dentro das instituições e os que estão fora delas reconheçam que a igreja é maior do que a maioria de nós se atreveria acreditar e que sua igreja se expressa onde quer que as pessoas se envolvam com seu amor e propósito.

Para aqueles que afirmam que o comparecimento a uma congregação local é obrigatório para fazer parte de sua igreja, espero que eles reconsiderem essa falsa ideia. Ser parte da família de Deus é seguir a Jesus, não pertencer a uma instituição. Ao longo dos últimos vinte anos encontrei incríveis seguidores de Jesus dentro e fora das instituições religiosas. Espero que esta pesquisa mostre a todos que uma conversa sobre estar dentro ou estar fora se torna muito menos importante do que amar e afirmar seu reino de todas as formas no mundo. Mas vai demorar um tempo para que um número significativo de vozes em todo o cenário cristão lute por uma conversa aberta e franca que inclua todos os cristãos (os de dentro e os de fora).

Imagine a minha alegria na semana passada, quando conheci 25 pastores no condado de Riverside, que queriam discutir meu livro “Finding Church” (Encontrando a Igreja) e a pesquisa do Dr. Packard sobre os “The Dones”, que está detalhada no seu livro “Refugiados da Igreja”. Eu não estava apenas surpreso por ver tantos interessados em ter aquela conversa, como também estava agradecido por cada um que se aproximou de nós com graça e desejo de entender as tendências que enfrentamos hoje. Não houve hostilidade na lida com essas diferenças, mas uma generosidade em entender aqueles que deixaram a igreja como instituição religiosa e que apreciam suas jornadas também.

Estou convencido de que as pessoas que realmente conhecem Jesus querem lidar com essa divisão, e não piorá-la. Não precisamos identificar rótulos, especialmente aqueles que nos fazem sentir superiores aos outros da família, quando Jesus se torna mais importantes para nós do que encontrar identidade em qualquer tribo particular, as conversas que mais expressam seu reino crescerão no mundo. Em vez de exigir que outros se adaptem à nossa visão da igreja, reconheceremos a igreja nos lugares mais surpreendentes e inimagináveis na medida em que encontramos conexão e comunhão com aqueles que conhecem o Jesus que conhecemos, mesmo que não sigam os rituais que seguimos.

Então, não precisaremos de rótulos para nos dividir. Irmão e irmã serão mais do que suficientes. Amaremos uns aos outros em uma celebração mútua a Jesus, e ele permitirá que sua igreja floresça onde vivemos.

Wayne Jacobsen
Tradução livre do artigo “The Phenomenon of The Dones” de https://www.lifestream.org/the-phenomenon-of-the-dones/
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